Em cada ser humano, há algo que não gosta de limites, que anseia por se tornar ilimitado. A natureza humana é tal que sempre ansiamos por ser algo mais do que somos agora. Não importa quanto consigamos, ainda queremos ser algo mais.
Se apenas olhassemos para isso de perto, perceberiamos que esse desejo não é por mais, esse desejo é por tudo. Todos buscamos nos tornar infinitos. Imagine que você está trancado em um cubículo de 1.5m. Por mais confortável que fosse, você desejaria estar livre dele.
No dia seguinte, se fosse solto em um cubículo maior de 3m, você se sentiria bem por um tempo, mas logo o mesmo anseio de romper esse limite voltaria. Não importa o quão grande seja o limite que estabelecemos; quando você se torna consciente dele, o desejo de rompê-lo é instintivo.
No Oriente esse anseio foi culturalmente reconhecido como o objetivo mais elevado de todas as atividades e todos os esforços humanos. A liberdade – ou mukti ou moksha – é vista como o anseio natural e o destino final de todo o ser humano.
É só por estarmos inconscientes disso que tentamos buscá-los por meio errados, pela aquisição de instrumentos materiais, relacionamentos, amor e conhecimento. O desejo do ser humano não é por uma coisa em particular, mas apenas por se expandir de forma ilimitada.
Somos a geração com mais conforto que já viveu nesse planeta. Como geração, hoje nosso processo de sobrevivência está mais bem organizado do que nunca. Você pode ir a um supermercado e comprar tudo de que precisa para o ano inteiro. Como também pode fazer isso sem sair de casa! Nunca antes na história da humanidade algo assim foi possível.
Coisas que nem mesmo a realeza não podia se dar o luxo de fazer há cem anos são acessíveis ao cidadão comum. O obstáculo é que definitivamente não somos a mais alegre, ou a mais amorosa, ou a mais pacífica. E por que isso ocorre?
Tentamos fazer o máximo para consertar mais o planeta – se consertarmos mais não haverá mais planeta. E mesmo assim não somos mais felizes do que nossos ancestrais a mil anos atrás. Se não está funcionando, não é a hora de ver o que está errado. Como podemos continuar a fazer algo que não funciona há mil anos.
Só para se sustentar, para se reproduzir, para criar uma família, e, depois, para um dia morrer – que desafio! É incrivel como os seres humanos lutam apenas para fazer o que todo verme, inseto, pássaro e animal faz sem nenhum esforço.
Nossa ecologia interna é uma bagunça e de alguma forma achamos que consertar as condições externas fará tudo ficar bem por dentro. Esses últimos cento e cinquenta anos são uma prova de que a ´tecnologia só nos traz conforto e conveniência, não bem estar.
A menos que façamos as coisas certas, as coisas certas não acontecerão conosco. Você pode tentar todos os tipos de bobagens para alterar o seu estado emocional, o seu bem estar, mas isso não dura: enquanto a sua vida interna for escravizada por situações externas, você permanecerá em uma situação precária.
Essa é a mudança fundamental na compreensão que precisa acontecer. Não procure uma saída para a miséria. Não procure uma saída para o sofrimento. Há apenas um caminho – e está dentro.
“A única saída está dentro” Se você se voltar para fora, a jornada é infinita, para dentro, é só um momento.
Para moldar as situações do jeito que quer, você deve primeiro saber quem você é. O cerne da questão é que você ainda não sabe quem é. Você não é a soma de tudo o que acumulou. Tudo o que você conhece como “eu” é só acumulo. Sua mente é um acumulo de impressões reunidas por meio dos 5 sentidos.
O que você acumula pode ser seu, mas nunca podera ser você. Então quem é você? Isso ainda está por vir em sua experiência. Ainda se encontra em um estado inconsciente. Você está tentando viver a sua vida pelo que reuniu e não pelo que você é.
Além disso, não está completamente consciente do que coletou. Você adquiriu certas tendência ao longo dos anos, baseando nas impressões que acumulou. Elas podem ser inteiramente transformadas.
Ser totalmente responsável é estar plenamente consciente. O que você considera o seu corpo é o que você reuniu por meio da ingestão. O que você considera a sua mente é o que você reuniu por meio dos 5 sentidos. O que está além disso, que você não reuniu, é quem você é. Estar vivo é estar consciente.
As dimensões físicas e psicológicas pertencem ao reino das polaridades – dor, prazer, masculino e feminino e assim por diante, se você tem um, o outro está fadado a seguir. Mas quando você entra na dimensão fundamental de quem você é, você está além de todas as polaridades.
Todo o esforço do processo espiritual é para romper os limite que você impôs para si mesmo e experimentar a imensidão que você é. O objetivo é se libertar da identidade limitada que você forjou, como resultado de sua própria ignorância e viver da forma como o Criador o fez, em total bem aventurança e infinitamente responsável.
Os yogas sutras de Patanjali, um dos mais profundo documentos sobre a ciência do Yoga começa com uma frase estranha: E agora, Yoga. Por que?
Porque você só alcança o yoga quando percebe que o seu desejo é essencialmente pelo ilimitado, que absolutamente nenhuma outra coisa o aquietara. Todo o ser humano vive em um perpétuo estado de insuficiencia.
Não importa quem você é ou o que realizou, você ainda quer um pouco mais do que tem agora. Esse é o desejo humano. Mas o anseio fundamental dentro de cada ser humano é por expansão ilimitada. A maioria das pessoas não está ciente da natureza de seu anseio.
Quando o anseio encontra expressão inconsciente chamamos de cobiça, conquista, ambição. Quando o anseio encontra expressão consciente chamamos de Yoga. Se você ainda acredita que tudo ficará bem quando encontrar uma nova namorada, namorado, conseguir um aumento de salário, comprar uma casa nova ou carro, então ainda não é hora para o yoga.
Depois de ter tentado essas coisas e claramente saber que nada disso será suficiente, então você está pronto. “E agora yoga.“




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