Deus está morto? A abolição da lei moral gera, como consequência, uma sociedade caótica e confusa, o que resulta em barbarismo e na destruição daquela mesma civilização. Na falta de uma moral objetiva, as pessoas se perdem no hedonismo e no materialismo.
O Bem e o Mal Existem
CS LEWIS, ainda que um homem afirme não acreditar que haja bem e mal, vê-lo-emos contradizer-se imediatamente na vida prática.
Quando os defensores do relativismo falam em defesa dos seus direitos, o que fazem é por a parte todo o seu relativismo moral e condenar rotundamente a objetiva imoralidade de quem pretenda causar-lhes um mal.
E se alguém lhes da uma bofetada ou lhes roube a carteira, o mais provavel é que se esqueçam do seu relativismo e proclamem, sem relativismo algum, que tais ações estão muito erradas. Na vida prática esses senhores reconhecem a existencia de uma lei da natureza humana.
Quando alguém diz que é muito difícil ou quase impossível saber o que é verdade ou mentira, o que é bom ou mal, porque entende que tudo é relativo adota uma atitude cômoda que o dispensa de argumentos. Corta pela raíz qualquer discussão e debate, porque nega o seu pressuposto, o de que é possível chegar a conclusões verdadeiras.
Ortega y Gasset dizia que o relativismo é uma teoria suicida, porque quando aplica a si mesmo, se mata. Na maioria das vezes é uma pose academica, de uma cômoda evasão da realidade.
Por vezes essas mesmas pessoas tem muitas certezas, embora talvez não as perceba por estar muito ocupado em acusar os outros de dogmatismo. O que o relativista costuma olhar com suspeita não são as certezas, mas as certezas dos outros.
O relativismo é a posição filosófica de que todos os pontos de vista são igualmente válidos e que toda verdade é relativa ao indivíduo. Mas, se olharmos mais além, vemos que esta proposição não é lógica. Por não ter um ponto de referência claro a respeito da verdade, o relativismo leva a confusão global entre o bem e o mal. Todas as afirmações relativistas são autorefutantes:
- “A verdade não é universal” (exceto esta verdade que você acaba de afirmar)
- “Ninguém pode conhecer a verdade” (a não ser você, segundo parece)
- “A verdade é relativa” – Se toda verdade fosse relativa, então a afirmação “Toda verdade é relativa” seria absolutamente verdadeira. Se for absolutamente verdade, então nem todas as coisas são relativas e a afirmação de que “toda a verdade é relativa” é falsa.
- “A verdade é incerta” (então também não é incerto o que você diz?)
- “Todas as generalizações são falsas” (esta também?)
- “Você não pode ser dogmático” (você não estaria sendo dogmatico com esta mesma afirmação?)
- “Não me imponha a sua verdade” (o que significa que neste momento você está impondo as suas verdades)
- “Não existem absolutos” (absolutamente?) – A afirmação “Não existem verdades absolutas” é uma afirmação absoluta que se supõe ser verdadeira. Portanto, é uma verdade absoluta, e “Não existem verdades absolutas” é falso. Se não existem verdades absolutas, então você não pode acreditar em absolutamente nada, inclusive que não existem verdades absolutas. Portanto, nada poderia ser realmente verdade para você – incluindo o relativismo.
- “A verdade é apenas uma opinião- (a sua opinião pelo que vejo)
Essa apoteose do relativismo deve-se a essa impressão: de que manifestar dúvidas é um sinal de modéstia e de democracia, ao passo que falar de certeza é cair no dogmatismo e numa atitude quase ditatorial.
Lênin disse que “se queremos dominar um povo, temos de começar por corromper a sua moralidade”
A Lei Moral Natural
Os trechos abaixo são do livro “É razoável crer” de Alfonso Aguiló, em que o autor comenta sobre a importância da moral e sobre como ela é necessário para o amadurecimento do ser humano e para a sua felicidade:
“As diversas concepções morais que foram surgindo ao longo da história do gênero humano têm, com efeito, pontos conflitantes, mas têm muitos mais pontos em comum. Há quem insista tanto na incompatibilidade que chegue a pensar que toda ética é uma invenção humana própria de cada época e lugar. Mas a história mostra que a intuição moral natural é bastante comum a todas as grandes civilizações. Os grandes imperativos morais estão presente em toda a história.
A moral é decisiva para a dignidade do homem. Desprezar a moral não torna o homem mais livre, como se fosse um fardo de que conviesse ao homem libertar-se. Desobedecer ao dever moral degrada o homem, desloca-o para um nível menos humano, afasta-o da felicidade.
O dever moral não pode ser considerado como uma prisão da qual o homem tenha que se libertar para poder, finalmente fazer o que lhe agrade. As normais morais não são limitações arbitrárias impostas as pessoas, mas verdades libertadoras que enchem de luz a existência e constituem a fonte da própria dignidade humana.
Todos nós aceitamos leis biológicas, físicas ou matemáticas que limitam a nossa liberdade. Não nos consideramos oprimidos pela lei da gravidade. Ninguém se considera menos livre por aceitar o teorema de Pitágoras. De modo semelhante, a lei natural não tem por que acarretar para ninguém uma perda de liberdade. Mais ainda: os que não queiram aceitar essa norma reta de conduta, por pensarem que assim serão mais livres, cedo ou tarde se verão escravos dos seus vícios e manejados pelos que exploram a sua fraqueza.
Tudo o que Deus nos exige por meio da lei moral, exige porque é o que mais nos convém. Deus não simplesmente estabeleceu uma série de exigências morais para nos incomodar. A moral cristã, revelada por Deus, tem por fim facilitar a vida, não dificultá-la.
A observância dos mandamento de Deus tem uma certa analogia com a observância das instruções para a manutenção de um veículo. Essas instruções podem prescrever algumas norma cuja razão de ser o usuário nem sempre compreenda por inteiro. Mas o fabricante, que conhece perfeitamente o funcionamento do carro, recomenda-nos que, para nosso bem, cumpramos essas normas, ainda que nem sempre as entendemos.
“Só fazendo o bem é que se pode ser realmente feliz” – Aristóteles
Liberdade demais gera corrupção na alma
Todos nós sabemos que o poder tende a corromper e que poder demais corrompe. Por que nunca dizemos isso a respeito da liberdade?
Se de repente você se tornasse muito rico e famoso e como resultado dispusesse de dinheiro pra todas as drogas e prostitutas que quisesse, e então desordenasse a sua alma, embotasse sua inteligência e perdesse a sua vida, não teria possuído liberdade demais?
Vejam os EUA, 90% são cristãos, 50% frequentam a igreja e é uma das sociedades mais egoístas, hedonistas e violentas da face da terra. A palavra favorita deles é “liberdade” e não “virtude” e a canção favorita é aquela que todos cantam ao chegar ao Inferno: I did it my way.
HOJE, A LIBERDADE SUPERA A VERDADE. A modernidade exige a libertação da moral e da verdade religiosa antes que a liberdade para buscá-las. Não é mais a verdade que libertará você, mas é a liberdade que produzirá a verdade. Nesse tipo de visão de mundo relativista, no coração da liberdade está o direito de cada homem, e não de Deus, de determinar o sentido da vida e o mistério da existência.
Para ser direto, nós internalizamos a essência do primeiro pecado de Satanás, que não iria servir, apenas comandar, quem insistiu na liberdade última, a de agir como se fosse Deus. A liberdade de ser Deus, essa é a raiz de nossa insanidade! Nós exigimos ser nossas próprias autoridades porque demandamos a identidade de autores das nossas próprias existências e sentidos. Contudo, uma vez que podemos atuar como Deus, somos capazes de jogar qualquer jogo: a superioridade ariana, transhumanismo, transgenerismo, consumismo, sexismo, espiritualismo, materialismo, panteísmo, etc. Podemos cair em qualquer propaganda
“A verdadeira liberdade não é uma libertação da infelicidade, mas da deshumanidade, não somente do mal físico, mas do mal moral, não só do sofrimento, mas da maldade. A maior liberdade é a liberdade para atingir o fim e o propósito da nossa existência. Não um fim subjetivo, mas objetivo.” – Peter Kreeft
“O livre arbítrio é o fundamento para a responsabilidade moral, e a responsabilidade moral significa que nós não somos autônomos, mas estamos sob uma autoridade, a autoridade da Lei moral. O livre-arbítrio enxerga a liberdade como um meio, já a autonomia a enxerga como o fim. O livre-arbítrio entende a liberdade como um bem relativo, em relação ao Bem Maior, já a autonomia a percebe como o bem absoluto.” – Peter Kreeft
“O relativismo absoluto. Essa era a filosofia por trás de minha gloriosa rebelião original contra o Inimigo, quando me recusei a deixar que ele definisse a realidade, a verdade ou a bondade para mim. Eu sou quem sou; eu sou a medida de todas as coisas, do que é real, do que é verdadeiro e do que é bom, da origem, do sentido e do fim, da criação do ser, do projeto do ser e da apreciação do ser, do Pai, Filho e do Espírito Santo. Nós ensinamos essa filosofia a eles tão bem, que agora eles exigem não apenas autonomia, independência e autorrealização, mas até mesmo o direito de definir para si mesmos o significado do mistério da existência. “No coração da liberdade está o direito de cada um definir o seu próprio conceito de existência, de sentido, do universo e do mistério da vida humana”. – Isso equivale a dizer ao nosso Criador e Idealizador: “Mova-se, você está sentado no meu lugar”
Fala de um demônio (Do livro “Como vencer a guerra cultural” de Peter Kreeft)
Mussolini, afirma essencialmente o mesmíssimo relativismo moral e metafísico:
“Tudo o que eu disse e fiz nesses últimos anos é relativismo (…) se relativismo significa o desprezo por categoriais fixas e pelos homens que se dizem portadores de uma verdade objetiva e imortal, então não há nada mais relativista que atitudes e atividades fascistas (…) pelo fato de que todas as ideologias são iguais em valor, que todas são meras ficções, o relativista moderno infere que todos possuem o direito de criar para si mesmo sua própria ideologia e de tentar força-la aos outro com toda energia que puder’
CS LEWIS afirmou que o relativismo “certamente condenará as nossas almas e acabará com a nossa espécie.”
O relativismo ira trazer a condenação aos nossos espíritos porque a salvação requer o arrependimento, que por sua vez, demanda que se admita o pecado, o que necessita da existência de uma lei moral objetiva e real contra a qual se pecar, ou seja, valores objetivos.
O que chamamos de Juízo final é preliminar a isso: a separação das ovelhas e dos cabritos, dos salvos e dos malditos, dos que dizem a Deus “Seja feita a vossa vontade” e aqueles que dizem a Deus “Seja feita a tua vontade”. – Peter Kreeft
Os erros da maioria
“O certo é certo, mesmo que ninguém o faça. O errado é errado, mesmo que todos se enganem sobre ele” – Chesterton
Muitos sustentam a opinião de que a opinião da maioria da sociedade determina o que é justo e o que é injusto. Porém, quero lhe fazer uma pergunta: Se trinta sádicos se pussessem de acordo para torturar uma pessoa, esse número poderia tornar correta a ação? E se fosse a sociedade inteira que aprovasse tal ação? Se a tortura é má, não é porque a sociedade o diga, mas porque é má em si mesma. A opinião majoritária não converte certos atos em atos morais!
Os trechos abaixo são do livro “É razoável crer” de Alfonso Aguiló, em que o autor comenta sobre como o consenso da maioria não pode determinar o que é justo ou não-justo, o que é certo ou errado, pois já observamos ao longo da história diversas situações em que a opinião da maioria estava do lado do mal, da injustiça e do erro.
Por exemplo, o nacional socialismo de Hitler detinha o poder com um grande apoio da população, pois esta votou maciçamente num partido totalitário que oferecia uma visão de mundo tida na altura por plenamente satisfatória.
Os dirigentes nazistas foram condenados como autores de crimes contra a humanidade, porque se considerou evidente que existe uma lei moral universal a que todos os homens estão submetidos, independentemente do que possam dizer as leis do Estado ou de que a opinião pública a aprove ou desaprove.
Houveram juristas que, coerentes com o relativismo moral que sempre tinham defendido, argumentram que não se podia condenar aqueles potentados nazistas, já que não tinham transgredido as leis vigentes no país. Mas o seu protesto foi apenas mais uma prova da precariedade desse modo de pensar. Um ato seria bom simplesmente por ter sido ordenado ou permitido por uma lei? Se fosse o caso, não se poderia acusar de injusto nenhum regime político que violasse os direitos humanos.
Nenhum porcentagem de apoio social pode tornar bom o que de per si é perverso. Há coisas que são erradas, mesmo que sejam permitidas ou fomentadas pelo poder validamente estabelecido.
Quando o relativismo moral chega a impor-se, a dignidade humana corre um grave perigo. Os direitos básicos se relativizam a abre-se a porta para o totalitarismo.
Auschwitz revelou, entre outras coisas, a profunda depravação em que o homem pode submergir quando esquece de Deus e a lei que Ele estabeleceu. Muitos anos antes, certos setores da cultura europeia tinham tentado apagar a Deus do horizonte humano, e uma das suas consequências foi a aparição do paganismo nazista e do dogmatismo marxista, duas ideologias totalitárias que Hitler e Satlin pretenderam converter em religiões substitutivas. Foi assim que o desprezo de Deus levou ao desprezo da humanidade e da vida das pessoas.
“O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, depois da sua experiência pessoal em diversos campos de concentração, chegou a conclusão de que não foram os ministérios nazistas de Berlim os verdadeiros responsáveis por aquelas atrocidades, mas a filosofia niilista do século XIX. Se o homem é um simples produto de uma natureza mutável, um simples macaco evoluído, então, da mesma forma que o macaco pode ser enjaulado num zoológico, o homem pode ser encarcerado num campo de extermínio.”
Uma maioria que detém o poder e que ela própria estabelece os critérios do que é bom e o que é errado pode facilmente se tornar autoritaria e esmagar os direitos das minorias, o domínio do mais forte sobre o mais fraco.
A moral foi inventada?
Existem coisas que são intrinsecamente boas, como o direito a vida desde a concepção, a liberdade de cultos, o direito de expressão, o direito a boa fama, a inviolabilidade da família e outras mais, independentemente se que o Estado as imponha ou não, ou de que agradem ou não aos cidadãos. Da mesma forma, violá-las é intrinsecamente mau. Os homens não podem inventar as regras da moral, só podem descobrí-las. Não somos possuidores da verdade, é a verdade que nos possui.
A sociedade grega já reconhecia a existencia de leis naturais imutáveis.
Para fundamentar qualquer ética é necessário saber quem é o homem e quem é o seu Criador (Platão dizia que não podemos saber qual a conduta que nos faz bons se não sabemos quem somos).
Como vimos, se o fundamento da moral fosse a vontade dos povos, ou ainda as decisões dos seus chefes ou as sentenças dos seus juízes, então tudo o que se aprovasse legalmente se converteria num bem, mesmo que autorizasse a mentir, roubar e matar.
A lei moral deve surgir de alguma coisa impressa na natureza humana, a que chamamos lei natural. É uma lei que obriga todos os homens e que nem sempre coincide com os gostos do momento de cada governante, de cada sociedade e de cada pessoa.
A referência a Deus serve não somente para dar sustentação a ética, mas também para levar os homens a observa-la. Um homem de fé reconhece Deus como legislador e juíz.
Quando o ser humano se afasta de Deus voluntáriamente, ele se desvia até se converter na única instância que decide o que é bom e o que é mau, em função dos interesses próprios. Sem Deus, o homem quem decide o que é bom e mau.
Quem não tem consciência de pecado e não admite que haja ninguém superior a ele que julgue as suas ações está muito mais indefeso perante a tentação de erigir-se em juíz e definidor supremo do bem e do mal. Isso não significa que o homem de fé se comporte sempre retamente, nem que não se engane nunca, mas ao menos tem um ponto de referência claro para as suas ações; Está menos exposto a cair no logro de dizer a si próprio que o que é bom é o que lhe agrada e o que é ruim é aquilo que lhe desagrada.
Quando o homem transgride as exigências morais naturais, o principal prejudicado é ele mesmo, porque cedo ou tarde degrada, distancia-se do seu pleno desenvolvimento pessoal. Por isso, se nos esforçassemos mais por conhecer as verdadeiras consequências dos nosso atos, talvez mudassemos bastante o nosso modo de agir.
Aceitar a moral revelada é própria dos seres inteligentes
Se nos aproximamos com sede de uma fonte e nela encontramos um aviso que diz: “Agua não potável”, isso pode nos causar uma primeira reação de desagrado. Mas logo compreendemos que saciar a sede com essa água nos levaria a uma intoxicação, que esse aviso nos poupa. Quem colocou esse aviso não pretendia desgostar-nos, mas ajudar-nos, previnir-nos acerca de um mal que a primeira vista não se percebe. A lei moral funciona da mesma forma!
Como fazer bons julgamentos morais?
Aristóteles afirma que devemos ser bons a fim de emitir bons juízos morais, que devemos cultivar hábitos da moral e, assim, um caráter com moralidade, por repetidas escolhas corretas da vontade se quisermos ser moralmente sábios e discernir com o intelecto o bem e o mal moral adequadamente.
Os mandamentos, tanto revelados externamente a Moisés quanto internamente conhecidos pela consciência, são a resposta para como emitir julgamentos quanto ao que fazer e o que não fazer a fim de se atingir o bem moral.




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