
Para transcender o seu ego, você precisa conhecer a estrutura do seu ego, as formas como ele se manifesta em seu ser. Não adianta tentar vencer ou lutar contra contra seu ego, pois quando você tenta lutar contra algo, você está declarando que aquilo existe e dando mais energia a entidade. Tudo o que é necessario para transformarmos o ego é querer compreender-lo e observá-lo.
Como o Eckhart Tolle explica em seu livro “Um novo mundo: O despertar de uma nova consciência”:
Um ponto essencial do despertar é a identificação daquela parte em nós que ainda não se modificou, o ego da maneira como ele pensa, fala e age, assim como o reconhecimento do processo mental condicionado coletivamente que perpetua esse estado não desperto.
A menos que conheça o mecanismo básico por trás do funcionamento do ego, você não o detectará, e ele irá enganá-lo, impedindo que o reconheça todas as vezes que tentar. Isso mostra que ele o domina – é um impostor fingindo ser você.
Esse reconhecimento é em si uma das maneiras pelas quais acontece o despertar. Quando você descobre a inconsciência em si próprio, aquilo que torna o reconhecimento possível é o surgimento da consciência, é o despertar.
Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis.
Eckhart Tolle

Como dissolver o ego?
O que estou querendo dizer aqui é que muito do trabalho espiritual (de nos reapropriarmos de nosso verdadeiro eu) envolve trazermos consciência e reconhecermos (colocarmos luz) a tais padrões internos egoicos de pensamento, emoção, reação.
Comece a prestar atenção as suas dinâmicas emocionais internas: Investigue as seguintes perguntas:
- Quais são as historinhas que eu conto a mim mesmo, a respeito de quem eu sou, do mundo e das outras pessoas? Como eu estou percebendo as coisas? Eu realmente sei que tal pensamento é verdadeiro ou é uma mera suposição minha?
- Quais são as estruturas de crença que o fazem entrar em conflito e separação?
- Quais são esses mecanismos e situações que me fazem ser reativo? O que me faz perder o controle emocional?
- Quais são as motivação egoicas operantes em mim? Como eu estou usando pessoas, coisas e situações para preencher o meu sentimento de carência e falta?
- Eu ainda estou carregando sentimentos negativos a respeito do meu passado? Ainda existe ressentimentos, rancores e mágoas não resolvidas em mim? (OBS: sentimentos negativos são combustiveis para o ego, por isso temos que investigar se carregamos esses sentimentos dentro de nós e soltá-los)
- Como eu me desilumino?
Tudo se resume a autoobservação, em manter certa vigilância interna para que o ego não assuma o controle. O próprio processo de você parar de alimentar e dar energia ao ego, vai fazendo-o ficar mais fraco.
“Apenas olhe calmamente para o ego e veja a sua falsidade. A luz dissipa a escuridão pela sua mera Presença – essa é toda a mensagem”
David Hoffmeister

Os 3 tipos principais de ego
O problema é que muitas das vezes, as dinâmicas e motivações de nosso ego estão profundamente enraizadas em um nível subconsciente (que se encontra por baixo de nossa percepção consciente).
Ou seja, existem certos padrões e mecanismos que operam de forma subconsciente (escondidos e ocultos) que continuam perpetuando nosso sofrimento e alienação de nós mesmos, dificultando o reconhecimento de nosso eu menor (e enquanto tais mecanismos de sobrevivência não forem reconhecidos e expostos a luz de nossa consciência, eles continuarão nos controlando).
O monge Thomas Keating em seu livro “The Human Condition” conta a sua experiência de décadas como professor espiritual, e descobriu três padrões de ego principais que muitas pessoas tinham dificuldades de transcender.
Cada tipo de estrutura de ego determina as ansiedades, aversões, apegos e tais dinâmicas, muitas das vezes, operam de forma subconsciente e pelo fato de não termos essa consciência de nossas estruturas e dinâmicas egoicas internas, continuamos presos ao falso eu.
Cada um desses tipos de ego foi originado de uma FERIDA CENTRAL, numa FALTA percebida na infância (que nos impactou em um tempo crucial de nosso desenvolvimento).
Nesse momento em que fomos feridos, desenvolvemos um MEDO, uma AVERSÃO aquela dor inicial, e começamos a nos proteger de senti-la novamente, para nunca termos que entrar em contato com tal ferida.
O primeiro tipo de ego é o desejo, a necessidade por segurança, proteção. Uma versão extrema disso é o TOC, em que a pessoa tenta rearranjar sua vida de tal forma que nunca experiencie instabilidade novamente. Em versões mais aceitaveis são as ideologias que querem manter controle e estabilidade.
O segundo tipo de ego provém do desejo, a necessidade por afeto, reconhecimento, validação, feedback positivo, amor.
O terceiro tipo de ego provem do desejo por poder e controle. Tal ego pode ter se originado de uma ferida na infância que a pessoa se sentiu impotente, sem capacidade de mudar sua situação. Esse tipo de ego vai gravitar em torno do trabalho, da competitividade, de sempre querer ganhar e vencer os outros e se provar o melhor.
Comece a identificar as formas como você é governado por essas tendências de querer aprovação, querer controle e querer segurança. Simplesmente observe tais tendências. Em que áreas de sua vida, em que situações e em quais comportamentos você busca validação, controle e segurança? Em que situações você se sente deseprovado e quer aprovação? Em que situações você se sente sem controle e quer controlar? Em que situações você se sente inseguro e com medo e quer segurança?

Comece a entrar em contato com todos esses sentimentos de insegurança, falta e escassez e simplesmente observe-os, sem querer mudá-los ou modifica-los. A própria observação vai transformando essas tendências em você.




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