“Eu sou eu e minhas circunstâncias” – o autor e filosofo espanhol, Ortega y Gasset, defende que sua constituição é feita por si mesmo e suas circunstâncias. “Eu sou o meu ser e minhas circunstâncias.”
Isso significa que você não existe no vácuo. Você só se torna quem você é operando, reagindo e decidindo dentro do cenário, das circunstâncias que a vida lhe deu.
O que são às suas circunstâncias? Seus aspectos hereditários, como corpo e tendências familiares, bem como às circunstâncias da sua realidade de forma mais ampla, como o ambiente e a cultura em que nasceu. São às coisas que foram DADAS a você.
O ser humano não decide às circunstâncias em que nasceu. Você não decide aquilo que recebeu. aquilo que lhe foi dado, como por exemplo, o ambiente em que nasceu, sua condição social, o pais, a cultura, etc. Você não decide o que foi colocado a você, mas você decide como se coloca diante disso tudo, como enfrenta e como responde a essas circunstâncias.
Você não escolheu nascer em determinada família, em determinado país, com determinado temperamento ou em determinada época histórica. Contudo, sua vida acontece precisamente nesse contexto. Nossas circunstâncias são o terreno onde iremos fazer nascer a nossa personalidade.
Se às circunsâncias nos foram dadas, somos chamados a integrá-las da melhor maneira possível. Partimos de um ponto, mas não devemos permanecer nesse mesmo ponto. Vivendo a vida como mero resultado de fatores que nos foram dados. Devemos compreender, trabalhar e integrar essas circunstâncias em nossas vidas. Não por acaso a frase acima citada continua: “Eu sou eu e minhas circunstâncias, se não às salvo, não salvo a mim mesmo”. O desenvolvimento da personalidade tem como primeiro passo salvar, de alguma forma, nossas circunstâncias. Para Ortega, quem foge de suas circunstâncias acaba fugindo de si mesmo.
Aqui está o chamado para a ação. “Salvar” a circunstância não significa fazer um milagre e mudar o mundo inteiro. Significa dar um sentido correto à realidade que cerca você.
Se você ignora, odeia ou se recusa a aceitar as suas circunstâncias, você fica paralisado. Por exemplo: se você está preso em um emprego ruim, em um momento histórico difícil ou lidando com um problema familiar, e apenas se lamenta, você está deixando a circunstância “afundar” você.
Salvar a circunstância significa olhar para o que está ao seu redor — por pior que seja — e perguntar: “Dado que a minha realidade hoje é esta, o que eu posso fazer de melhor com ela?”. Quando você compreende, aceita e tenta transformar a sua realidade concreta, você “salva” o seu ambiente e, consequentemente, resgata a si mesmo do fracasso ou do ressentimento.
Vemos um pensamento similar na pespectiva do Viktor Frankl. Para Frankl: você possui circunstâncias; você sofre influências; você recebe condicionamentos; Porém, sua identidade última não está na facticidade (aquilo que lhe foi dado). Está naquilo que você faz com ela.
“O homem não é totalmente condicionado e determinado; ele próprio determina se cede aos condicionamentos ou se lhes resiste.” Viktor Frankl
“Ao homem pode ser tirado tudo, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher sua atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias.”
Você não escolhe as cartas que recebeu, mas continua responsável pela maneira como joga. O erro do determinismo é você olhar para essas cartas e acreditar que sua vida está decidida, que você não tem nenhum poder de escolha. Só que ao fazer isso, você está negando sua dimensão mais humana, a sua capacidade de escolher uma atitude, de se posicionar perante às circunstâncias.
Dois irmãos podem crescer na mesma casa. Receber praticamente as mesmas “cartas”. Um torna-se generoso. Outro torna-se amargo. As circunstâncias eram parecidas. A resposta foi diferente.
Você não é responsável por tudo o que lhe aconteceu, mas é responsável pela resposta que dará ao que lhe aconteceu.




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