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	<title>Filosofia &#8211; Revolução Interior</title>
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	<description>Autoconhecimento e Expansão de Consciência</description>
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	<title>Filosofia &#8211; Revolução Interior</title>
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		<title>Reflexões Sobre a Tranquilidade da Alma (Sêneca)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Davi Klein]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jun 2021 20:50:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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					<description><![CDATA[O tratado moral escrito por Sêneca chamado &#8220;Da tranquilidade da alma&#8221; reflete a dificuldade que é para o homem comum e também para o sábio manter a sua serenidade perante o espetáculo da injustiça e da baixeza, do qual é testemunha todos os dias. No entanto, o sábio não pode desprezar os maus, porque, em [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">O tratado moral escrito por Sêneca chamado &#8220;Da tranquilidade da alma&#8221; reflete a dificuldade que é para o homem comum e também para o sábio <strong>manter a sua serenidade perante o espetáculo da injustiça e da baixeza, do qual é testemunha todos os dias</strong>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto,<strong> o sábio não pode desprezar os maus</strong>, porque, em todos os tempos, as condições morais são quase sempre as mesmas. <strong>Se o mal é uma necessidade da vida, à qual os homens não se podem subtrair, não se deve odiá-los e, sim, aprender a respeitá-los.</strong> </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;O sábio deve conservar-se afastado dos desejos sem limites e insaciáveis, procurar armar-se contra as desgraças, manter-se sereno mesmo perante as injustiças que observa ao seu redor.&#8221;</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Da tranquilidade da alma é um texto estruturado como um diálogo. Sereno, amigo do filósofo, dá início ao livro pedindo a ele que lhe faça esclarecimentos que minimizem sua angústia interior e o levem a um estado de tranquilidade da alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir daí, Sêneca vai, então, refletir sobre a maneira de contornar os obstáculos que impedem a paz.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sêneca ensina a importância da reflexão interior e do afastamento das emoções carregadas de vícios, ambições e ânsia por poder e por bens materiais. Segundo ele, apenas dessa maneira pode-se viver serenamente e de modo pleno, à procura pelo aprimoramento espiritual. Ou seja, dedicando-nos ao espírito, ao pensamento e à harmonia com a natureza, fonte de toda a vida</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo abaixo, separei algumas das principais partes desse tratado moral chamado &#8220;Da tranquilidade da alma&#8221; não deixe de conferir!</p>



<h2 class="wp-block-heading">Da tranquilidade da alma </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sêneca começa o diálogo com seu amigo, visando diminuir as angústias interiores que ele passava, da seguinte forma:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;O que tu queres, pois, é grande, de máxima importância e próximo de um deus:<strong> não ser abalado</strong>. Os gregos chamam a este estado estável da alma de eutymia, sobre tal tema existe uma excelente obra de Demócrito. Eu o chamo de <strong>tranquilidade.</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Portanto, investiguemos de que modo a alma deverá prosseguir sempre de modo igual e no mesmo ritmo. Ou seja, estar em paz consigo mesmo, e que essa alegria não se interrompa, mas permaneça em estado plácido, sem elevar-se, sem abater-se. A isso eu chamo <strong>tranquilidade</strong>. Investiguemos como alcançá-la. Isso feito, tu tomarás desse</em> <em>remédio universal a teu gosto.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Examinando tal mal-estar, cada um reconhece qual a parte dele é sua. Ao mesmo tempo, compreenderás quão pequeno é teu problema pessoal em relação ao de outros, presos a uma profissão brilhante ou a um título importante. Em tal situação, mais por vergonha do que por decisão própria, impera a simulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos eles estão na mesma situação, tanto os que estão envergonhados por sua própria leviandade – pelo tédio e pela contínua mudança de propósitos, aos quais agrada sempre mais o que foi abandonado – quanto aqueles que relaxam e passam a vida bocejando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acrescente também aqueles pouco dados a mudanças, não por obstinados, mas por inércia, já que vivem como não gostariam, mas como sempre o fizeram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São inumeráveis as propriedades do vício, mas o seu efeito é um só: o aborrecer-se consigo mesmo. Isto nasce do desequilíbrio da alma e dos desejos tímidos ou pouco prósperos, visto que não ousam tanto quanto desejam ou não o conseguem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os males se agravam quando, longe dessa incômoda angústia, obtém-se a paz na tranquilidade ou nos estudos solitários, os quais não pode suportar uma alma dedicada às coisas cívicas, desejosa de ação e, por natureza, inquieta. Ou seja, não encontra consolo em si mesma. Por isso, privado dos deleites que as mesmas ocupações proporcionam aos que as perseguem, não suporta a casa, a solidão e as paredes. Desgostoso, vê-se como um ser abandonado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por esse motivo, advêm tristeza, fraqueza e milhares de flutuações de uma mente tomada pela indecisão. Ela mantém em suspenso as esperanças suscitadas e se frustra na desolação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consequentemente, aquela disposição de detestar o seu próprio repouso e de se queixar por não ter nada para fazer, e também de invejar fortemente o sucesso do próximo. A inércia não desejada alimenta a inveja, ambiciona a ruína de todos, porque não conseguiu atingir o seu próprio êxito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Daí o empreender vagas peregrinações e o percorrer praias e mares desconhecidos, tanto na terra como no mar, sempre em busca de emoções, experimentando o que não tem no fastio da situação presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma coisa sucede a outra, e os espetáculos se transformam em outros espetáculos. Como disse Lucrécio: “<strong>Desse modo, cada um foge de si mesmo</strong>”. Mas em que isso é proveitoso, se, de fato, não se foge? <strong>Seguimos a nós mesmos e não conseguimos jamais nos desembaraçar de nossa própria companhia!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, devemos saber que o mal contra o qual trabalhamos não vem dos lugares, mas de nós mesmos; somos fracos para tolerar qualquer incômodo, não suportamos trabalhos, prazeres, desconfortos por muito tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso levou muitos à morte, porque, frequentemente mudando seus propósitos, voltavam sempre para o mesmo ponto de partida, não deixando espaço para as novidades. Assim, a vida começou a lhes entediar e também o próprio mundo, até que, sem perspectiva, ouça aquele clamor: “Até quando sempre as mesmas coisas?!”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Também existe lugar na vida privada para que uma alma grande possa se desenvolver amplamente</strong>, do mesmo modo que a fúria do leão e de outros animais não diminui em suas jaulas, assim também ocorre com os homens, cujas maiores ações são as que realiza no recolhimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois não apenas é proveitoso aos assuntos públicos quem promove candidatos, defende os réus e delibera sobre paz e guerra, mas também quem exorta a juventude; quem, com a falta de bons preceptores, infunde virtude às almas; quem prende ou retrai os que correm em direção do dinheiro e da luxúria e, se nada mais consegue, certamente os retarda e age, de modo particular, para o bem privado e público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por acaso serve melhor ao bem público o pretor que emite sentenças entre estrangeiros e cidadãos ou, se é pretor urbano, ao repassar as sentenças de seu assessor, estaria realizando tarefa mais importante que o filósofo que ensina o que vêm a ser justiça e dever, o que é piedade, paciência, fortaleza, desprezo pela morte, entendimento acerca dos deuses e, finalmente, como é seguro e gratificante estar com a consciência tranquila?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Portanto, se empregas em estudos o tempo que subtraíste dos deveres, não significa que faltaste com as tuas obrigações</strong>. Não é soldado apenas aquele que está no fronte de combate e defende ambos os lados, esquerdo e direito, mas também aquele que defende as portas e permanece em lugar de menor perigo, assim como não é em vão servir como vigia e guardar o armamento. Tais ocupações, embora não sejam sangrentas, também fazem parte dos serviços militares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se te recolhes aos estudos, fugirás de todo o fastio da vida. Não será porque te aborrece o dia que escolherás a noite, nem a presença de pessoas te será excessivamente pesada. Atrairás a amizade de muitos homens e também os melhores acorrerão a ti. Isso porque a virtude, ainda que esteja obscura, nunca se esconde, mas emite os seus sinais. Quem quer que seja digno dela captará os seus vestígios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca é inútil o trabalho de um bom cidadão. Ele sempre coopera seja pelo que ouve ou pelo que vê, seja pela fisionomia ou pelos gestos, seja pela tácita obstinação ou até pelo modo como caminha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal como certos medicamentos que, embora não sejam ingeridos ou tocados, agem pelo odor, assim também é a virtude, que difunde a sua utilidade à distância e de modo oculto. Ela ou se espalha livremente e usa do seu direito, ou tem precários meios de se expandir e é coagida a recolher suas velas, ou parada e muda se mantém estreitamente cercada ou ainda publicamente aberta, é de todo modo proveitosa. Por que tu pensas que é de pouca utilidade o exemplo daquele que, em recolhimento, vive bem?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o melhor é misturar o repouso com a ação, sempre que a vida ativa não trouxer impedimentos ocasionais ou por circunstâncias políticas. Em todo caso, nunca se fecham completamente todos os espaços de modo que não haja lugar a algum gesto de virtude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, devemos examinar a nós mesmos; em seguida, os negócios que vamos empreender; por fim, aqueles pelos quais e com os quais iremos trabalhar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de tudo, é necessário estimar a própria capacidade, pois, muitas vezes, parece que podemos suportar mais do que realmente podemos. Assim, um fracassa por sua confiança na eloquência; outro, porque exigiu do seu patrimônio mais do que podia; um terceiro, de saúde debilitada, ficou sobrecarregado pelo trabalho penoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A uns, a timidez é pouco adequada para os cargos públicos, que requerem a cabeça erguida; a outros, a inflexibilidade não os torna aptos para a vida social; outros, ainda, não têm controle sobre a sua ira, e qualquer indignação os faz lançar palavras agressivas; há aqueles também que não sabem se conter com civilidade nem se abster de gracejos perigosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para todos estes, é mais útil o recolhimento que os negócios públicos</strong>. <strong>Deves considerar, pois, se a tua natureza te torna mais apto para as ações ou para o estudo ocioso e contemplativo, e deves te inclinar ao que com força te atrai</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois, devemos examinar as obras que empreendemos e comparar as nossas forças com as coisas que vamos tentar fazer, pois sempre deve ser maior a força daquele que trabalha do que a da obra a ser realizada, visto que, obrigatoriamente, se as cargas forem maiores que o carregador, elas irão oprimi-lo com seu peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do mais, existem outras atividades que não são tão grandes nem fecundas, trazendo muitos outros afazeres. Devemos fugir delas, pois, uma vez que nos aproximamos, não existe uma saída fácil. Apenas se deve pôr a mão naquelas coisas que se sabe que têm fim, ou que se pode fazer, ou ainda as que certamente se pode esperar concluir. Deixemos de lado todas as atividades que vão além da medida e não terminam onde deveriam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve-se ter uma cuidadosa escolha dos homens, para sabermos quais são dignos de que lhes consagremos uma parte da nossa vida ou se é proveitoso que com eles percamos tempo, pois alguns nos imputam como dever aquilo que voluntariamente lhes concedemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada, pois, é mais proveitoso a uma alma do que uma amizade fiel e doce. Quão bom é encontrar corações preparados para guardar todo segredo. Tu temes menos a consciência deles que a tua própria. A conversa deles alivia a solidão. As sentenças deles se tornam conselhos. O seu gracejo dissipa a tristeza, a própria presença deleita!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto quanto for possível, devemos escolhê-los dentre os isentos de paixões desregradas, porque os vícios entram sutilmente e passam para quem está próximo e prejudicam pelo contato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, na escolha dos amigos, devemos ter trabalho de escolher os menos maculados. O início da doença resulta da mistura dos doentes com os sãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve-se evitar, no entanto, os tristes e aqueles que deploram todas as coisas, para os quais tudo é motivo de brigas, mesmo que eles demonstrem fidelidade e benevolência, pois é inimigo da tranquilidade o companheiro inquieto e que geme por tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aprendamos a nos apoiar em nossos próprios membros; moderemos o nosso comer e o nosso vestir não a modismos, mas ao que nos ensinaram os antepassados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aprendamos a cultivar o comedimento, a refrear a luxúria, a moderar a ânsia de glória, a suavizar a ira, a olhar com simpatia a pobreza, a cultivar a frugalidade; embora essas coisas envergonhem a muitos, empregando remédios mais simples para os desejos naturais. Aprendamos a eliminar os desejos licenciosos e a tensão em relação ao futuro. Devemos agir de modo que se possa pedir as riquezas a nós mesmos e não ao destino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até mesmo os gastos com os estudos, embora sejam os melhores gastos, só serão razoáveis se tiverem moderação. <strong>Para que inúmeros livros e bibliotecas dos quais o dono, durante uma vida inteira, lê apenas os índices? Uma infinidade de livros sobrecarrega, mas não instrui. Melhor ater-se a poucos autores do que errar por muitos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Considera que os prisioneiros apenas no princípio se afligem com as algemas e os grilhões que impedem seus passos. Porém, quando resolvem não mais se irritarem e se propõem a suportá-los, a necessidade lhes ensina a levá-los com fortaleza, e o costume, com facilidade. De fato, em qualquer gênero de vida, encontrarás distrações, compensações e deleites, desde que queiras avaliar como leves os teus males, em lugar de fazê-los insuportáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada qual, portanto, deve conformar-se à sua condição e, queixando-se dela o mínimo possível, apreender tudo o que ela tem de favorável. Não existe nada de tão amargo que não encontre consolo numa alma equilibrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aquele que teme a morte nunca fará nada com dignidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vista disso, não devemos trabalhar para coisas inúteis nem por motivos inúteis, isto é, não devemos desejar o que não podemos conseguir, ou, se o conseguimos, que não compreendamos muito tarde e com vergonha a inutilidade dos nossos desejos, ou seja, que o trabalho não seja indigno nem desagradável e sem efeito ou que o efeito do trabalho seja indigno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso diminuir as idas e vindas, às quais se entregam grande parte dos homens que perambulam por casas, teatros e mercados, intrometendo-se nos negócios alheios, como se estivessem sempre ocupados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se perguntas a alguém ao sair de casa: “Aonde vais? Qual o teu destino?” Ele te responderá: “Por Hércules, não sei! Mas verei algumas pessoas, farei alguma coisa!” Vagam sem propósito, buscando alguma ocupação. Não fazem o que tinham proposto, mas o que se apresenta naquele momento. O percurso deles é sem proveito, igual à formiga que sobe e desce pela árvore, indo até o ponto mais alto e descendo para a base do tronco sem nada produzir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos conduzem a sua vida de modo semelhante. Deles, não sem razão, alguém diria que são de uma inércia inquieta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, todo trabalho tem um objetivo, tem algo em vista. <strong>Não é uma atividade válida que move os inquietos, mas, como os loucos, são as falsas imagens das coisas que os movem</strong>, pois nem esses se movem sem alguma esperança. Por isso os prende a aparência de alguma coisa cuja inutilidade a mente decrépita não apreende.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que Demócrito professa tal doutrina quando diz: “<em>Quem quiser viver tranquilamente, não faça muitas coisas nem particulares nem públicas</em>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claro que se referia às <strong>coisas desnecessárias</strong>, pois, se são úteis, tanto privada quanto publicamente, não apenas muitas, mas inúmeras devem ser feitas. No entanto, quando nenhum dever obriga, devemos restringir nossas ações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que se prevê é que há sempre algo por vir que poderia criar obstáculos para a realização de nossos propósitos. Certamente o pesar causado por uma decepção é bem menor quando o sucesso não foi previsto com antecipação e plena segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devemos também ter flexibilidade e não nos entregarmos obstinadamente às nossas decisões de maneira que possamos transitar para aquilo que o acaso traz. Não temamos a mudança nos projetos e nas situações, de modo que a leviandade, inimigo vício da quietude, não nos surpreenda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Certamente, a obstinação perturba, pois frequentemente o destino lhe extorque algo. Por sua vez, a leviandade é muito mais grave, pois nunca se fixa em coisa nenhuma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dois defeitos perturbam a tranquilidade, porque, de um lado, opõem-se à mudança e, de outro, nada toleram.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Certamente a alma deve ser resguardada de todas as coisas externas. Confia em ti. Alegra-te contigo. Afasta-te o quanto podes das coisas alheias. Dedica-te a ti mesmo. Não te sensibilizes com prejuízos materiais. Enfim, procura interpretar com benevolência os fatos adversos</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então a alma penetra na escuridão, porque diante da falência das virtudes, das quais nada mais se espera, já que não as possui, só lhe resta penetrar nas trevas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, devemos nos esforçar para que todos os vícios nos pareçam não como odiosos, mas como ridículos, e imitar antes Demócrito que a Heráclito. Este sempre que se encontrava em público, chorava; aquele ria. Tudo o que fazemos, a um parecia misérias; a outro, idiotices.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Deve-se, pois, aceitar todas as coisas e suportá-las com bom humor. É mais adequado à natureza humana rir que lamentar a vida</strong>. <strong>Além do mais, serve melhor ao gênero humano quem dele ri do que quem o deplora.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aquele que ri tem alguma esperança, porém aquele que chora estupidamente não espera que possa se corrigir</strong>. Enfim, quem contempla o conjunto da realidade humana demonstra ter maior grandeza de alma ao não conter o riso do que quem não consegue reter as lágrimas. Simplesmente deixa-se levar por leve emoção, já que nada de grandioso, sério ou digno de lástima se faz presente nas falsas aparências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é bastante aceitar placidamente os costumes públicos e os vícios humanos sem cair no riso ou em lágrimas, porque se atormentar com os males alheios é uma eterna miséria e se deleitar com tais males é um prazer desumano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, é inútil chorar porque alguém enterra o seu filho ou ficar entristecido. Convém se conduzir de tal modo que, em teus próprios males, dês à dor o quanto a natureza pede, não o quanto os costumes cobram. De fato, muitos derramam lágrimas por simples ostentação, uma vez que mantêm olhos secos sempre que o espectador se vai, julgando ser torpe não fazê-lo quando todos o fazem. Tão profundamente se fixou este mal de estar dependente da opinião alheia que simula até uma coisa tão simples como a dor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também causa preocupação o fato de alguém tomar atitudes que não demonstram aos outros o que cada um é realmente. Assim, é a vida de muitos, falsa e pronta para a ostentação. De fato, o constante autocontrole atormenta tanto quanto o receio de ser pego num papel diverso daquele que está acostumado a representar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca nos livraremos dessa preocupação, já que cada olhar que examina é também questionador. De fato, ocorrem muitos incidentes que nos expõem contra a nossa vontade. Portanto, não é segura a vida daqueles que vivem sob uma máscara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto prazer tem a simplicidade sincera e autêntica, que nada esconde de seus costumes! No entanto, essa vida corre perigo de ser desprezada, se ela for exposta a todos. De fato, existem aqueles que se enfastiam do que veem muito de perto. Mas não existe perigo de que a virtude se torne vil ao se aproximar dos olhos, e é melhor ser incomodado pela simplicidade do que por uma perpétua dissimulação. Desse modo, sejamos moderados, pois há muita diferença entre viver com simplicidade e viver com negligência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faz-se necessário muito recolhimento para dentro de si próprio. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O contato com aqueles que são de outro nível atinge o nosso equilíbrio, renova paixões e excita debilidades latentes e tudo o que não esteja bem curado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Solidão e companhia devem ser mescladas e alternadas. Esta desperta o desejo de viver entre os homens, aquela, conosco mesmos. Portanto, uma é remédio para outra. A solidão irá curar a aversão da multidão, e a multidão, o tédio da solidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Igualmente, não se deve manter a mente fixa apenas num único objetivo, ela deve ser conduzida, por vezes, às distrações</strong>. Sócrates não se envergonhava de divertir-se jogando com os meninos. Catão relaxava o espírito com o vinho, quando se sentia cansado das preocupações da vida pública. Cipião exercitava seu corpo triunfante e militar através da dança. Não como agora costumam fazer, com trejeitos afeminados, mas como os antigos costumavam fazer, nos jogos e nas festas, dançando virilmente, sem serem, por isso, desconsiderados, mesmo que tenham sido vistos pelos seus inimigos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Deve-se dar à alma algum descanso. Repousando, ela se torna mais atilada para a ação.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como não se deve exigir demais dos campos férteis, porque uma fertilidade nunca interrompida os esgotaria, também o trabalho contínuo abate o ímpeto das almas, cujas forças se recuperariam com um pouco de descanso e de distração. Quando o esforço é demais, ele transmite à mente certo esgotamento e frouxidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Certos homens não tenderiam tanto para passatempos e jogos se disso não tirassem algum deleite. A frequência, no entanto, absorve do espírito toda a força. Também o sono é muito necessário ao descanso, porém, se for contínuo, levará à morte. Existe muita diferença entre o afrouxar e o desligar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os legisladores instituíram os dias festivos para coagirem publicamente os homens a se alegrarem, interpondo ao trabalho uma interrupção necessária. Portanto, como já disse, grandes homens se davam mensalmente alguns dias de férias. Outros, enfim, alternavam uma jornada de trabalho com outra de lazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembremos o grande orador Asínio Polião, que de nada se ocupava após as quatro horas da tarde. Ele não lia nem uma carta depois dessa hora, para que não surgissem novas preocupações. Assim, em duas horas repunha as energias gastas durante o dia. Alguns cessavam suas atividades ao meio-dia, reservando as horas da tarde para os trabalhos mais leves.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Convém ser condescendente com a alma e dar-lhe algum descanso que atue como um alimento restaurador</strong>. Os passeios devem ser feitos em lugares abertos, para que a alma se fortifique com o ar puro. Às vezes, um passeio, uma viagem com mudança de região. Isso proporciona energia renovada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Igualmente, uma refeição alegre e uma bebida mais abundante, podendo chegar à embriaguez, não para nos afogarmos, mas para nos divertirmos, porque dissolve as preocupações, comove até o íntimo da alma e cura não apenas a tristeza, mas também outras doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como para a liberdade, a moderação também é saudável em relação ao vinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas não se deve fazer referência a isso com frequência, para que o indivíduo não seja levado pelos maus costumes</strong>. De toda forma, é necessário, de vez em quando, afrouxar as rédeas, para interromper, de leve, a moderação e levá-la à exultação e à liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Demos crédito ao poeta grego: “De vez em quando é alegre enlouquecer”. E ainda Aristóteles: “Nunca existiu um grande gênio sem nenhuma mistura de loucura”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui estão, meu caro Sereno, os meios para conquistar a tranquilidade e a forma como podes recuperá-la, já que tens como resistir aos vícios quando aparecem subrepticiamente. Porém, e isso já deves saber, <strong>nenhum deles é suficientemente forte para conservar um bem tão frágil se não houver intenso e assíduo cuidado</strong>.&#8221;</p>
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		<title>Lições de Sêneca Para Uma Vida Feliz (Da Felicidade)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Davi Klein]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Jun 2021 19:25:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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					<description><![CDATA[Em &#8220;Da felicidade&#8221;, Sêneca convida-nos a vencer os reveses da sorte, deixando de lado os prazeres, não valorizando as riquezas e eliminando aquilo que nos traz infelicidade. Afirma que a felicidade se constrói através da razão, da retidão, da harmonia com o universo. O filósofo defende uma vida sem abusos para evitar as doenças do [&#8230;]]]></description>
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<div class="video_embed clearfix"><div class="video_embed clearfix"><iframe title="Da Felicidade: Lições de Sêneca para uma Vida Feliz" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/17D8YETuLCg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div></div>
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<p class="wp-block-paragraph">Em &#8220;Da felicidade&#8221;, Sêneca convida-nos a <strong>vencer os reveses da sorte, deixando de lado os prazeres, não valorizando as riquezas e eliminando aquilo que nos traz infelicidade. Afirma que a felicidade se constrói através da razão, da retidão, da harmonia com o universo. O filósofo defende uma vida sem abusos para evitar as doenças do corpo e da mente.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto é uma exortação de Sêneca ao seu irmão Galião e configura-se como uma apologia ao epicurismo. No tratado em questão, o filósofo aconselha o irmão a uma <strong>autonomia de pensamento, criticando a falta de opinião da maioria do povo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ele, é preciso pensar por si próprio, não se deixar conduzir, realizar o bem e não apenas aquilo que é frequentemente feito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tranquilidade e a liberdade são o resultado de uma vida separada dos prazeres, do poder, das riquezas, da ostentação, da luxúria, da gula e dos males em geral. <strong>Deve-se praticar a virtude em detrimento do vício para ser feliz</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do seu ponto de vista, a posse de bens materiais oferece ao sábio mais formas de praticar a sua filosofia que a pobreza. Assim, o que diferencia o filósofo não é a ausência de bens, <strong>mas sua tentativa em praticar a virtude e evitar o prazer, mesmo que não tenha sucesso nessa jornada</strong>.<strong> O que importa é sua relação com esses bens, seu desapego à fortuna, seu desejo de alcançar a sabedoria.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Separei aqui, algumas das principais parte do tratado moral de Sêneca &#8220;Da felicidade&#8221; e resumi em algumas das principais lições que podemos tirar dele:</p>



<h2 class="wp-block-heading">Da Felicidade</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Tenha uma visão e tenha a coragem de segui-la!</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os homens, caro Galião, querem viver felizes, mas, para descobrir o que torna a vida feliz, vai-se tentando, pois <strong>não é fácil alcançar a felicidade, uma vez que quanto mais a procuramos mais dela nos afastamos</strong>. Podemos nos enganar no caminho, tomar a direção errada; quanto maior a pressa, maior a distância.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Devemos determinar, por isso, em primeiro lugar, o que desejamos e, em seguida, por onde podemos avançar mais rapidamente nesse sentido</strong>. Dessa forma, veremos ao longo do percurso, sendo este o adequado, o quanto nos adiantamos cada dia e o quanto nos aproximamos de nosso objetivo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, se perambularmos daqui para lá sem seguir outro guia senão os rumores e os chamados discordantes que nos levam a vários lugares,<strong> nossa curta vida se consumirá em erros</strong>, ainda que trabalhemos dia e noite para melhorar o nosso espírito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devemos decidir, por conseguinte,<strong> para onde vamos nos dirigir e por onde</strong>, não sem a ajuda de algum homem sábio que haja explorado o caminho pelo qual avançamos, porque a situação aqui não é a mesma que em outras viagens; nestas há atalhos, e os habitantes a quem se pergunta o caminho não permitem que nos extraviemos. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Não siga a multidão, não copie os outros!</h3>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="700" height="350" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/06/Onde-quer-que-a-multidao-va-corra-na-outra-direcao.-Eles-estao-sempre-errados.-Por-seculos-estiveram-errados-e-sempre-estarao-errados-Charles-Bukowski.jpg" alt="" class="wp-image-2966" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/06/Onde-quer-que-a-multidao-va-corra-na-outra-direcao.-Eles-estao-sempre-errados.-Por-seculos-estiveram-errados-e-sempre-estarao-errados-Charles-Bukowski.jpg 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/06/Onde-quer-que-a-multidao-va-corra-na-outra-direcao.-Eles-estao-sempre-errados.-Por-seculos-estiveram-errados-e-sempre-estarao-errados-Charles-Bukowski-300x150.jpg 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto mais frequentado e mais conhecido que seja o trajeto, maior é o risco de ficar à deriva. Nada é mais importante, portanto, <strong>que não seguir como ovelhas o rebanho dos que nos precederam</strong>, indo assim não aonde querem que se vá, senão aonde se deseja ir.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E, certamente, nada é pior do que nos acomodarmos ao clamor da maioria, convencidos de que o melhor é aquilo a que todos se submetem, considerar bons os exemplos numerosos e não viver racionalmente, mas sim por imitação.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É prejudicial, portanto, apegar-se aos que estão à tua frente, ainda mais quando cada um prefere crer em lugar de julgar por si mesmo,<strong> deixando de emitir juízo próprio sobre a vida</strong>. Por isso, adota-se, quase sempre, a postura alheia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Morremos seguindo o exemplo dos demais. <strong>A saída é nos separarmos da massa e ficarmos a salvo.</strong></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="700" height="350" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/06/O-Homem-que-segue-a-multidao-provavelmente-nao-ira-alem-da-multidao.-O-homem-que-anda-sozinho-provavelmente-chegara-a-lugares-onde-ninguem-nunca-esteve.png" alt="" class="wp-image-2964" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/06/O-Homem-que-segue-a-multidao-provavelmente-nao-ira-alem-da-multidao.-O-homem-que-anda-sozinho-provavelmente-chegara-a-lugares-onde-ninguem-nunca-esteve.png 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/06/O-Homem-que-segue-a-multidao-provavelmente-nao-ira-alem-da-multidao.-O-homem-que-anda-sozinho-provavelmente-chegara-a-lugares-onde-ninguem-nunca-esteve-300x150.png 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se trata da felicidade, não é adequado que me respondas de acordo com o costume da separação dos votos: “A maioria está deste lado, então, do outro está a parte pior”. <strong>Em se tratando de assuntos humanos, não é bom que as coisas melhores agradem à maioria. A multidão é argumento negativo</strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em><strong>Busquemos o melhor, não o mais comum, aquilo que conceda uma felicidade eterna, não o que aprova o vulgo, péssimo intérprete da verdade.</strong></em>&#8220;</p><cite>Sêneca</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Chamo vulgo tanto àqueles que vestem a clâmide quanto aos que carregam coroas. Não olho a cor das roupas que adornam os corpos, não confio nos olhos para conhecer o homem. Tenho um instrumento melhor e mais confiável para discernir o verdadeiro do falso; o bem do espírito, o espírito o há de encontrar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Foque no que é bom para o espírito e não nas aparências!</h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Busquemos as coisas boas, não na aparência, mas sólidas e duradouras, mais belas no seu interior. Devemos descobri-las. Não estão longe, serão encontradas; apenas se precisa saber quando as encontramos. No entanto, passamos como cegos ao lado delas, tropeçando no que desejamos.&#8221;</em></p><cite>Sêneca</cite></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Esteja alinhado com a natureza</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, de acordo com todos os estoicos, eu sigo a natureza. A sabedoria reside em não se afastar dela e adequar-se à sua lei e ao seu exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A felicidade é, por isso, o que está coerente com a própria natureza</strong>, <strong>aquilo que não pode acontecer além de si</strong>. Em primeiro lugar, a mente deve estar sã e em plena posse de suas faculdades; em segundo lugar, ser forte e ardente, magnânima e paciente, adaptável às circunstâncias, cuidar sem angústia do seu corpo e daquilo que lhe pertence, atenta às outras coisas que servem para a vida, sem admirar-se de nada; usar os dons da fortuna, sem ser escrava deles.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Busque as virtudes ao invés dos prazeres</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Compreendes, ainda que não claramente, que disso advém uma constante tranquilidade e liberdade, <strong>uma vez afastadas as coisas que nos perturbam ou nos amedrontam</strong>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em lugar de prazeres e gozos mesquinhos e frágeis, até mesmo prejudiciais em sua desordem, que venha uma grande, inabalável e constante alegria e, ao mesmo tempo, a paz e a harmonia da alma, a generosidade com a doçura. <strong>Qualquer tipo de maldade é resultado de alguma deficiência</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“O bem supremo é uma alma que despreza as coisas fúteis e se satisfaz com a virtude&#8221;</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se ainda dizer que o homem feliz é aquele para quem não existe nem bem nem mal, apenas uma alma boa ou má; que pratica o bem, contenta-se com a virtude, não se deixa nem elevar nem abater pelo destino, não conhece bem maior do que o que pode dar a ele próprio, <strong>para quem o verdadeiro prazer será o desprezo dos prazeres.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Podes, se gostas de digressões, apresentar a mesma ideia com outras imagens sem alterar o seu significado. Nada nos impede, na verdade, de dizer que a <strong>felicidade consiste em uma alma livre, sem medo e constante, inacessível ao temor e à ganância, para quem o único bem é a dignidade e o único mal é a desonestidade</strong>, sendo todo o restante um aglomerado de coisas que não retiram ou acrescentam nada à felicidade da vida. Em síntese, fatos que vão e vêm sem aumentar ou reduzir o bem supremo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<strong>Ninguém pode ser feliz se não tiver a mente sadia, e, certamente, não a tem quem opta por aquilo que vai prejudicá-lo. É feliz, por isso, quem tem um julgamento correto. Feliz é aquele que, satisfeito com sua condição, desfruta dela. Feliz é quem entrega à razão a condução de toda a sua vida&#8221;</strong></p><cite>Sêneca</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Digo ainda que o prazer está ligado à vida mais infame, mas a virtude não aceita a desonestidade. Há indivíduos descontentes não por causa da falta de prazer, mas em decorrência do prazer em si, o que não aconteceria se o prazer estivesse ligado à virtude. A virtude frequentemente abre mão do prazer e dele não tem necessidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A virtude é algo de elevado, nobre, invencível e infatigável. O prazer é fraco, servil, frágil e efêmero, cuja sede e casa são bordéis e tabernas. Você encontrará a virtude no templo, no fórum, na cúria, vigiando nossas muralhas. Anda coberta de poeira, queimada de sol e com as mãos cobertas de calos. O prazer, por sua vez, quase sempre anda escondido em busca de trevas, perto das casas de banho, lugares longe dos edis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apresenta-se flácido, frouxo, cheirando a vinho e a perfume, pálido, quando não cheirando a formol e parecendo embalsamado como um cadáver.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O bem supremo é imortal, não desaparecerá e não está familiarizado com tédio ou arrependimento, pois uma alma correta não muda nunca, não se aborrece, não se altera, porque sempre seguiu o caminho certo</strong>. Ao contrário disso, o prazer quanto mais deleita, logo se extingue. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo limitado, fica logo satisfeito. Sujeito ao tédio, logo depois do primeiro ímpeto já se mostra fadigado. Não demonstra estabilidade porque é fugaz. Assim, não pode ter consistência aquilo que aparece e desaparece como um relâmpago, destinado a findar no mesmo instante em que se faz presente. Em verdade, o fim já está próximo quando começa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa que o prazer esteja presente tanto entre os bons quanto entre os maus e não deleite menos os malvados em suas torpezas do que os bons em suas ações honestas?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É por isso que os antigos recomendavam seguir a vida melhor e não a mais agradável, de modo que o prazer se torne um aliado e não o guia da vontade digna e honesta.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É a natureza quem deve nos guiar. A ela se dirige a razão em busca de conselho.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Que o homem não se deixe corromper nem dominar pelas coisas exteriores e somente olhe para si mesmo, que confie em seu espírito e esteja preparado para o que o destino lhe envie, isto é, que seja o próprio artífice de sua vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Portanto, podes declarar resolutamente que o supremo bem é a harmonia da alma, porque as virtudes devem estar onde estão a harmonia e a unidade; os vícios são aqueles que discordam.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mas tu mesmo”, dizes, “praticas a virtude porque esperas que te traga algum prazer.” Em primeiro lugar, se a virtude há de proporcionar prazer, então por isso mesmo é desejada. Não é porque ela proporciona tal satisfação que deve ser buscada e, sim, porque, sobretudo, daí advém algum prazer. <strong>O empenho em busca da virtude não ocorre em razão do prazer, mas em vista de outro objetivo, embora possa decorrer algum prazer dessa busca</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora em campo lavrado possam aparecer algumas flores, não foi por causa de tais plantas, ainda que proporcionem uma bela visão, que foi gasto tanto trabalho. A intenção do semeador era outra. O “a mais” é apenas um acréscimo eventual. <strong>Dessa forma, o prazer também não é o valor nem o motivo da virtude, mas, sim, um acessório</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O bem supremo reside no próprio julgamento e na estruturação de um espírito perfeito que, respeitando os seus limites, realiza-se plenamente de maneira a mais nada desejar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A virtude é o bem supremo e é inseparável da felicidade</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Enganas-te ao questionar acerca do motivo que me leva a desejar a virtude; procuras, então, buscar algo além do que consideras o máximo, dizes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Queres saber que vantagem tiro da virtude?<strong> Apenas ela mesma, ela é o maior prêmio.</strong> Isso te parece pouca coisa?<strong> Se digo: o bem supremo é a firmeza, a previsão, a agudeza, a liberdade, a harmonia e a dignidade de uma alma inquebrantável, poderias ainda imaginar algo de mais grandioso a que se referem todas essas coisas?</strong> Por que falar de prazer? Eu busco o bem do homem, não a barriga que em bestas e feras é maior.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Eu também não creio que alguém possa viver feliz sem que viva de modo virtuoso. Isso não vale para os animais nem para quem mede a felicidade apenas pela comida. Afirmo, claramente, que a vida que eu chamo agradável não deve ser outra senão a que esteja ligada à virtude.”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ninguém ignora que alguns homens pensam apenas nos prazeres, e que a alma sugere prazeres e gozos exuberantes. Em primeiro lugar, a insolência e a excessiva autoestima; o orgulho que despreza o outro; o amor cego pelas próprias coisas; a euforia por pequenos e fúteis pretextos; a maledicência com a soberba violenta; a inércia e a indolência que, cansada pelo acúmulo de prazeres, acaba dormindo sobre si mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A virtude rejeita tudo isso. Para todas essas coisas, faz-se surda. <strong>Ela avalia o prazer antes de aceitá-lo</strong>. Não o acolhe para simples deleite, ao contrário, fica feliz em poder fazer uso dele com moderação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O equilíbrio ao limitar o prazer é lesivo para o bem supremo.” Ao falares assim, estás privilegiando o prazer. Eu o controlo. Tu o desfrutas, eu apenas me sirvo dele. Tu acreditas que ele seja o bem supremo; para mim sequer é bem. Tu fazes tudo por prazer; eu, nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Penso que não é sensato chamar sábio a quem está escravizado por alguma coisa, ainda mais pela volúpia</strong>. De fato, se estiver totalmente sujeito àquilo, como poderia vencer o perigo, a pobreza em torno da vida humana? Como suportar a visão da morte e da dor; como enfrentar o estrépito do mundo amargo e de tantos inimigos violentos, quando se submete diante de um adversário tão débil?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também não levam em consideração o quanto era moderado o prazer segundo Epicuro, mas apegam-se apenas ao nome dele, esperando encontrar justificativa e apoio para uma vida devassa e corrupta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De fato, elogiam aquilo que os arruína enquanto se afundam em vícios. Por isso, sequer é possível corrigirem-se, uma vez que se aplica um título honroso para uma indolência vergonhosa. Esta é a razão por que este elogio do prazer é prejudicial: os preceitos virtuosos ficam escondidos; o que corrompe está manifesto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu próprio sou de opinião (afirmo isso apesar do que dizem nossos partidários) que os preceitos de Epicuro são nobres e corretos e, se analisados sob uma perspectiva mais acurada, até severos. <strong>Ele reduz o prazer a algo pequeno e mesquinho</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem se aproxima da virtude demonstra ter índole nobre. Ao contrário, quem segue o prazer demonstra ser fraco, degenerado, propenso ao vício mais sórdido, a não ser que haja quem o faça enxergar a diferença entre os prazeres e, dessa maneira, possa aprender quais deles são os que se encaixam nos limites da necessidade natural e quais os imoderados e insaciáveis, aqueles que quanto mais procurados mais se tornam exigentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Que a virtude tenha precedência, pois, assim, estaremos em segurança. O prazer excessivo prejudica; na virtude não há de se temer o excesso, porque ela mesma contém em si a medida adequada</strong>. Não poderia ser um bem o que padece por sua própria magnitude.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para os que foram privilegiados com uma natureza racional, o que poderia ser-lhes oferecido de melhor senão a própria razão? Se é desejável tal união, se se quer que a felicidade acompanhe, a virtude deve permanecer à frente, e o prazer deve acompanhá-la, mantendo-se tão perto como a sombra de um corpo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>No entanto, fazer da virtude escrava do prazer é coisa de uma alma incapaz de algo maior. Que a virtude seja quem leva o estandarte. Dos prazeres, devemos fazer uso moderado.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas vezes, os prazeres poderão nos levar a alguma concessão, mas não devem nunca nos impor nada. Mas aqueles que tenham se entregue ao comando do prazer enfrentarão duas dificuldades. Primeiro, perdem a virtude e não têm o prazer, pois por ele são dominados; ou se atormentam pela sua falta, ou se sufocam em sua abundância. Infeliz quem dele se afasta, mas muito mais quem por ele for soterrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este é o resultado do excesso de prazer e de amor cego a qualquer coisa. Aquele que prefere o mal ao bem se coloca em perigo caso alcance o seu objetivo. Cansado e não sem riscos, porta-se como se estivesse à caça de animais selvagens. Mesmo após a captura, deve portar-se cautelosamente, porque, frequentemente, costumam devorar seus donos. <strong>Dessa forma, os grandes prazeres acabam trazendo tragédias a quem os cultiva, deixando-os dominados por eles.</strong> Colocando-o frente a tudo o mais, o homem descuida, em primeiro lugar, da liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poderias contestar: “O que impede a união de virtude e prazer como uma única coisa e o estabelecimento do bem supremo de modo que seja ao mesmo tempo nobre e agradável?” <strong>Acontece que não pode haver uma parte do virtuoso que não seja algo virtuoso, e o bem supremo não terá sua nobreza se guardar algo distinto do íntegro.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nem mesmo a alegria que vem da virtude, embora seja um bem, é uma parte do bem absoluto. Assim são a alegria e a tranquilidade, ainda que se originem de boas causas. É certo que são coisas boas, mas não fazem parte do bem supremo. Dele são apenas consequência. Qualquer um que estabeleça uma aliança entre o prazer e a virtude, mesmo sem colocá-los em pé de igualdade, faz com que a fragilidade de um deles debilite o quanto haja de vigor no outro, e coloca sob jugo a liberdade que só é invencível se não conhece nada de mais precioso do que ela mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, não se propicia para a virtude uma sólida e permanente base, passa-se a restringi-la à condição de instabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como pode obedecer a deus e aceitar de bom grado tudo o que lhe ocorre, não queixar-se do destino e encontrar o lado positivo em qualquer evento, quando até o menor estímulo de prazer ou de dor o afeta? Quem se entrega aos prazeres não pode tornar-se defensor ou salvador da pátria nem protetor de seus amigos. Assim, deve-se colocar o bem supremo num lugar de onde nada possa de lá afastá-lo. A ele não deve ter acesso nem a dor, nem a esperança, nem o medo, nem qualquer outra coisa que possa ameaçá-lo. Só a virtude pode dele se aproximar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só a virtude pode lá chegar; passo a passo dominará o caminho, mantendo-se firme, suportando todos os imprevistos, sem resignação, mas com alegria, consciente de que as adversidades da vida fazem parte da lei da natureza.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Equanimidade: Aceite o que quer que te aconteça! </h3>



<p class="wp-block-paragraph">Terá sempre em mente o velho preceito: seguir a deus. <strong>Em vez disso, o que reclama, chora e geme é obrigado a fazer à força o que lhe é ordenado</strong>. Deixa-se arrastar, não caminha acompanhando os demais. É estupidez e falta de consciência da própria condição afligir-nos quando nos falta algo ou somos atingidos de forma mais violenta por adversidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mesma forma, ficar indignado com coisas que ocorrem tanto para os bons quanto para os maus, como doenças, luto, fraquezas e todos os demais infortúnios da vida humana.<strong> Devemos saber suportar com espírito forte tudo o que por lei universal nos é dado a enfrentar. É nossa obrigação suportar as condições da vida mortal e não nos perturbarmos com o que não está em nosso poder evitar. Nascemos em um reino onde obedecer a deus significa liberdade</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Conclusão</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para concluir, a verdadeira felicidade consiste na virtude</strong>. O que essa virtude te aconselha? Ela considera como bem apenas o que está unido à virtude e como mau o que tem ligação com a maldade. Mais ainda, manda que sejas inabalável, quer frente ao mal, quer junto ao bem, de forma a que possas imitar deus dentro dos limites de tua<br>própria capacidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que ganhas com isso? Privilégios dignos dos deuses. Não serás forçado a nada. Não terás necessidade de nada. Serás livre, seguro e imutável. Nada tentarás executar em vão. Tudo ocorrerá conforme o teu desejo. Nada será contrário aos teus desejos nem à tua vontade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Então”, perguntas, “basta a virtude para viver feliz?” “Se é perfeita e divina, por que então não é suficiente, ou melhor ainda, mais do que suficiente? O que faltaria àquilo que está além de qualquer desejo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual a diferença, então? A diferença reside em uns estarem algemados, outros decapitados e alguns estrangulados. Aquele que tenha atingido um plano superior, elevando-se ao máximo, leva algemas frouxas. Não se encontra ainda livre, mas já prevê a futura liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a natureza solicitar o meu espírito, ou minha razão ordenar que eu o libere, partirei dizendo que sempre cultivei a retidão de caráter e as melhores intenções, sem haver reduzido a liberdade de ninguém, muito menos a minha. Qualquer pessoa que pretenda, que queira, que se proponha a fazer isso estará trilhando a estrada que leva aos deuses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mesma forma, o sábio, não é considerado indigno ao ser agraciado pelo dom da fortuna. Não ama a riqueza, mas a aceita de bom grado. Permite que entre em sua casa, não a rejeita, desde que ela enseje oportunidades para a virtude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, não resta dúvida de que o homem sábio tem um campo mais vasto para desenvolver o seu espírito em meio à riqueza do que na pobreza. Na pobreza, a virtude consiste em não se deixar abater, não cair em desalento. Na riqueza, existe oportunidade para a temperança, a generosidade, o discernimento, a organização, a magnificência com total liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Volto a afirmar que as riquezas não são coisas boas em si mesmas. Se realmente fossem, elas nos tornariam bons. Não me é possível definir como algo bom em si aquilo que também faz parte da vida de maus indivíduos. Enfim, estou convicto de que riquezas são úteis e proporcionam grande conforto à vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo que o meu espírito seja atormentado por todos os lados com lutos, tristeza e contrariedades de qualquer tipo, de maneira que cada momento seja motivo de choro, nem por isso terei razão para reclamação. Mesmo sob tanta desgraça, não amaldiçoarei qualquer dia de minha vida. Tomei medidas para garantir que nenhum dia seja desastroso para mim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De um lado, deve-se frear o espírito para não escorregar; de outro, empurrá-lo e incentivá-lo vivamente. Por isso, na pobreza, vamos fazer uso de virtudes aptas à luta; na riqueza, daquelas mais cuidadosas, que controlam os movimentos e mantêm o equilíbrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualquer um pode tirar a riqueza do sábio, mas não lhe tiram os bens verdadeiros, porque ele vive feliz no presente e está despreocupado com o futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Olha a virtude com respeito; confia naqueles que, tendo-a seguido durante toda a vida, demonstram tratar-se de algo muito importante e que sempre ganha novas dimensões de grandeza</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não deixe de conferir os outros tratados de Sêneca &#8220;Da vida retirada&#8221; (CLIQUE AQUI) e &#8220;Da tranquilidade da alma&#8221; (CLIQUE AQUI). Abraços e muita paz pra você!</p>
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		<title>Como Ser Feliz: Carta Sobre a Felicidade (Epicuro)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Davi Klein]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 May 2021 03:21:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
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		<category><![CDATA[Frases para a Alma]]></category>
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					<description><![CDATA[A Carta sobre a felicidade, escrita por Epicuro, para além de sua significação intrínseca, não deixa de ser um documento decisivo para desfazer aquele equívoco que uma tradição apressada costuma associar a doutrina epicurista, quase sempre confundida com o gozo imoderado dos prazeres humanos, como se não se distinguissem do hedonismo puro e simples. Além [&#8230;]]]></description>
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<div class="video_embed clearfix"><div class="video_embed clearfix"><iframe title="Carta Sobre a Felicidade: Reflexões de Epicuro sobre a Felicidade" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/3I0II9GRfKY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div></div>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Carta sobre a felicidade, escrita por Epicuro, para além de sua significação intrínseca, não deixa de ser um documento decisivo para desfazer aquele equívoco que uma tradição apressada costuma associar a doutrina epicurista, quase sempre confundida com o gozo imoderado dos prazeres humanos, como se não se distinguissem do hedonismo puro e simples. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das explícitas menções ao contrário, que o próprio texto da carta não deixa de registrar, são inúmeros testemunhos fidedignos que atestaram que no &#8220;jardim de Epicuro&#8221; vicejava uma autêntica comunidade, onde mestres e discípulos viviam quase de maneira ascética. Nesse sentido, essa carta é útil para repor as coisas em seus devidos lugares.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A carta sobre a felicidade versa sobre a conduta humana, tendo em vista alcançar a tão almejada &#8220;saúde de espírito&#8221;.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicia-se esta carta por uma decidida exortação ao exercício da filosofia, considerada desde logo como uma<strong> disciplína cuja única meta é justamente tornar feliz o homem que a pratica, de tal modo que este deve cultivá-la durante todo o transcurso de sua existência</strong>, desde a mais tenra juventude até a idade mais avançada. Como ele diz em sua carta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Que ninguém hesite em se dedicar a filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho<strong> para alcançar a saúde de espírito</strong>. Quem afirma que a hora de dedicar-se a filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, <strong>é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz.</strong></em></p><p><em>Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; <strong>é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, ja que, estando essa presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la.</strong>&#8220;</em></p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O filósofo passa, então, a falar sobre os tópicos que considera essenciais para essa busca permanente da felicidade. Depois, ele fala sobre a morte &#8211; dizendo ser absolutamente necessário vencer esse medo da morte; ninguém deve temê-la, uma vez que não há nenhuma vantagem em viver para sempre &#8211; o que importa não é a duração, mas a qualidade de vida.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="700" height="400" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-Frases-VIrtude.jpg" alt="" class="wp-image-2607" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-Frases-VIrtude.jpg 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-Frases-VIrtude-300x171.jpg 300w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-Frases-VIrtude-322x185.jpg 322w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em seguida, ele fala sobre as varias modalidades de desejos, acompanhada pela necessidade impetuosa de controlá-los, tendo em mira tanto a saúde do corpo quanto a tranquilidade do espírito, o que, por outro lado, não deixa de ser uma boa definição do próprio prazer &#8211; tal como Epicuro o concebe</strong>. Ele diz o seguinte em sua carta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros para o bem estar corporal, outros, ainda, para a própria vida.<strong> E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda a escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que essa é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim, praticamos todas as nossas ações</strong>, para nos afastarmos da dor e do medo.</em></p><p><em>Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo, não tendo que ir em busca de algo que lhe falta,<strong> nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir</strong>.</em>&#8220;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O prazer, como bem principal e inato, não é algo que deva ser buscado a todo custo indiscriminadamente, já que as vezes pode resultar em dor. Do mesmo modo, uma dor nem sempre deve ser evitada, já que pode resultar em prazer. De qualquer maneira, recomenda-se uma postura comedida em relação aos prazeres.</strong> Ele diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Não são pois bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, <strong>mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda a escolha e toda rejeição</strong> e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta de espíritos.</em></p><p>&#8220;<em><strong>Embora o prazer seja o nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer</strong>: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. <strong>Portanto, todo o prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas.</strong></em></p><p><em>De todas essas coisas,<strong> a prudência é o princípio e o supremo bem</strong>, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade.<strong> Porque as virtudes estão intimamente ligadas a felicidade, e a felicidade é inseparável delas.</strong>&#8220;</em></p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esses são alguns pontos centrais sobre os quais Epicuro exorta Meneceu, garantindo que a prática correta de tais ensinamentos será capaz não só de levá-lo a mais completa felicidade, mas até mesmo a sentir-se como um deus imortal entre os homens mortais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis a seguir a carta sobre a felicidade que Epicuro escreveu a Meneceu, não deixe de ler!</p>



<h2 class="wp-block-heading">Carta sobre a felicidade a Meneceu</h2>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="400" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-felicidade-frase.jpg" alt="" class="wp-image-2609" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-felicidade-frase.jpg 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-felicidade-frase-300x171.jpg 300w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-felicidade-frase-322x185.jpg 322w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></figure></div>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Que ninguém hesite em se dedicar a filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho<strong> para alcançar a saúde de espírito</strong>. Quem afirma que a hora de dedicar-se a filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, <strong>é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. </strong></p><p>Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; <strong>é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, ja que, estando essa presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la.</strong></p><p>Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem elementos fundamentais para uma vida feliz. </p><p>Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado a sua bem aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade. </p><p>Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles fez a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria.</p><p>Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo o que seja diferente deles. </p><p><strong>Acostuma-te a ideia de que a morte, para nós não é nada, visto que todo o bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações</strong>. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo da imortalidade.</p><p><strong>Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver</strong>. É tolo, portanto, quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque lhe aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.</p><p>Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada para nós, justamente porque,<strong> quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos</strong>.</p><p><strong>A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui.</strong> E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como o descanso dos males da vida.</p><p>O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele viver não é um fardo e não viver não é um mal.</p><p>Assim como ele opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo <strong>ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.</strong></p><p>Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente viver e em honestamente morrer. Mas, pior ainda, é aquele que diz: bom seria não ter nascido mas, uma vez nascido, transpor o mais depressa possível as portas para Hades.</p><p>Se ele diz isso com plena convicção, por que não se vai desta vida? Pois é livre para fazê-lo, se for esse realmente seu desejo; mas se o disse por brincadeira, foi um frívolo em falar de coisas que brincadeira não admitem. Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais. </p><p>Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros para o bem estar corporal, outros, ainda, para a própria vida.<strong> E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda a escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que essa é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim, praticamos todas as nossas ações</strong>, para nos afastarmos da dor e do medo.</p><p>Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo, não tendo que ir em busca de algo que lhe falta,<strong> nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só  sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir</strong>.</p><p>É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção prazer e dor.</p><p><strong>Embora o prazer seja o nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer</strong>: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. <strong>Portanto, todo o prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas.</strong></p><p>Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem.</p><p><strong>Consideramos ainda a autossuficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito</strong>, <strong>honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela</strong>; tudo o que é natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.</p><p>Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.</p><p>Habituar-se as coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temor as vicissitudes da sorte.</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Quando, então, dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbação da alma</strong></p></blockquote>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="375" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-frases-prazer.jpg" alt="" class="wp-image-2613" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-frases-prazer.jpg 500w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2021/05/Epicuro-frases-prazer-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></figure></div>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Não são pois bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, <strong>mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda a escolha e toda rejeição</strong> e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta de espíritos.</p><p>De todas essas coisas,<strong> a prudência é o princípio e o supremo bem</strong>, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade.<strong> Porque as virtudes estão intimamente ligadas a felicidade, e a felicidade é inseparável delas.</strong></p><p>Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimento leves? </p><p>Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanham a censura e o louvor?</p><p>Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do destino dos naturalistas: o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos deuses através das homenagens que lhes prestamos, ao passo que o destino é uma necessidade inexorável. </p><p>Entendendo que a sorte não é uma divindade. como a maioria das pessoas acredita (pois um deus não faz nada ao acaso), nem algo incerto, o sábio não crê que ela proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um mal projeto.</p><p>Medita, pois, todas essas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.&#8221;</p><cite>Epicuro</cite></blockquote>
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			</item>
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		<title>Sobre a Brevidade da Vida (Sêneca)</title>
		<link>https://revolucaointerior.com/2021/05/02/sobre-a-brevidade-da-vida-seneca/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Davi Klein]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 May 2021 17:23:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Frases para a Alma]]></category>
		<category><![CDATA[Livros Fodas]]></category>
		<category><![CDATA[Sêneca estoicismo]]></category>
		<category><![CDATA[Sêneca frases]]></category>
		<category><![CDATA[Sobre a brevidade da vida]]></category>
		<category><![CDATA[Sobre a brevidade da vida Sêneca]]></category>
		<category><![CDATA[Tempo Sêneca]]></category>
		<category><![CDATA[vida breve]]></category>
		<category><![CDATA[vida curta]]></category>
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					<description><![CDATA[O livro &#8220;Sobre a Brevidade da Vida&#8221; de Sêneca traz reflexões acerca da principal reclamação dos seres humanos: que a vida ser muito curta. Dizemos que a vida é muito curta, que a natureza é cruel conosco, que temos pouco tempo de vida. Mas na verdade, o que Sêneca nos mostra é que a vida [&#8230;]]]></description>
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<div class="video_embed clearfix"><div class="video_embed clearfix"><iframe title="Sobre a Brevidade da Vida (Sêneca): Pare de Gastar Sua Vida!" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/f9BM4BzMjPE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div></div>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O livro &#8220;Sobre a Brevidade da Vida&#8221; de Sêneca traz reflexões acerca da principal reclamação dos seres humanos: que a vida ser muito curta. Dizemos que a vida é muito curta, que a natureza é cruel conosco, que temos pouco tempo de vida. Mas na verdade, o que Sêneca nos mostra é que<strong> a vida é longa o bastante</strong> e que não é tanto o fato de que tenhamos pouco tempo a viver e sim que <strong>fazemos nossa vida ser curta ao gastarmos grande parte dela.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malignidade da natureza, porque somos gerados para uma curta existência, porque esse espaço de tempo que nos é dado transcorre tão veloz, tão rápido, que, com exceção de bem poucos, os demais a vida os deixa exatamente nos preparativos para a vida.</em></p><p><em><strong>Não dispomos de pouco tempo, mas desperdiçamos muito</strong>. <strong>A vida é longa o bastante e nos foi generosamente concedida para a execução de ações as mais importantes, caso toda ela seja bem aplicada. Porém, quando se dilui no luxo e na preguiça, quando não é despendida em nada de bom, somente então, compelidos pela necessidade derradeira, aquela que não havíamos percebido passar, sentimos que já passou.</strong></em></p><p><em><strong>É assim que acontece: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos; dela não somos carentes, mas pródigos.</strong> Tal como amplos e magníficos recursos, quando vêm para um mau detentor, são dissipados num instante, ao passo que, por mais modestos que sejam, se entregues a um bom guardião, crescem pelo uso que se faz deles, assim também a nossa existência é bastante extensa para quem dela bem dispõe</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Você não deve achar que um homem viveu bastante pelo fato dele ter cabelo branco e rugas, ele não viveu muito somente existiu por muito tempo.&#8221;</p><cite>Senêca</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nós vivemos apenas uma pequena parte de nossas vidas. Quanto de seu tempo foi consumido por outras pessoas ou por obrigações sociais? Você deu a sua vida a obrigações sociais apenas? O quanto você perdeu por tristeza infundada? Alegrias breves? Ganância insaciável? Seduções da sociedade? </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós vamos de um prazer ao outro e não conseguimos permanecer firmes em um desejo. Sêneca diz:</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Perdemos o dia esperando pela noite, e perdemos a noite pelo medo do amanhecer, não importa a quantidade de tempo que nos seja dada se não há nenhum lugar que ele possa se estabelecer&#8221;</p></blockquote></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://revolucaointerior.com/2022/04/18/revolucao-interior-um-guia-para-a-cura-e-maestria-emocional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="360" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png" rel="gallery" class="fancybox"  alt="" class="wp-image-6342" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1-300x154.png 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">E pelo fato de estarmos tão ocupados, isso faz com que <strong>nunca olhemos o nosso passado</strong>, pois se fizéssemos isso, não seria nada agradável se relembrar das atividades das quais somos envergonhados por termos gastado tanto tempo. Por conta disso, só seguimos sempre em frente e não aprendemos lições passadas. Sêneca diz:</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Viver a vida é a atividade menos importante do homem ocupado&#8221; </p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Outra forma de gastar a vida é deixar as coisas para depois &#8211; uma coisa que todos nós tendemos a fazer. Negamos a nós mesmos o presente, esperando a salvação no futuro, o &#8220;futuro promissor&#8221;. Por conta disso, passamos a odiar o Agora e perdemos o contato com a vida, que só está disponível e ocorrendo nesse exato momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, algumas perguntas que você pode começar a se fazer, para saber se realmente está vivendo sua vida, ou se está deixando de viver, são as seguintes:</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Você vive em expectativas?</strong></li><li><strong>Qual é sua relação com o momento presente? Você é amigo do momento presente?</strong></li><li><strong>Você deixa coisas para depois?</strong></li><li><strong>Você faz coisas que realmente gosta?</strong></li><li><strong>Você retira tempo para si mesmo? Ou dá de graça o seu recurso mais importante para qualquer um, gastando-o futilmente?</strong></li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">É muito importante que você comece a refletir sobre esses pontos, pois a pior coisa que pode nos acontecer é chegarmos no fim da nossa vida e percebermos que não aproveitamos a dádiva que nos foi dada &#8211; que é a nossa vida, que somente existimos, que somente adiamos a nossa vida, que somente a desperdiçamos com futilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vou deixar aqui embaixo as principais passagens impactantes desse livro, para te auxiliar nessa reflexão!</p>



<h2 class="wp-block-heading">Frases Sêneca Sobre a Brevidade da Vida</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malignidade da natureza, porque somos gerados para uma curta existência, porque esse espaço de tempo que nos é dado transcorre tão veloz, tão rápido, que, com exceção de bem poucos, os demais a vida os deixa exatamente nos preparativos para a vida.</em></p><p><em><strong>Não dispomos de pouco tempo, mas desperdiçamos muito</strong>. <strong>A vida é longa o bastante e nos foi generosamente concedida para a execução de ações as mais importantes, caso toda ela seja bem aplicada. Porém, quando se dilui no luxo e na preguiça, quando não é despendida em nada de bom, somente então, compelidos pela necessidade derradeira, aquela que não havíamos percebido passar, sentimos que já passou.</strong></em></p><p><em><strong>É assim que acontece: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos; dela não somos carentes, mas pródigos.</strong> Tal como amplos e magníficos recursos, quando vêm para um mau detentor, são dissipados num instante, ao passo que, por mais modestos que sejam, se entregues a um bom guardião, crescem pelo uso que se faz deles, assim também a nossa existência é bastante extensa para quem dela bem dispõe</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Por que nos queixamos da natureza? Ela se revelou benigna:<strong> a vida será longa se souberes utilizá-la</strong>. No entanto, um é dominado por uma avareza insaciável, outro, por um empenho laborioso em tarefas inúteis um vive impregnado de vinho, outro se entorpece na preguiça; este se vê esgotado por uma ambição sempre dependente de julgamentos alheios; aquele, um desejo irrefreável de comerciar o conduz por todas as terra e todos os mares na esperança de lucro; a cobiça de feitos militares atormenta alguns, sempre empenhados em levar perigo a outros ou inquietos pelo próprio. </em></p><p><em>Há os que, por voluntária servidão, se consomem na veneração ingrata de seus superiores. Muitos se detiveram na busca da sorte alheia ou na lamentação da sua; a grande maioria, que nada persegue ao certo, foi lançada a novos projetos por sua frivolidade volúvel, inconstante e descontente consigo mesma; a alguns não agrada nenhuma meta para a qual possam direcionar seu percurso, mas o destino os surpreende entorpecidos e bocejantes, de tal modo que eu não duvidaria ser verdadeiro o que no maior dos poetas vem afirmado à maneira de um oráculo: <strong>&#8220;É diminuta a parte da vida que vivemos&#8221;. </strong></em></p><p><em>Realmente, todo o período restante não é vida, e sim tempo. Por todo lado suas imperfeições os encalçam e circundam e não permitem que se reergam ou que levantem os olhos para discernir a verdade, <strong>mas os retêm submersos e fixados nos desejos. Nunca lhes é possível voltar-se para si mesmos. Se alguma vez lhes advém casualmente algum repouso, agitam-se, tal como em alto-mar, onde mesmo depois dos ventos subsiste a turbulência, e jamais se veem desocupados de seus desejos&#8221;</strong></em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;É possível que todos os talentos que alguma vez brilharam nisto concordem unânimes: nunca ficarão estupefatos o bastante diante dessa turvação das mentes humanas. Não toleram que suas propriedades sejam ocupadas por ninguém e, se há uma pequena disputa sobre a medida de seus limites, recorrem a pedras e armas; <strong>já em suas vidas consentem que outros se instalem, e até mesmo introduzem eles próprios os que vão ser os possessores dela.</strong> </em></p><p><em>Não se encontra ninguém que queira repartir seu dinheiro; <strong>já sua vida, quanto cada um a distribui entre muitos!</strong> São mesquinhos na retenção do patrimônio; <strong>mas, tão logo se trate de gastar tempo, são extremamente pródigos com a única coisa em relação à qual a avareza é honrosa</strong>. </em></p><p><em>Eu gostaria de abordar uma pessoa dentre as mais idosas da seguinte maneira: &#8220;Vemos que tu chegaste a um estágio avançado da vida humana, pesam-te nas costas cem anos ou mais. Vamos, faz o cômputo de tua existência: calcula quanto desse tempo um credor, quanto uma amante, quanto um rei, quanto um cliente te subtraiu, quanto uma desavença conjugal, quanto o castigo dos escravos, quanto o obrigatório ir e vir pela cidade; acrescenta as doenças que nos causamos por nós mesmos, acrescenta também o tempo que se perdeu sem uso: verás que tu tens bem menos anos do que enumeras. </em></p><p><strong><em>Repassa na memória, sempre que estiveste seguro de uma decisão tua, quão poucos dias decorreram tal como havias planejado, em que momento estiveste disponível para ti, quando tua face manteve expressão normal, quando tua alma se manteve impassível, que obra realizaste em uma vida tão longa, quantas pessoas saquearam tua vida sem que tu percebesses o que perdias, quanto te subtraiu uma tristeza inútil, uma alegria tola, uma cupidez voraz, uma conversa fútil, quão pouco te foi deixado do que era teu. Compreenderás que estavas morrendo prematuramente</em></strong>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Qual é então a causa disso? <strong>Viveis como se sempre havereis de viver, nunca vos ocorreu vossa fragilidade, não observais quanto tempo já transcorreu</strong>.<strong> Desperdiçais como se de uma fonte plena e abundante, quando, nesse ínterim, exatamente aquele dia que é doado a uma pessoa ou a uma tarefa talvez seja o último</strong>.</em></p><p><em><strong>Tendes medo de tudo como mortais, desejais tudo como imortais.</strong> Tu vais ouvir muitos dizendo assim: &#8220;A partir dos cinquenta anos vou me retirar, aos sessenta me liberarei de minhas obrigações&#8221;. E quem tomas como fiador de uma vida tão longa? Quem irá aceitar que as coisas se passem tal como dispões?<strong> </strong></em></p><p><strong><em>Não te envergonha reservar para ti essas sobras de vida e destinar ao aprimoramento da alma apenas esse tempo que não poderias empregar em mais nada? Quanto é tardio começar a viver só quando é hora de terminar! Que estúpido esquecimento da condição mortal adiar para os cinquenta e os sessenta anos as decisões sensatas, e então querer começar a vida num ponto até o qual poucos chegaram!</em></strong>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;<strong>Ora, à frente de todos coloco aqueles que não têm tempo para nada, exceto para o vinho e os prazeres, pois ninguém tem ocupação mais torpe</strong>. Outros, mesmo quando dominados por uma imagem vã de glória, ao menos se equivocam faustosamente. Ainda que me enumeres homens avarentos ou iracundos, ou os que se obstinam em ódios injustos ou em guerras, todos esses erram com bastante virilidade: é desonrosa a degradação dos que se devotam ao ventre e aos prazeres.&#8221;</em></p><p><em><strong>Acredita-me, é próprio de um grande homem, daquele que está acima dos erros humanos, não permitir que tomem nada de seu tempo, e é por isto que a vida dele é muito longa: porque todo o tempo que lhe esteve disponível foi inteiramente reservado para si</strong>.</em></p><p><strong><em>Dele nada ficou sem uso e ocioso, nada esteve na dependência de outra pessoa, pois ele não encontrou nada que fosse digno de permutar por seu tempo, sendo dele um guardião bastante parcimonioso. Assim, o tempo foi para ele suficiente, mas é forçoso que tenha faltado para aqueles de cuja vida muito foi levado por uma multidão</em></strong>.&#8221;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Repito, faz um balanço e confere os dias de tua vida: verás que te sobraram bem poucos e residuais. Há quem, depois de obter a magistratura que cobiçara, anseia por deixá-la, logo dizendo: &#8220;Quando é que vai acabar este ano?&#8221;. Outro patrocina os espetáculo públicos, que ele muito apreciou lhe terem sido sorteados, e então indaga: &#8220;Quando me livra rei disso?&#8221;. </em></p><p><em>Aquele outro é um advogado disputado por todo o foro, e o faz lotar com grande multidão, para além de onde pode ser escutado: &#8220;Quando&#8221;, diz ele, &#8220;é que virá o período de recesso?&#8221;. <strong>Cada um apressa sua vida e sofre a ânsia do futuro e o tédio do presente</strong>. <strong>Mas aquele que emprega todo tempo em seu proveito, que dispõe cada dia como se fosse o último, nem anseia pelo dia seguinte nem o teme.</strong> </em></p><p><em>De fato, que novo deleite já lhe poderia trazer uma hora qualquer? Tudo lhe é conhecido, tudo foi por ele experimentado até a saciedade. Do restante a fortuna disponha como quiser: a vida dele já está em segurança. É possível acrescentar-lhe algo, mas nada subtrair, e acrescentar-lhe, assim como a quem já está saciado e cheio, um alimento que ele pega sem desejar. </em></p><p><em><strong>Então, não há motivo para pensares que alguém longamente só por causa dos cabelos brancos ou das rugas: ele não viveu longo tempo, mas existiu longo tempo</strong>. É como se pensasses que navegou muito quem uma terrível tempestade surpreendera na saída do porto, impelindo-o para um lado e outro sob ventos furiosos de diversas direções, e fazendo-o deslocar-se em círculo pelos mesmos lugares. Ele não navegou muito, mas foi muito fustigado.&#8221;</em></p></blockquote>


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<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://revolucaointerior.com/2022/04/18/revolucao-interior-um-guia-para-a-cura-e-maestria-emocional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="360" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png" rel="gallery" class="fancybox"  alt="" class="wp-image-6342" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1-300x154.png 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></figure>
</div>


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Fico sempre admirado quando vejo alguns solicitarem o tempo de outros e estes, aos quais se solicitou, o concederem muito facilmente. Ambos levam em conta aquilo para o que se solicitou tempo, mas nenhum do dois o próprio tempo: é como se fosse nada o que se solicita, nada o que se concede. </em></p><p><em>Joga-se com a coisa mais preciosa que existe. Engana-os, porém, o fato de tratar-se de algo incorpóreo, o fato de não ser aparente aos olhos, sendo- -lhe por isso atribuído muito pouco valor, ou mesmo valor quase nulo. As pessoas recebem com muito prazer pensões e auxílios, e nisso colocam seu empenho, atenção ou cuidados; ninguém valoriza o tempo. Usam-no com toda displicência, como se nada valesse. </em></p><p><em>Mas verás essas mesmas pessoas, quando doentes, cocar os joelhos dos médicos se delas tiver se aproximado um risco iminente de morte, ou dispostas a despender todo seu patrimônio para preservar sua vida se temem uma pena capital, tamanha é a discrepância de seus estados psíquicos. </em></p><p><em>Mas, se fosse possível expor a cada um, do mesmo modo que a sorna de seus anos passados, igualmente a de seus anos futuros, como ficariam  alarmados de ver que lhes teriam restado poucos! Como os poupariam! Ora, é fácil gerir aquilo que, apesar de exíguo, é certo; com mais cuidado se deve conservar o que não se sabe quando irá faltar.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Porém, não há razão para pensar que eles ignoram quão precioso é o tempo: costumam dizer àqueles que mais amam que estariam dispostos a lhes dar uma parte de seus anos. Eles dão sem o perceber; dão, contudo, de modo que subtraem de si sem haver incremento para aqueles. Mas o próprio fato dessa subtração ignoram; por isso lhes é tolerável o dano de um prejuízo inaparente. </em></p><p><em><strong>Ninguém vai restituir os teus anos, ninguém vai devolver-te de novo a ti mesmo. A vida segue a trajetória que iniciou e não retrocede ou detém seu curso. Não fará tumulto nem advertirá sobre sua velocidade: deslizará em silêncio. Ela não se prolongará por ordem de um rei, nem pelo favor do povo; transcorrerá do modo como foi determinada desde seu primeiro dia, não sofrerá nenhum desvio, nenhum retardo. </strong></em></p><p><em>O que irá acontecer? Tu estás ocupado, a vida se apressa; nesse ínterim, a morre irá chegar, para a qual, querendo ou não, terás de ter tempo.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Pode haver algo mais insensato do que o pensamento de algumas pessoas? Digo aquelas que se jactam de sua prudência. Estão empenhadamente ocupadas para que possam viver melhor; planificam sua vida com dispêndio de vida. Dispõem seus planos num longo prazo. </em></p><p><em><strong>Ora, mas a maior perda de vida é a protelação: esta nos arranca um dia após o outro, rouba-nos o presente enquanto promete o futuro. O maior obstáculo à vida é a expectativa, que fica na dependência do amanhã e perde o momento presente</strong>. </em></p><p><em>Tu dispões o que está nas mãos da Fortuna, deixas de lado o que está nas tuas. Para onde olhas? Para onde te projetas? Tudo o que há de vir repousa na incerteza.  Vive de imediato! Proclama-nos o maior dos poetas, cantando esta fórmula salutar, como que inspirado por lábios divinos: Para os tristes mortais, os melhores dias da vida são sempre os que fogem primeiro. (Virgílio, Ceórgicas 111, 66-7) </em></p><p><em>&#8220;Por que tardas?&#8221;, diz ele. &#8220;Por que ficas parado? Se não o utilizas, ele escapa.&#8221; E, mesmo que o utilizes, ele escapará. Assim, deve-se velozmente lutar contra a rapidez do tempo disponível para nós, e como que logo beber de urna rápida torrente que não há de fluir para sempre. Isso também diz o poeta à perfeição para censurar uma indecisão infinita, pois diz não &#8220;as melhores épocas&#8221;, e sim &#8220;os melhores dias&#8221;. </em></p><p><em>Por que é que, seguro e indolente, em meio a tão intensa fuga do tempo, estendes em uma longa série os teus meses e a nos, do modo que bem pareceu à tua avidez? Ele te fala do dia, e exatamente deste que está em fuga. Há então alguma dúvida de que os melhores dias são os primeiros a fugir para os tristes mortais, isto é, para os ocupados? </em></p><p><em><strong>Seus espíritos ainda pueris são oprimidos pela velhice, à qual eles chegam desavisados e indefesos. De nada se precaveram: caíram nela de súbito e desprevenidos, sem terem percebido que diariamente ela se aproximava</strong>. Assim corno urna conversa, uma leitura ou uma reflexão mais profunda distrai os que estão em viagem, e eles se dão conta de que chegaram antes de ter notado que se aproximavam, assim também este trajeto de nossa vida, contínuo e tão rápido, que percorremos com o mesmo passo, em vigília ou dormindo, não é aparente para as pessoas ocupadas, exceto no fim.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A<em> vida divide-se em três períodos:<strong> o que se foi, o que está sendo e </strong>o que há de vir. Desses, o que estamos atravessando é breve, o que havemos de atravessar é duvidoso, o que já atravessamos é certo. É este último de fato aquele sobre o qual a fortuna perdeu seu direito, o qual não pode ser reconduzido ao arbítrio de ninguém. </em></p><p><em><strong>Esse período os ocupados o perdem, pois não lhes sobra tempo para examinar o passado, e, se lhes sobrasse, seria desagradável a recordação de algo que lhes causaria arrependimento</strong>. Assim, a contragosto consideram o tempo mal gasto, nem ousam recordar os momentos cujos vícios, mesmo os que serpeavam sob o encanto de algum prazer momentâneo, se mostram pelo reexame. </em></p><p><em>Ninguém voltará de bom grado seu olhar ao passado, exceto quem submete todos os seus aros à própria censura, que nunca se deixa enganar. Quem avidamente muito cobiçou, desprezou com soberba, venceu com insolência, enganou com insídias, roubou por cupidez, prodigamente dissipou, <strong>é forçoso que tema a própria memória. </strong>Ora, essa é a parte sagrada e intocável de nosso tempo, posta acima de todos os reveses humanos, subtraída ao reino da Fortuna, e que nem a penúria, nem o medo, nem o ataque de doenças podem atingir. </em></p><p><em>Ela não pode ser conturbada nem tirada: a posse dela é perpétua e sem receios. Somente um a um os dias se mostram presentes para nós, e ainda fracionados em momentos. Porém, todos os dias do passado, tão logo ordenares, estarão diante de ti, a teu arbítrio irão deixar-se examinar detidamente;<strong> isso os ocupados não têm tempo de fazer. É próprio de uma mente segura e tranquila percorrer todos os períodos de sua vida; as almas dos ocupados, como se estivessem atadas sob o jugo, não podem virar-se e olhar para trás</strong>. </em></p><p><em>Portanto, a vida deles desaparece num abismo e, tal como de nada adianta verter líquido até a borda de um recipiente, se embaixo não há fundo que o receba e conserve, assim também não importa quanto tempo nos é concedido, se não há lugar onde ele possa depositar-se, se <strong>ele vaza por trincas e perfurações de nossas almas.</strong> </em></p><p><em>É brevíssimo o tempo presente, a ponto mesmo de que para alguns pareça inexistente. Está de fato sempre em curso, flui com rápida vazão, deixa de existir antes de chegar, não admite retardo, é tal qual o universo e os astros, cujo movimento sempre incansável nunca se detém no mesmo ponto. <strong>Portanto, aos ocupados diz respeito somente o tempo presente, que é tão breve que não se pode apreendê-lo, e mesmo este é subtraído deles por estarem divididos em muitas atividades.</strong>&#8220;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Em suma, queres saber quão pouco tempo eles vivem? Olha quanto desejam viver longo tempo. Velhos decrépitos  mendigam em suas preces o acréscimo de uns poucos anos. Fingem ser mais novos, lisonjeiam-se com essa mentira e iludem-se tão prazerosamente quanto se junto com eles enganassem o destino. </em></p><p><em>Porém, já quando alguma enfermidade os advertiu de sua condição mortal, quão apavorados eles morrem, não como se deixassem a vida, mas como se fossem arrancados! Gritam que foram estúpidos por não terem vivido e que, se acaso tiverem escapado daquele estado enfermo, viverão retirados de suas atividades. Então, refletem quão inutilmente amealharam aquilo que não viriam a usufruir, quanto todo seu esforço caiu no vazio. </em></p><p><em><strong>Mas, para aqueles que levam uma vida longe de qualquer atribulação, por que não seria ela duradoura? Nenhuma parte dela é usurpada, nenhuma é dispersa aqui e ali, nenhuma se perde por negligência, nenhuma é dissipada com largueza, nenhuma é supérflua; toda ela, digamos assim, é rentável. Desse modo, por breve que seja, ela é plenamente suficiente, e por isso, quando vier o último dia, o sábio não hesitará em caminhar para a morte com passo firme.</strong>&#8220;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em><strong>Brevíssima e demasiado angustiosa é a vida daqueles que se esquecem do passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam a seus momentos derradeiros , tardiamente compreendem, os infelizes, que por tão longo tempo estiveram ocupados em não fazer nada.  </strong></em></p><p>Também não há por que julgar como prova de que vivem longo tempo o fato de às vezes o dia lhes parecer longo, ou de se queixarem de que as horas passam lentamente até a chegada do momento indicado para o jantar. De fato, se alguma vez suas ocupações os abandonam, <strong>inquietam-se por terem sido deixados com tempo para si e nem sabem como dispor dele ou gastá-lo. Assim, lançam-se a qualquer ocupação e é enfadonho todo intervalo entre uma e outra.</strong>  </p><p>Da mesma maneira, quando se anunciou a data de uma luta gladiatória, ou quando se espera a que fora marcada para a algum outro espetáculo ou diversão, querem pular os dias que faltam. Para eles, toda demora do evento esperado é longa, mas aquele momento que amam é breve e fugaz e muito mais breve por causa da doença deles: de fato <strong>passam de um desejo para outro e não podem deter-se em um único</strong>. Os dias, para eles, não são longos, mas detestáveis. Porém, ao contrário, quanto lhes parecem curtas as noites que passam nos braços de prostitutas ou no vinho. &#8220;</p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong>E por que é que são receosas também suas alegrias? É que elas não se apoiam em motivos sólidos, mas são conturbadas pela mesma inconsistência da qual se originam</strong>. </p></blockquote></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Para inquietudes nunca faltarão motivos, ou felizes ou tristes. A vida irá se arrastar entre as ocupações. O tempo para si nunca será uma realidade, mas sempre um desejo.</em></p><p><em>Agora, enquanto o sangue está aquecido, os que têm vigor devem avançar para propósitos melhores. Aguarda-te, nesse modo de vida, grande número de belos conhecimentos, o amor e a prática das virtudes, o esquecimento dos desejos, o saber viver e morrer, um estado de profunda paz</em>&#8220;</p></blockquote>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://revolucaointerior.com/2022/04/18/revolucao-interior-um-guia-para-a-cura-e-maestria-emocional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="360" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png" rel="gallery" class="fancybox"  alt="" class="wp-image-6342" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1-300x154.png 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></figure>
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		<title>Meditações Estoicas de Marco Aurélio (Estoicismo)</title>
		<link>https://revolucaointerior.com/2021/04/27/meditacoes-estoicas-de-marco-aurelio-estoicismo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Davi Klein]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Apr 2021 23:47:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Frases para a Alma]]></category>
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		<category><![CDATA[estoicismo marco aurélio]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia estóica]]></category>
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		<category><![CDATA[o que é o estoicismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Nesse post irei fazer uma resenha do livro Meditações do Marco Aurélio, resumindo suas principais ideias da filosofia estoica &#8211; a filosofia da serenidade inabalável. Logo depois da resenha, deixei separado mais abaixo as melhores frases que selecionei do livro, então fique comigo até o final desse artigo! Resenha Meditações Marco Aurélio O livro &#8220;Meditações&#8221; [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Nesse post irei fazer uma resenha do livro Meditações do Marco Aurélio, resumindo suas principais ideias da filosofia estoica &#8211; a filosofia da serenidade inabalável. Logo depois da resenha, deixei separado mais abaixo as melhores frases que selecionei do livro, então fique comigo até o final desse artigo! </p>



<h2 class="wp-block-heading">Resenha Meditações Marco Aurélio</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O livro &#8220;Meditações&#8221; de Marco Aurélio é uma série de escritos pessoais que o imperador escreveu a si mesmo, relacionados a filosofia estoica. Os escritos do Marco Aurélio apresentam bem as ideais estoicas que giram em torno da negação de uma emoção, de uma habilidade, que, segundo o imperador<strong> libertarão o homem das dores e dos prazeres do mundo material</strong>. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;O arrependimento é certa censura pessoal por ter deixado de fazer algo útil. E o bem deve ser algo útil e deve preocupar-se com ele o homem íntegro.<strong> Pois nenhum homem íntegro se arrependeria por ter desdenhado um prazer; por consequência, o prazer nem é útil nem é bom.</strong>&#8220;</em></p><p><em>&#8220;Cada coisa nasceu com uma missão, assim o cavalo, a videira. Por que te assombras? Também o Sol, dirá: “nasci para uma função, assim como os demais deuses”. E tu, para que? Para o prazer? Analise se é tolerável a ideia.&#8221;</em></p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Marco Aurélio parecia acreditar que algum tipo de<strong> força lógica e benevolente </strong>(Natureza) organizasse o universo de tal maneira que até mesmo os acontecimentos &#8220;ruins&#8217; ocorriam para o bem do todo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele e muitos estoicos acreditavam que o mundo é organizado de forma <strong>racional e coerente</strong>, sendo controlado e dirigido por uma força chamada &#8220;<strong>Natureza</strong>&#8221; &#8211; uma força que engloba tudo e é a responsável pelo acontecimento e determinação de todos os eventos &#8211; uma corrente inquebrável de relações de causa x efeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marco Aurélio diz que o &#8220;<em>design&#8221; </em>do mundo é como uma inundação, que está sempre avançando. Você pode ir com a corrente e fazer o que a Natureza demanda/requer ou você pode resistir e ser arrastado para baixo. Uma frase que ele diz é a seguinte: &#8220;<strong><em>Todos os elementos obedecem o mundo, então porquê você é o único reclamando</em>?</strong>&#8220;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Harmoniza comigo tudo o que para ti é harmonioso, ó mundo! Nenhum tempo oportuno para ti mesmo é prematuro nem tardio para mim. É fruto para mim tudo o que produzem tuas estações, ó natureza! De ti procede tudo, em ti reside tudo, tudo volta a ti</em>&#8220;</p><p><em>&#8220;Porque incomodar-se com algum acontecimento é uma separação da natureza, em cuja parcela estão abrigadas as naturezas de cada um dos seres restantes&#8221;</em></p><p><em>&#8220;Pois não haveria acontecido algo assim se não fosse importante para o todo; porque a natureza, qualquer que seja, nada produz que não se adapte ao ser governado por ela&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Medite com frequência sobre a conexão de todas as coisas existentes no mundo e em sua mútua relação. Pois, de certa forma, todas as coisas se entrelaçam umas com as outras e todas, nesse sentido, são amigas entre si; pois uma está à continuação da outra devido ao movimento ordenado, do hábito comum e da unidade da substância</em>.</p><p>&#8220;<em>Todos nós colaboramos para o cumprimento de um só fim, uns consciente e Consequentemente, outros sem sabê-lo; como Heráclito, creio, diz que, inclusive os que dormem, são operários e colaboradores do que acontece no mundo. Um colabora de uma maneira, outro de outra, e inclusive, por acréscimo, o que critica e tenta se opor e destruir o que faz. Porque também o mundo tinha necessidade de gente assim</em>.&#8221;&#8221;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A verdadeira alegria é fazer o máximo que sua natureza requer.<strong> </strong>Portanto, uma coisa fundamental que ele ensina é: <strong>Pare de resistir ao fluxo das coisas</strong>! </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Existam átomos ou natureza, admita-se de entrada que sou parte do conjunto universal que governa a natureza; logo, sou parente das outras partes que a mim se assemelham. Porque, tendo isto presente, em tanto que sou parte, não me contrariarei com nada do que me é atribuído pelo conjunto universal. Porque este nada tem que não convenha a si mesmo, dado que todas as naturezas têm isto em comum e, entretanto, a natureza do mundo se adotou o privilégio de não ser obrigada por nenhuma causa externa a gerar nada que a si mesmo prejudique. </em></p><p><em>Precisamente, tendo isto presente, ou seja, que sou parte de um conjunto universal de tais características, acolherei com prazer todo sucesso. E na medida em que tenho certo parentesco com as partes de minha mesma condição, nada contrário ao conjunto executarei, mas sim ao bem meu objetivo tenderá para meus semelhantes. E para o que é proveitoso ao todo, encaminharei todos meus esforços, abstendo- me do contrário. E se assim se cumprem estas premissas, forçosamente, minha vida terá um curso feliz, do mesmo modo que também conceberias próspera a vida de um cidadão que transcorresse entre atividades úteis aos cidadãos e que aceitasse gostosamente o encargo que a cidade lhe atribuísse&#8221;</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Sobre a dor: o que é insuportável mata, o que se prolonga é tolerável&#8221;</p><cite>Marco Aurélio</cite></blockquote></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://revolucaointerior.com/2022/04/18/revolucao-interior-um-guia-para-a-cura-e-maestria-emocional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="360" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png" rel="gallery" class="fancybox"  alt="" class="wp-image-6342" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1-300x154.png 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Outra coisa interessante que ele fala é que o que quer que tenha acontecido com você,<strong> foi designado e orquestrado pela Natureza</strong>, por uma cadeia de reações de causa e efeito que ocorrem desde o início dos tempos. Tudo o que aconteceu a você foi para o seu próprio bem e para o bem do mundo. Aquilo foi destinado a acontecer, desde o início, e foi para o seu próprio bem.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Viste aquilo? Vê também isso. Não te espantes. Mostra-te simples. Erra alguém? Erra consigo mesmo. Aconteceu algo contigo? Está bem. <strong>Tudo o que te sucede estava determinado pelo conjunto desde o princípio e estava tramado</strong>. Em resumo, breve é a vida. Devemos aproveitar o presente com bom juízo e justiça. Sê sóbrio ao relaxar-te&#8221;</p><p><strong>&#8220;Algo que te aconteça, desde a eternidade, já estava preestabelecida para ti. E tudo que te aconteça provém do encadeamento de causas.&#8221;</strong></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;E da mesma forma abrace tudo o que lhe acontece, ainda que lhe pareça penoso, porque conduz àquele objetivo, à saúde do mundo, ao progresso e ao bem-estar de Zeus.<strong> Pois não haveria acontecido algo assim se não fosse importante para o todo; porque a natureza, qualquer que seja, nada produz que não se adapte ao ser governado por ela. Assim, convém amar o que acontece a ti por duas razões: uma, porque para ti se foi feito, e a ti foi designado e, de certa forma, a ti estava vinculado desde cima, encadeado por causas muito antigas; e em segundo lugar, porque o que acontece a cada um em particular é causa do progresso, da perfeição e, por Zeus, da mesma continuidade daquele que governa o conjunto do universo</strong>. Pois fica mutilado o conjunto inteiro, se for cortada, ainda que minimamente, sua conexão e continuidade, tanto de suas partes como de suas causas. E, assim, quebra-se dito encadeamento, na medida em que de ti depende, sempre que desanimas e, de certa forma, o destrói.&#8221;</em></p><p><strong>&#8220;<em>Faço algo? O faço considerando o benefício aos homens. Acontece algo a mim? O aceito oferecendo-o aos deuses e à fonte de tudo, da qual emanam todos os acontecimentos</em>.&#8221;</strong></p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Todos nós precisamos exatamente das coisas que a Natureza nos trás e isso é uma coisa que resistimos.</strong> Quando algo &#8220;ruim&#8221; acontece, nós dizemos &#8220;Por que isso foi acontecer comigo, que mundo injusto!&#8221; &#8211; mas na verdade tal acontecimento foi destinado a acontecer, desde o início dos tempos, para o bem de todos &#8211; é o que a Natureza prescreveu. Não importa se foi ruim ou bom, foi prescrito e ordenado pela Natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abrace tudo o que acontecer a você, pois você precisa exatamente dessas experiências para crescer! O Marco Aurélio basicamente diz &#8220;Não seja ansioso, não reclame, não fique bravo, pois nada pode acontecer a você que não seja natural e que você não consiga aguentar&#8221;.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>A mudança é temida? E que pode acontecer sem mudança? Existe algo mais querido e familiar à natureza do conjunto universal? Poderias tu mesmo lavar-te com água quente, se a lenha não se transformasse? Poderias alimentar-te se os alimentos não se transformassem? E outra coisa qualquer entre as úteis, poderia cumprir-se sem transformação? Não percebes, pois, que tua própria transformação é algo similar e igualmente necessária à natureza do conjunto universal?</em>&#8220;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Todo o nosso problema se encontra na nossa percepção equivocada &#8211; nossos rótulos e opiniões sobre eventos/acontecimentos, que classificamos como &#8220;bons&#8221; ou &#8220;maus&#8221;. Quando você deixar de lado tais julgamentos e passar aceitar as coisas como elas são, você entende que não importa o que aconteça, pois é exatamente disso que você precisa para o seu crescimento. <strong>Não importa o que acontecer, eu aprendo!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A perturbação não vem de algo externo e sim de dentro</strong>, <strong>de acordo com nossas percepções</strong>. Muito do nosso sofrimento se origina dessas interpretações erradas<strong>, não é o evento em si que está causando o sofrimento</strong>. A única maneira de um homem ser atingido pelos outros seria se ele permitisse que sua reação tomasse conta de si.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Hoje me livrei de toda circunstância difícil, melhor dizendo, joguei fora de mim todo problema, porque este não estava fora de mim, a não ser dentro, em meus pensamentos.&#8221;</p><cite>Marco Aurélio</cite></blockquote></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>E entre as máximas que terás à mão e às quais te inclinará, estejam presentes essas duas: <strong>uma, que as coisas não alcançam a alma, mas se encontram fora dela, desprovidas de temor, e as perturbações surgem da única opinião interior. E a segunda, que todas essas coisas que estás vendo, logo se transformarão e já não existirão. Pensa também, constantemente, de quantas transformações tu mesmo já fostes testemunha</strong>&#8220;</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Destrói a opinião e destruído estará o pensamento “fui prejudicado”. Destrói a queixa “fui prejudicado” e destruído estará o dano.&#8221;</p><cite>Marco Aurélio</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, ninguém pode te impedir de viver o que sua natureza requer, incluindo sua situação de vida atual. Nós tendemos a achar que nossa situação de vida está nos paralisando, porém, você pode viver de acordo com sua natureza aqui e agora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele também diz que se a sua reputação te incomoda, uma pergunta que você pode se perguntar é &#8220;<em>Se algo é genuinamente belo, essa coisa precisa de complementos? Ela pode ser melhorada com a adoração ou machucada pelo desprezo</em>?&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra coisa importante que ele deixa bem claro é a de que <strong>nada pertence a você</strong>! Nós tendemos a querer possuir as coisas (&#8220;meu computador&#8221;, &#8220;minha namorada&#8221;, &#8220;meu carro&#8221;), porém, na verdade, <strong>tudo pertence a Natureza</strong> &#8211; e é ela que pode te dar algo ou pode retirar algo de você. Se ela te der algo, curta enquanto durar mas não se apegue a tal coisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você ficar apegado a algo, em algum tempo você vai perder essa coisa e vai se sentir mal. Até mesmo se você tiver tal coisa, terá agora medo de perdê-la. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Basicamente, <strong>tudo vem da mesma Fonte &#8211; a Natureza</strong>. A própria morte, que rotulamos como algo ruim, é um processo da Natureza.<strong> O seu trabalho é passar essa vida curta conforme a Natureza demandar, conforme o que ela requer de você. Portanto, desista de reclamar</strong>!</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;E seja suficiente para ti viver o resto da tua vida, dure o que durar, <strong>como tua natureza quer</strong>. Em consequência, pense em qual é seu desejo, e nada mais te inquiete. Comprovaste em quantas coisas andaste sem rumo, e em nenhuma parte encontraste a vida feliz, nem nas argumentações lógicas, nem na riqueza, nem na glória, nem no gozo, nem em parte alguma. Onde está, então? No fazer o que quer a natureza humana. Como consegui-lo? Com a posse dos princípios dos quais dependem os instintos e as ações. Quais princípios?<strong> Os que concernem ao bem e ao mal, na convicção de que nada é bom para o homem, se não lhe torna justo, sensato, valente, livre; como tampouco nada é mau, se não lhe produz os efeitos contrários ao dito</strong>.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Julga-te digno de toda palavra e ação de acordo com a natureza; e que a crítica que alguns suscitarão a seu propósito não te desvie do teu caminho; pelo contrário, se é bom ter agido e ter falado, não te consideres indigno. Pois aqueles têm seu guia particular e se valem de sua particular inclinação. Mas não cobices essas coisas; antes, atravesse o reto caminho em consonância com tua própria natureza e com a natureza comum; pois o caminho de ambas é único</em>&#8220;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O que morre não desaparece &#8211; aquilo fica no mundo de uma forma transformada. Você funcionou como parte de algo maior, do Todo, e será restaurado no que te produziu. Tudo vem do mesmo lugar e tudo acaba no mesmo lugar. <strong>Portanto, ame tudo e a si mesmo, se você odeia algo está odiando a Natureza!</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Mas, o que é, afinal, a lembrança eterna? Vaidade total. O que é, então, o que deve impulsionar nosso afã? Tão somente isso: um pensamento justo, umas atividades consagradas ao bem comum, uma linguagem incapaz de enganar, uma disposição para abraçar tudo o que acontece, como necessário, como familiar, como fluente do mesmo princípio e da mesma fonte</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Mas eu te responderia com esta justa razão: estás equivocado, amigo, se pensas que um homem deve calcular o risco de viver ou morrer, inclusive sendo insignificante a sua valia, e, em troca, pensas que não deve examinar, quando age, se são justas ou não suas ações e próprias de um homem bom ou mau&#8221;</em></p><p><em>&#8220;Porque não deve o homem que valorize sê-lo preocupar-se com a duração da vida, tampouco deve ter excessivo apego a ela, mas confiar à divindade esses cuidados e dar crédito às mulheres quando afirmam que ninguém poderia evitar o destino. A obrigação que lhe incumbe é examinar de que modo, durante o tempo que viverá, poderá viver melhor.&#8221;</em></p><p><em>&#8220;Em cada ação, pergunte a ti mesmo:<strong> como é essa ação em relação a mim? Não me arrependerei depois de fazê-la?</strong> Dentro de pouco estarei morto e tudo terá desaparecido. O que mais buscarei, se minha presente ação é própria de um ser inteligente, sociável e sujeito à mesma lei de Deus?&#8221;</em></p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading">Frases do livro Meditações de Marco Aurélio (Estoicismo)</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Cuidado! Não te convertas em um César, não te manches sequer, porque costuma ocorrer. Mantenha-te, portanto, simples, bom, puro, respeitável, sem arrogância, amigo do justo, piedoso, benévolo, afável, firme no cumprimento do dever. Lute por conservar-te tal qual a filosofia quis fazer-te. Respeite os deuses, ajude a salvar os homens. Breve é a vida. </em></p><p><em>O único fruto da vida terrena é uma piedosa disposição e atos úteis à comunidade. Em tudo, proceda como discípulo de Antonino; sua constância em agir conforme a razão, sua equanimidade em tudo, a serenidade de seu rosto, a ausência nele de vanglória, seu afã no que se refere à compreensão das coisas. E lembra-te de como não haveria omitido absolutamente nada sem uma profunda análise prévia e sem uma compreensão com clareza; e como suportava sem replicar os que lhe censuravam injustamente; e como não tinha presa por nada; e como não aceitava as calúnias; e como era escrupuloso indagador dos costumes e dos feitos; mas não era insolente, nem lhe atemorizava a agitação, nem era desconfiado, nem charlatão.</em></p><p><em>E como tinha bastante com pouco, para sua casa, por exemplo, para seu leito, para sua vestimenta, para sua alimentação, para seu serviço; e como era diligente e amistoso; e capaz de permanecer na mesma tarefa até o entardecer, graças à sua dieta frugal, sem ter necessidade de evacuar os resíduos fora da hora de costume; e sua firmeza e uniformidade na amizade; e sua capacidade de suportar aos que se opunham sinceramente a suas opiniões e de alegrar-se, se alguém lhe mostrava algo melhor; e como era respeitoso com os deuses sem superstição, para que assim te surpreendas, como a ele, a última hora com boa consciência.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Não deves considerar apenas isso: que a cada dia se gasta a vida e nos sobra uma parte menor dela. Mas deves refletir também que, se uma pessoa prolonga sua existência, não está claro se sua inteligência será igualmente capaz, mais a frente, para a compreensão das coisas e da teoria que tende ao conhecimento das coisas divinas e humanas. </em></p><p><em>Porque, no caso dessa pessoa começar a caducar, a respiração, a nutrição, a imaginação, os instintos e todas as demais funções semelhantes não lhe faltarão. No entanto, a faculdade de dispor de si mesmo, de calibrar com exatidão o número dos deveres, de analisar as aparências, de deter-se a refletir sobre se já chegou o momento de abandonar essa vida e quantas necessidades de características semelhantes precisarem um exercício exaustivo da razão, tudo isso se extinguirá antes.</em></p><p><em>Convém, pois, apressar-te não somente porque a cada instante estamos mais perto da morte, mas também porque cessa com antecedência a compreensão das coisas e a capacidade de nos acomodarmos a elas.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Não consumas a parte da vida que te resta fazendo conjecturas sobre outras pessoas, a não ser que teu objetivo aponte para o bem comum; porque certamente te privas de outra tarefa. Ao querer saber, ao imaginar o que faz fulano e por que, e o que pensa e o que trama e tantas coisas semelhantes que provocam teu raciocínio, tu te afastas da observação do teu guia interior. </em></p><p><em>Convém, consequentemente, que, no encadear das tuas ideias, evites admitir o que é fruto do azar e supérfluo, mas muito mais o inútil e pernicioso. Deves também acostumar-te a ter unicamente aquelas ideias sobre as quais, se te perguntassem de súbito “em que pensas agora?”, com franqueza pudesses responder no mesmo instante “nisso e naquilo”, de maneira que no mesmo instante se manifestasse que tudo em ti é simples, benévolo e próprio de um ser isento de toda cobiça, inveja, receio ou qualquer outra paixão, da qual pudesses envergonhar-te ao reconhecer que a possui em teu pensamento. </em></p><p><em>E, raramente, a não ser por uma grande necessidade e tendo em vista o bem comum, cogita o que a outra pessoa diz, faz ou pensa.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Se no percurso da vida humana encontras um bem superior à justiça, à verdade, à moderação, à valentia e, em suma, a tua inteligência que se basta a si mesma, naquelas coisas nas quais te facilita agir de acordo com a reta razão, e de acordo com o destino das coisas repartidas sem seleção prévia; se percebes, digo, um bem de maior valor que esse, dirige-te a ele com toda a alma e desfruta do bem supremo que descobriste. </em></p><p><em>Mas se nada melhor aparece que a própria divindade que em ti habita, que o haver submetido a seu domínio os instintos particulares, que vigia as ideias e que, como dizia Sócrates, tenha se desapegado das paixões sensuais, que tenha se submetido à autoridade dos deuses e que, preferencialmente, se preocupa com os homens; se encontras todo o restante como menor e vil, não dá lugar a nenhuma outra coisa, porque uma vez arrastado e inclinado a ela, já não serás capaz de estimar preferencialmente e de contínuo aquele bem que te é próprio e te pertence. </em></p><p><em><strong>Porque não é lícito opor ao bem da razão e da convivência outro bem de distinto gênero, como, por exemplo, o elogio da multidão, dos cargos públicos, da riqueza ou do gozo de prazeres. Todas essas coisas, ainda que pareçam momentaneamente harmonizar com nossa natureza, prontamente se impõem e nos desviam.</strong> Portanto, reitero: escolha simples e livremente o melhor e persevere nisso</em>.&#8221;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Nunca estimes como útil para ti o que um dia te forçará a transgredir tua fé, a renunciar ao pudor, a odiar alguém, a mostrar-te receoso, a maldizer, a fingir, a desejar algo que precisa de paredes e cortinas. Porque a pessoa que prefere, diante de tudo, sua própria razão, sua divindade e os ritos do culto devido à excelência desta, não se presta a espetáculos, não se lamenta, não precisará de solidão e nem de aglomerações de pessoas.  E o que é mais importante: viverá sem perseguir nem fugir. </em></p><p><em>Tanto se for maior o tempo que viverá o corpo unido à alma, quanto se for menor, não lhe importa em absoluto, porque ainda no caso de precisar se desprender dele, irá tão resolutamente como se fosse empreender qualquer outra das tarefas que podem ser executadas com discrição e decoro; tratando de evitar, durante toda a vida, somente isso: <strong>que seu pensamento se comporte de maneira imprópria de um ser dotado de inteligência e sociável.</strong>&#8220;</em></p></blockquote>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://revolucaointerior.com/2022/04/18/revolucao-interior-um-guia-para-a-cura-e-maestria-emocional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="360" src="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png" rel="gallery" class="fancybox"  alt="" class="wp-image-6342" srcset="https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1.png 700w, https://revolucaointerior.com/wp-content/uploads/2022/07/Revolucao-interior-1-300x154.png 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></figure>
</div>


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;<strong>No pensamento do homem que se disciplinou e se purificou profundamente, nada purulento, nem manchado, nem mal cicatrizado poderias encontrar</strong>. E o destino não arrebata sua vida incompleta, como se poderia afirmar do ator que se retirasse da cena antes de ter finalizado seu papel e concluído a obra. É mais, nada escravo há nele, nenhuma afetação, nada acrescentado, nem dissociado, nada submetido a redenção de contas nem necessitado de esconderijo&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Abandona, pois, todo o restante e conserve somente uns poucos preceitos.<strong> E, além disso, lembra que cada um vive exclusivamente o presente, o instante fugaz. O restante, ou se viveu ou é incerto.</strong> Insignificante é, portanto, a vida de cada um, e insignificante também o cantinho da terra onde vives. Pequena é assim a fama póstuma, inclusive a mais prolongada, e esta se dá por meio de uma sucessão de homenzinhos que logo morrerão, que nem sequer conhecem a si mesmos, nem tampouco ao que morreu há tempos.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Se executares a tarefa presente seguindo a reta razão, diligentemente, com firmeza, com benevolência e sem nenhuma preocupação alheia, antes, vele pela pureza de teu deus, como se já fosse preciso restituí-lo. <strong>E, além disso, se nada esperas nem evitas, mas te conformas com a atividade presente conforme a natureza e com a verdade heroica em tudo o que digas e comentes, viverás feliz. E ninguém será capaz de te impedir</strong>.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Portanto, se o restante é comum aos seres mencionados, resta, como peculiar do homem bom, amar e abraçar o que lhe sobrevém e se entrelaça com ele, e o não confundir nem perturbar jamais a Deus, que tem a morada dentro de seu peito com múltiplas imagens, mas antes, velar para que se conserve propício, submisso, disciplinadamente a Ele, sem mencionar uma palavra contrária à verdade, sem fazer nada contrário à justiça. </em></p><p><em>E se todos os homens desconfiam desse homem bom, de que vive com simplicidade, modéstia e bom humor, nem por isso ele se aborrece com ninguém, nem se desvia do caminho traçado que o leva ao fim de sua vida, objetivo ao qual deve encaminhar-se, puro, tranquilo, livre, sem violências e em harmonia com seu próprio destino.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;As pessoas buscam retiros no campo, na costa e no monte. Tu também tens o costume de desejar tais retiros. Mas tudo isso é do mais vulgar, porque podes, no momento em que queiras, retirar-te em ti mesmo. Em nenhuma parte o homem se retira com maior tranquilidade e mais calma que em sua própria alma. Sobretudo aquele que possui em seu interior tais bens, que, ao se inclinar a eles, de imediato consegue uma tranquilidade total. E denomino tranquilidade única e exclusivamente à boa ordem. Concede-te, pois, sem pausa, esse retiro e recupera-te.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Acaso te arrastará a vanglória? Dirige teu olhar à profundidade com que se esquece tudo e ao abismo do tempo infinito por ambos os lados, à veracidade do eco, à versatilidade e irreflexão dos que dão a impressão de elogiar-te, à amargura do lugar em que se circunscreve a glória. Porque a terra inteira é um ponto, e quanto ocupa o nosso cantinho que habitamos nela? E ali, quantos e que classe de homens elogiar-te-ão? Considera que resta-te, pois, o refúgio que se encontra nesse pequeno campo de ti mesmo. </em></p><p><em>E, acima de tudo, não te atormentes nem te esforces demasiadamente; antes, seja um homem livre e olha as coisas como varão, como homem, como cidadão, como ser mortal. E entre as máximas que terás à mão e às quais te inclinará, estejam presentes essas duas: <strong>uma, que as coisas não alcançam a alma, mas se encontram fora dela, desprovidas de temor, e as perturbações surgem da única opinião interior. E a segunda, que todas essas coisas que estás vendo, logo se transformarão e já não existirão. Pensa também, constantemente, de quantas transformações tu mesmo já fostes testemunha</strong>&#8220;</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Destrói a opinião e destruído estará o pensamento “fui prejudicado”. Destrói a queixa “fui prejudicado” e destruído estará o dano.</p></blockquote></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Não consideres as coisas tal como as julga o homem insolente ou como quer que as julgues. Mas antes, examina-as tal como são em realidade</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>É preciso ter sempre preparadas essas duas disposições: uma, a de executar exclusivamente aquilo que a razão de tua faculdade real e legislativa te sugira para favorecer os homens; outra, a de mudar de atitude, caso apareça alguém que te corrija e que te faça desistir de alguma das tuas opiniões. Entretanto, é preciso que essa nova orientação tenha sempre sua origem em certa convicção de justiça ou de interesse à comunidade e as motivações devem ter exclusivamente tais características, não o que pareça agradável ou popular</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Não ajas na ideia de que viverás dez mil anos. A necessidade inevitável paira sobre ti. Enquanto vives, enquanto é possível, sê virtuoso.&#8221;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;<strong>Quanto tempo livre ganha o que não olha o que o outro disse, fez ou pensou, mas exclusivamente o que ele mesmo faz</strong>,<strong> a fim de que sua ação seja justa, santa ou inteiramente boa</strong>. Não dirijas o olhar à escuridão, mas corre direto para a linha de chegada, sem se desviar&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Além do mais, tudo o que é belo, seja o que for, belo é por si mesmo, e em si mesmo completo, sem considerar o elogio como parte de si mesmo. Em consequência, o referido objeto nem se torna pior nem melhor. Afirmo isso, inclusive, tratando-se das coisas que comumente são denominadas belas, como, por exemplo, os objetos materiais e os objetos fabricados. </em></p><p><em>O que, em verdade, é realmente belo de que tens necessidade? Nada mais que a lei, a verdade, a benevolência ou o pudor. Qual dessas coisas é bela pelo fato de ser elogiada o se destrói por ser criticada? A esmeralda se deteriora porque não a elogiam? E o que dizer do ouro, do marfim, da púrpura, da lira, do punhal, da flor, do arbusto?</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Viste aquilo? Vê também isso. Não te espantes. Mostra-te simples. Erra alguém? Erra consigo mesmo. Aconteceu algo contigo? Está bem. Tudo o que te sucede estava determinado pelo conjunto desde o princípio e estava tramado. Em resumo, breve é a vida. Devemos aproveitar o presente com bom juízo e justiça. Sê sóbrio ao relaxar-te.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Assim, examine sempre as coisas humanas como efêmeras e carentes de valor: ontem, germe; amanhã, múmia ou cinza. Portanto, percorra este pequeno lapso de tempo obediente à natureza e termine tua vida alegremente, como a azeitona que, madura, caísse elogiando a terra que lhe deu vida e dando graças à árvore que a produziu.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Ser igual ao rochedo contra o qual, sem interrupção, se quebram as ondas. Este se mantém firme, e em torno dele adormece a espuma da onda. “Sou infeliz, porque isso me aconteceu”. Mas não, ao contrário: “<strong>Sou feliz, porque, devido ao que me ocorreu, persisto até o fim sem aflição, nem perturbado com o presente nem assustado com o futuro</strong>”. Porque algo semelhante poderia acontecer a todo mundo, mas nem todo mundo poderia seguir até o fim, sem aflição, depois disso. Lembra-te, a partir de agora, em todo acontecimento que te induza à aflição, de utilizar este princípio:<strong> não é isso um infortúnio, mas uma felicidade suportá-lo com dignidade</strong>.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Ao amanhecer, quando de má vontade e de forma preguiçosa te despertas, recorra a este pensamento: “desperto para cumprir uma tarefa própria de homem”. Irei, pois, continuar insatisfeito, se me encaminho para fazer aquela tarefa que justifica minha existência e para a qual nasci? Ou, por acaso, nasci para me esquentar, reclinado entre pequenos cobertores? “Mas isso é mais agradável”. Nasci, pois, para desfrutar? E, em resumo, nasci para a passividade ou para a atividade? Não vês que os arbustos, os pássaros, as formigas, as aranhas, as abelhas, cumprem sua função própria, contribuindo por sua conta para a ordem do mundo? E tu, então, te recusas a fazer o que é próprio do homem?&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“Não podem admirar tua perspicácia”. Está bem. Mas existem outras muitas qualidades sobre as quais não podes dizer: “não tenho dons naturais”. Procura-te, pois, aquelas que estão inteiramente em tuas mãos: a integridade, a gravidade, a resistência ao esforço, o desprezo aos prazeres, a resignação frente ao destino, a necessidade de poucas coisas, a benevolência, a liberdade, a simplicidade, a austeridade, a magnanimidade&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;A ninguém acontece nada que não possa, por sua natureza, suportar. A outro lhe acontece o mesmo e, seja por ignorância do ocorrido, seja por ostentar magnanimidade, mantém-se firme e resiste sem dano.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Reflita repetidamente sobre a rapidez de trânsito e afastamento dos seres existentes e dos acontecimentos. Porque a substância é como um rio em incessante fluir, as atividades estão mudando continuamente e as causas sofrem inúmeras alterações. Quase nada persiste e muito perto está este abismo infinito do passado e do futuro, no qual tudo desaparece. Como, pois, não estará louco o que nessas circunstancias se orgulha, se desespera ou se queixa por ter sofrido alguma dor por certo tempo e inclusive longo tempo?&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Comete outro, uma falta contra mim? Ele verá. Tem sua peculiar disposição, seu peculiar modo de agir. Tenho eu agora o que a comum natureza quer que tenha agora, e faço o que minha natureza quer que agora faça&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“Conviver com os deuses”. E convive com os deuses aquele que constantemente lhes demonstra que sua alma está satisfeita com a parte que lhe foi destinada, e faz tudo quanto quer o gênio divino, que, na qualidade de protetor e guia, fração de si mesmo, designou Zeus a cada um. E esta divindade é a inteligência e razão de cada um.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Como tens se comportado até a data com os deuses, com teus pais, teus irmãos, tua mulher, teus filhos, teus Mestres, teus preceptores, teus amigos, teus familiares, teus criados? Acaso no trato com todos até agora podes aplicar: “nem fazer mal a ninguém nem dizê-lo”. Lembra-te de que também por quais lugares passaste e que cansaço foste capaz de aguentar; e, mesmo assim, que a história de tua vida já está completa e teu serviço cumprido; e quantas coisa belas viste, quantos prazeres e dores desdenhaste, quantas ambições de glória ignoraste; com quantos insensatos te comportaste com deferência&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Dentro de pouco, cinza e esqueleto, e ou bem um nome ou nem sequer um nome; e o nome, um ruído e um eco. E inclusive as coisas mais estimadas na vida são vazias, podres, pequenas, cães que se mordem, crianças que amam a briga, que riem e em seguida choram. Pois a confiança, o pudor, a justiça e a verdade, “ao Olimpo, longe da terra de largos caminhos”.</em></p><p><em>O que é, pois, o que ainda te detém aqui, se as coisas sensíveis são mutáveis e instáveis, se os sentidos são cegos e susceptíveis de receber facilmente falsas impressões, e o mesmo hálito vital é uma exalação do sangue, e a boa reputação entre gente assim algo vazio? O que, então? Aguardarás benévolo tua extinção ou teu traslado? Mas, quando se apresenta aquela oportunidade, o que basta?<strong> E que outra coisa senão venerar e bendizer aos deuses, fazer bem aos homens, lhes dar suporte e abster-se</strong>? E em relação a quanto se encontra dentro dos limites de tua carne e hálito vital, lembra-te de que isso nem é teu e nem depende de ti.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;A substância do conjunto universal é dócil e maleável. E a razão que a governa não tem em si nenhum motivo para fazer mal, pois não tem maldade, e nem faz mal algum nem nada recebe mal daquela. Tudo se origina e chega a seu fim de acordo com ela&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Seja indiferente para ti passar frio ou calor, se cumpres com teu dever, passar a noite em vigia ou saciar-te de dormir, ser criticado ou elogiado, morrer ou fazer outra coisa. Pois uma das ações da vida é também aquela pela qual morremos. Assim, basta também para este ato dispor bem o presente&#8221;</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;<em>Regozija-te e repouse em uma só coisa: em passar de uma ação útil à sociedade a outra ação útil à sociedade, tendo sempre Deus presente.</em>&#8220;</p></blockquote></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Sempre que te vejas obrigado pelas circunstancias a sentir-te confuso, retorne a ti mesmo rapidamente e não te desvies fora de teu ritmo mais do que o necessário. Pois serás mais dono da harmonia graças a teu contínuo retomá-la.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Se tivesses simultaneamente uma madrasta e uma mãe, atenderias àquela, mas, contudo, as visitas a tua mãe seriam contínuas. Isso tu tens agora: o palácio e a filosofia. Assim, pois, retorne frequentemente a ela e nela repouse; graças a esta, as coisas de lá te parecem suportáveis e tu és suportável entre eles</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Assim, é preciso agir ao longo da vida inteira, e quando as coisas te derem a impressão de serem dignas de crédito em excesso, analise-as e observe seu nulo valor, e despoje-as da ficção, pela qual se vangloriam. Pois o orgulho é um terrível enganador da razão, e quando pensas ocupar-te principalmente das coisas sérias, então, ainda assim, te enganas&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Coloque sempre seu empenho em chegar a ser algumas coisas, em outras coloque seu afã em persistir, mas uma parte do que chega a ser já se extinguiu. Fluxos e alterações renovam incessantemente o mundo, assim como o passo ininterrupto do tempo proporciona sempre nova a eternidade infinita. Em meio a esse rio, sobre o qual não é possível deter-se, que coisa entre as que passam correndo poderiam ser estimadas? </em></p><p><em>Como se alguém começasse a se apaixonar pelas aves que voam ao nosso redor, e logo desaparecem diante de nossos olhos. Tal é de certa forma a vida de cada um, como a exalação do sangue e a inspiração do ar. Pois, assim como o inspirar uma vez o ar e expulsá lo, coisa que fazemos a cada momento, também é devolver ali, de onde retiraste pela primeira vez, toda a faculdade respiratória, que tu adquiriste ontem ou anteontem, recém chegado ao mundo.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Não penses, se algo te resulta difícil e doloroso, que isso seja impossível para o homem; antes bem, se algo é possível e natural ao homem, pense que também está ao teu alcance</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Nos exercícios dos ginásios, alguém nos arranhou com suas unhas e nos feriu com uma cabeçada. Entretanto, nem o colocamos de manifesto, nem nos incomodamos, nem suspeitamos mais tarde dele como conspirador. Mas sim, certamente, nos colocamos em guarda, mas não como se fosse um inimigo, nem com receio, mas esquivando-o benevolamente. Algo parecido ocorre nas demais conjunturas da vida. Deixemos de lado muitos receios mútuos dos que nos exercitamos como nos ginásios. Porque é possível, como dizia, evitá-los sem mostrar receio nem aversão.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Se alguém pode refutar-me e provar de modo conclusivo que penso ou procedo incorretamente, de bom grado mudarei minha forma de agir. Pois persigo a verdade, que nunca prejudicou ninguém; ao contrario, sim se prejudica o que persiste em seu próprio engano e ignorância&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Se alguém te faz a pergunta de como se escreve o nome de Antonino, não soletrarias cada uma de suas letras? E no caso de que se aborrecessem, replicarias tu também te aborrecendo? Não seguirias enumerando tranquilamente cada uma das letras? Da mesma forma, também aqui, considere que todo dever se cumpre mediante certos cálculos. É preciso olhá-los com atenção sem perturbar-se nem incomodar-se com os que se incomodam, e cumprir metodicamente o proposto.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Quão cruel é não permitir aos homens que dirijam seus impulsos ao que lhes parece apropriado e conveniente! E o certo é que, de algum modo, não estás de acordo em que façam isso, sempre que te aborreces com eles por suas falhas. Porque se mostram absolutamente arrastados ao que consideram apropriado e conveniente para si. “Mas não é assim”. Consequentemente, esclareça-os e demonstre a eles, mas sem irritar-se.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Sou um composto de alma e corpo. Portanto, para o corpo tudo é indiferente, pois não é capaz de distinguir; mas ao espírito lhe são indiferentes quantas atividades não lhe são próprias, e, em troca, quantas atividades lhe são próprias, todas elas estão sob seu domínio. E, apesar disso, somente a atividade presente lhe preocupa, pois suas atividades futuras e passadas lhe são também, desde este momento, indiferentes&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Quem viu o presente, tudo viu: a saber, quantas coisas surgiram desde a eternidade e quantas coisas permanecerão até o infinito. Pois tudo tem uma mesma origem e um mesmo aspecto. &#8220;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Sempre que queiras alegrar-te, pense nos méritos dos que vivem contigo, por exemplo, a energia no trabalho de um, a discrição de outro, a liberalidade de um terceiro e qualquer outra qualidade de outro. Porque nada produz tanta satisfação como os exemplos das virtudes, ao manifestarem-se no caráter dos que vivem conosco e ao serem agrupadas na medida do possível. Por essa razão devem ser tidas sempre à mão.&#8221;</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O que não beneficia a colmeia, tampouco beneficia a abelha</p></blockquote></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>O que é a maldade? É o que tens visto muitas vezes. E a propósito de tudo o que acontece, tenhas presente que isso é o que tens visto muitas vezes. Em resumo, de baixo para cima, encontrarás as mesmas coisas, das que estão cheias as histórias, as antigas, as médias e as contemporâneas, das quais estão cheias agora as cidades e as casas. Nada novo; tudo é habitual e efêmero.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;É preciso seguir, palavra por palavra, o que se diz, e, em todo impulso, seu resultado; e, no segundo caso, ver diretamente a que objetivo aponta a tentativa; e no primeiro, velar por seu significado&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Minha inteligência é suficiente para isso ou não? Se é suficiente, sirvo-me dela para esta ação como se fosse um instrumento concedido pela natureza do conjunto universal. Mas se não me basta, cedo a obra a quem seja capaz de cumpri-la melhor, a não ser, por outra lado, que isso seja de minha incumbência, ou bem coloco as mãos à obra como possa, com a colaboração da pessoa capaz de fazer, com a ajuda do meu guia interior, o que nesse momento é oportuno e benéfico à comunidade.<strong> Porque o que estou fazendo por mim mesmo, ou em colaboração com outro, deve tender, exclusivamente, ao benefício e à boa harmonia com a comunidade</strong>.&#8221;</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Não te inquiete o futuro; pois irás a seu encontro, se for preciso, com a mesma razão que agora utilizas para as coisas presentes. </p></blockquote></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Próprio do homem é amar inclusive os que tropeçam. E isso se consegue quando pensas que são teus familiares e que pecam por ignorância e contra sua vontades e que, dentro de pouco tempo, ambos estarão mortos e que, ante tudo, não te prejudicou, posto que não fez o teu guia interior pior do que era antes.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Cada vez que alguém cometa uma falta contra ti, medite sobre que conceito do mal ou do bem tinha ao cometer dita falta. Porque, uma vez que tenhas examinado isso, terás compaixão dele e nem te surpreenderás, nem te irritarás com ele. Já que compreenderás tu também o mesmo conceito do bem que ele, ou outro similar. Em consequência, é preciso que lhe perdoemos. Mas ainda se não chegues a compartilhar com seu conceito do bem e do mal, serás mais facilmente benévolo com seu extravio&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Apague a imaginação. Detenha o impulso de marionete. Circunscreva-te ao momento presente. Compreenda o que te acontece ou a outro. Divida e separe o objeto dado em seu aspecto causal e material. Pense em tua hora posterior. A falta cometida por aquele, deixe-a ali onde se originou.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Faça resplandecer em ti a simplicidade, o pudor e a indiferença no relativo ao que é intermediário entre a virtude e o vício. Ame o gênero humano. Siga a Deus&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Sobre a morte: ou dispersão, se existem átomos; ou extinção ou mudança, se existe unidade&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>E a aquele pensamento que, cheio de grandeza, alcança a contemplação de todo tempo e de toda essência, crês que lhe parece grande coisa a vida humana? Impossível, disse. Então, tampouco tal homem considerará terrível a morte? De forma alguma.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Preste atenção e seja teu único desejo ser bom em tudo o que faças. E tenha presente estas máximas:<strong> o que importa são os atos, não os resultados</strong>.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Cave em teu interior. Dentro se encontra a fonte do bem, e é uma fonte capaz de brotar continuamente, se não deixas de escavar&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Em qualquer caso de dor, reflita: não é indecoroso nem tampouco deteriorará a inteligência que me governa; pois não a destrói, nem no aspecto racional, nem no aspecto social. Nas maiores dores, entretanto, lembra-te da máxima de Epicuro: nem é insuportável a dor, nem eterna, se te lembras de teus limites e não imaginas além da conta. Lembra-te também de que muitas coisas, que são o mesmo que a dor, nos incomodam e não percebemos, assim, por exemplo, a sonolência, o calor exagerado, a inaptidão. Depois, sempre que te aborreças com alguma dessas coisas, diga para ti mesmo: cedi à dor.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;A perfeição moral consiste nisso: em passar cada dia como se fosse o último, sem convulsões, sem entorpecimentos, sem hipocrisias&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Quando tenhas feito um favor e outro o tenha recebido, que terceira coisa ainda continuas buscando, como os ignorantes?</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Não te é possível ler. Mas sim podes conter tua arrogância; podes estar acima do prazer e da dor; podes menosprezar a vanglória; podes não irritar-te com insensatos e desgraçados, inclusive mais, podes preocupar-te com eles.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;O arrependimento é certa censura pessoal por ter deixado de fazer algo útil. E o bem deve ser algo útil e deve preocupar-se com ele o homem íntegro. Pois nenhum homem íntegro se arrependeria por ter desdenhado um prazer; por consequência, o prazer nem é útil nem é bom.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Considere que trocar de critério e obedecer a quem te corrige é igualmente uma ação livre. Pois tua atividade termina de acordo com teu instinto e juízo e, particularmente, além disso, de acordo com tua própria inteligência.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Se depende de ti, por que não o fazes? Mas se depende de outro, a quem censuras? Aos átomos ou aos deuses? Em ambos os casos é loucura. A ninguém deves repreender. Porque, se podes, corrija-lhe, se não podes, corrija ao menos sua ação. E se tampouco isso é possível, de que adianta irritar-te? Porque nada deve ser feito por acaso.&#8221;</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong>&#8220;<em>Preste atenção ao que tens nas mãos, seja atividade, princípio ou significado. Justamente tens este sofrimento, pois preferes ser bom amanhã a ser bom hoje</em>&#8220;</strong></p></blockquote></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Faço algo? O faço considerando o benefício aos homens. Acontece algo a mim? O aceito oferecendo-o aos deuses e à fonte de tudo, da qual emanam todos os acontecimentos</em>.&#8221;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>A felicidade do homem consiste em fazer o que é próprio do homem. E é próprio do homem o trato benevolente com seus semelhantes, o menosprezo dos movimentos dos sentidos, o discernir as ideias que inspiram crédito, a contemplação da natureza do conjunto universal e das coisas que se produzem de acordo com ela</em>.&#8221;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;A dor, ou é um mal para o corpo, e em consequência que a manifeste, ou para a alma. Mas a ela lhe é possível conservar sua própria serenidade e calma, e não opinar que a dor seja um mal. Porque todo juízo, instinto, desejo e aversão estão dentro, e nada se remonta até aqui.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Apague as imaginações dizendo a ti mesmo continuamente: “agora de mim depende que não se instale nessa alma nenhuma perversidade, nem desejo, nem, em resumo, nenhuma perturbação; entretanto, contemplando todas as coisas tal como são, sirvo-me de cada uma delas de acordo com seu mérito&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Tu de alguma maneira te excluíste da união com a natureza, pois dela formavas parte por natureza. Mas agora tu mesmo te separaste. Entretanto, tão admirável é aquela, que te é possível unir-te de novo a ela. A nenhum outro membro permitiu Deus separar-se e desgarrar-se, para reunir-se de novo. Mas examine a bondade com a qual Deus honrou o homem. Pois em suas mãos deixou a possibilidade de não separar-se absolutamente do conjunto universal e, uma vez separado, a de reunir-se, combinar-se em um todo e recobrar a posição de membro.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;A nenhum homem pode acontecer algo que não seja natural do humano, nem a um boi que não seja próprio do boi, nem a uma videira algo que não seja próprio da videira, nem a uma pedra o que não seja próprio da pedra. Depois se a cada um lhe acontece o que é habitual e natural, por que te incomodarás? Porque nada insuportável te infligiu a natureza comum.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;<strong>Se te afliges por alguma causa externa, não é ela o que te importuna, mas o juízo que fazes dela. E depende de ti apagar esse juízo</strong>. Mas se te aflige algo que se encontra em tua disposição, quem te impede de retificar teu critério? E de igual modo, se te aflige por não executar essa ação que te parece sã, por que não a colocas em prática em vez de afligir-te? “Mas o obstáculo é maior que eu”. Não te aflijas, pois, dado que não é tua a culpa de que não o executes. “Mas não mereço viver se não o executo”. Vá, pois, da vida tranquilamente, da maneira que more o que cumpre sua missão, indulgente com os que te colocam obstáculos&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Nem sejas negligente em tuas ações, nem dificultes tuas conversações, nem em tuas imaginações andes sem rumo, nem, em resumo, pressiones tua alma ou te disperses, nem no transcurso da vida estejas excessivamente ocupado. Matam-te, despedaçam, perseguem com maldições.<strong> Que importa isso para que teu pensamento permaneça puro, prudente, sensato, justo?</strong> Como se alguém ao passar junto a uma fonte cristalina e doce, e insultasse; nem por isso deixa de brotar potável. Ainda que se jogue barro, esterco, rapidamente os dispersará, se libertará deles e de nenhum modo ficará manchada. Como, pois, conseguirás ter uma fonte perene, e não um simples poço? Caminhe em todo momento à liberdade com benevolência, simplicidade e modéstia&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>O que não sabe o que é o mundo, não sabe onde está. E o que não sabe para que nasceu, tampouco sabe quem é ele nem o que é o mundo. E o que esqueceu uma só dessas coisas, tampouco poderia dizer para que nasceu. Quem, pois, parece-te que é o que o elogio dos que aplaudem, os quais nem conhecem onde estão, nem quem são?&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Para minha faculdade de decisão é tão indiferente a faculdade decisória do vizinho com seu hálito vital e sua carne. Porque, apesar de que especialmente nascemos uns para os outros, contudo,<strong> nosso individual guia interior tem sua própria soberania</strong>. Pois, em outro caso, a maldade do vizinho iria se certamente um mal meu, coisa que Deus não estimou oportuna, a fim de que não dependesse de outro o tornar-me feliz.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Quem transgride a lei, fere a si mesmo; quem comete uma injustiça, comete contra si mesmo, e a si mesmo se torna mau&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Possuir comportamento íntegro, conter o instinto, apagar o desejo, conservar em ti o guia interior&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Não te esforce como um desventurado, nem como quem quer ser compadecido ou admirado; que antes seja teu único desejo agir de acordo com justiça em função do Todo.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;A perda não é outra coisa que uma transformação. E nisso se regozija a natureza do conjunto universal. Segundo ela, tudo acontece para a eternidade. Sempre aconteceu e continuará acontecendo até o infinito. Por que, então, dizes que todas as coisas se produziram mau?&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Depois de merecer tais epítetos: bom, reservado, veraz, prudente, resignado, magnânimo, procura não trocar nunca de nome, e, se perderes ditos nomes, empreende um resgate a toda pressa. E tenha presente que o termo “prudente” significa em ti a atenção para captar cabalmente cada coisa e a ausência de negligência; o termo “resignado”, a voluntária aceitação do que atribui a natureza comum; “magnânimo”, a supremacia do espírito sobre as convulsões suaves ou violentas da carne, sobre a vangloria, a morte e todas as coisas desta índole. </em></p><p><em>Portanto, se aposse destes nomes, sem desejar ser chamado assim por outros, serás diferente e entrarás em uma vida nova. Porque, continuar sendo o que foste até agora, e em uma vida como esta, ser desgarrado e impuro é muito próprio de um ser insensato, apegado à vida e semelhante aos gladiadores devoradores que, coberto de feridas e de sangue misturado com pó, apesar disso, suplicam que os deixem viver para o dia seguinte, a fim de serem jogados no mesmo estado às mesmas garras e mordidas das feras. </em></p><p><em>Busca, pois, a obtenção destes poucos nomes. E se consegues permanecer neles, fica onde estás , como transportado a umas ilhas dos bem-aventurados. Mas se fracassas e percebes que não os possuis, busca impetuosamente algum retiro onde possa reconquistar De outra feita, sai de vez da vida, não enfurecido, mas simples, livre e modestamente, tendo feito ao menos uma boa coisa na tua existência: essa partida. Para jamais esqueceres essas virtudes, será muito útil a lembrança dos deuses, que não gostam que os bajulem, mas sim, que os imitem os seres racionais. Assim, que a figueira se conduza como figueira, o cão como cão, o homem como homem.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Adquire um método para contemplar como todas as coisas se transformam umas nas outras; e sem cessar, aplica e exercita a filosofia, já que nenhuma outra eleva a alma. Quem se dedica como quem se despiu de seu corpo, considerando que dentre e breve deverá abandonar todas estas coisas e afastar-se dos homens, entrega-se inteiramente à justiça nas atividades que dependem dele, e à natureza do conjunto universal. O que se dirá dele, ou o que se imaginará, ou o que se fará contra ele, não o preocupa, pois só estas duas coisas busca: fazer com retidão o que atualmente lhe compete e amar a parte que agora lhe atribuída, renunciando a toda atividade e afã. E não quer outra coisa que não seja cumprir com retidão segundo a lei e seguir a Deus que se movimenta pelo reto caminho&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Que necessidade de receios, quando te é possível examinar o que deves fazer? Caso veja em o rumo, caminha por este caminho tranquilamente e sem desvios ou receios. Mas, caso contrário, detenha e recorre aos mais sábios; e acaso outras diversas travas criem obstáculos à missão a que te conduz, segue adiante segundo os recursos ao teu alcance, tendo presente em teus cálculos o que te parece justo. Porque o melhor é alcançar este objetivo, e o contrário é causa de todos os males. Tranquilo e entretanto resoluto, alegre e entretanto sério é aquele que segue sempre a razão.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Esta reflexão farás perto da morte, e te despedirás deste mundo com ânimo bastante mais plácido se te fizer essas considerações: “Deixo uma vida na qual até meus concidadãos, por quem tanto trabalhei, tantos votos fiz, tantos cuidados passei, chegam a desejar a minha ausência, esperando que dela lhes venha algum proveito”. Então, qual motivo me faz demorar mais aqui? Mas não por isso deves ser menos benevolente com eles; antes bem, conserva teu próprio caráter: amistoso, benévolo, favorável, e não, ao contrário, como se fosse arrancado daqui, mas sim, do mesmo modo que em uma boa morte a alma se desprende facilmente do corpo, assim também deves preparar-te tua viagem daqui. Porque foi com eles que a natureza te uniu. “Mas agora te separa deles”. Separo-me de meus íntimos sem oferecer resistência, sem violência. Porque também isto é um dos fatos conforme à natureza.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Em toda ação feita por qualquer um, acostume- te, na medida de tuas possibilidades, a perguntar-te: “Com que finalidade realiza essa ação?”. Mas começa primeiro contigo mesmo. Examina primeiro as tuas ações&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Realizei algo útil à comunidade? Ou só a mim mesmo servi? Sempre reflita sobre estas duas ideias para te ajudar a perseverar no bem&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Um ramo que se separa do seu vizinho, também se separa da árvore inteira. De igual modo, um homem, ao ficar separado de um homem, ficou excluído da humanidade inteira. Em efeito, um ramo é arrancado por alguém, enquanto o homem se separa ele mesmo de seu vizinho quando lhe odeia e sente aversão, e não se dar conta de que se afastou ao mesmo tempo da sociedade inteira&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Aqueles que são obstáculos à tua reta razão não poderão te impedir de agir, nem te induzir a desviar-te da prática do bem. Pelo contrário, mantém-te firme em relação a ambas as coisas : não só mantendo-se inabalável na firmeza de teus juízos e atos, como também na mansidão com os que tentam te pôr dificuldades, ou te incomodam. Porque é também sinal de debilidade zangar-se com eles, e de igual modo o ceder e acovardar, pois aquele que se amedronta e o que renega seus naturais parentes e amigos, são ambos desertores.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Porque quem não for indiferente às coisas sem importância, quem se deixar levar pelas aparências, quem for precipitado ou leviano em seus julgamentos, não pode ser considerado justo&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Não são as coisas que te perturbam com temor e cobiça que te buscam, mas és tu que as buscas. Se com serenidade contemplares, também essas coisas se tranqüilizarão, e não serás mais atormentado pelo temor e a cobiça&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Dizer a alguém: “resolvi ser franco contigo” é uma corrupção, pura hipocrisia. Que fazes, homem? Para que esse preâmbulo? Pelas provas será comprovado, sem necessidade de palavras<strong>. Na tua fronte está inscrita o que dizes, pois é coisa de tal natureza que transparece nos olhos, no simples olhar. O home bom e virtuoso é percebido assim que se aproxima, quer queira ou não.</strong> Mas a afetação da simplicidade é uma arma de duplo fio. Nada é mais abominável que a amizade do lobo. Acima de tudo evita isso. O homem bom, singelo e benévolo tem estas qualidades nos olhos e não as ocultam.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Principalmente devemos guardamo-nos, sem cessar, de quatro separações do guia interior; e quando as descobrir, deves apartá-las falando com cada uma delas nestes termos: “Esta ideia não é necessária, esta é degradante da sociedade, esta outra que vais manifestar não surge de ti mesmo”. Porque manifestar o que não provém de ti mesmo, considera-o entre as coisas mais absurdas.<strong> E a quarta separação, pela que reprovarás a ti mesmo, consiste em que a parte mais divina que se acha em ti, esteja submetida e inclinada à parte menos valiosa e mortal, a de teu corpo e de teus rudes prazeres&#8221;</strong></em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Ao beijar teu filho, dizia Epíteto, deve dizer-te: “Amanhã talvez morra.” “Isso é mau presságio”. “Nenhum mau presságio, respondeu, a não ser a constatação de um fato natural, ou também é mau presságio ter segado as espigas.”</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Todos os objetivos que desejas alcançar em teu progresso, podes já os ter se não prejudicar a ti mesmo. Quer dizer: caso abandones todo o passado, deposita na providência o futuro e cuida apenas do presente, segundo as regras da piedade e da justiça, exclusivamente. Para a piedade, que ame o destino que te foi atribuído, pois a natureza te proporcionava isso e foste escolhido para isto. Para a justiça, diz a verdade livremente e sem artifícios e faça as coisas conforme à lei e de acordo com a importância das coisas, não te permitindo deter pela malícia alheia nem pela opinião ou discursos de quem quer que seja, tampouco pelos apelos das sensações do corpo que te aprisiona.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Deus vê as almas em sua pureza, livres de todos seus envoltórios materiais, de suas cascas e de suas impurezas; porque graças a sua inteligência exclusiva, tem contato só com as coisas que derivaram e emanaram dele, desde o princípio. E se também te acostumas a fazer isso, diminuirás muito os teus anseios. Pois o que não se dedica em atender o envoltório de carne que lhe circunda, não perderá tempo contemplando vestidos, casa, fama, ou outros adornos supérfluos&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Muitas vezes me perguntei, com admiração, como cada um leva mais em consideração a opinião dos outros do que a de si mesma. E, por exemplo, se um Deus ou um sábio mestre ordenasse a alguém que refletisse o seu interior e traduzisse em palavras tudo quanto concebesse ou pensasse, nem sequer um só dia aguentaria, tanto prezamos mais pela opinião dos outros do a nossa.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Grande é o homem que cuida de não fazer o que vai contra a divindade, e aceitar tudo o que Deus lhe atribua. Isso é estar em harmonia com a natureza!&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Não deves te queixar dos deuses; porque nenhuma falta cometem voluntária ou involuntariamente. Tampouco se queixar dos homens, porque não falham voluntariamente. Dessa maneira, a ninguém deves te queixar.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Ou uma necessidade do destino e uma ordem inviolável, ou uma providência compassiva, ou um caos fortuito, sem direção. Se, pois, trata-se de uma necessidade inviolável, a que oferece resistência? E se uma providência que aceita ser compassiva, faça a ti mesmo merecedor do socorro divino. E se um caos sem guia, conforma- te, porque em meio de um fluxo de tal índole dispõe em seu interior de uma inteligência guia. Embora o fluxo te arraste, arraste tua carne, teu sopro vital, e o resto, porque não arrastará tua inteligência.&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Se algo não é justo, não o faz; se não for verdade, não o diga; provenha de ti este impulso</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Em breve ninguém estará mais em nenhuma parte, nem tampouco verás nenhuma dessas coisas que agora estás vendo, nem nenhuma dessas pessoas que na atualidade vivem. Porque todas as coisas nasceram para transformar-se, alterar-se e destruir-se, a fim de que nasçam outras a seguir&#8221;</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Sempre que te incomodares com algo, estás esquecendo que tudo se produz de acordo com a natureza do conjunto universal, e também que a falta é alheia a esse conjunto. Além disso, que tudo o que está acontecendo, assim sempre acontecia e acontecerá, agora e em qualquer parte. O homem se liga a todo gênero humano não pelo sangue ou pelo nascimento, mas pela comunhão da inteligência. E esqueces deste modo que a inteligência de cada um é um deus e emana da divindade. Que nada é patrimônio particular de ninguém; antes bem, que filhos, corpo e também a mesma alma vieram de Deus. Esqueces também que tudo é opinião; que cada um vive unicamente o momento presente, e isso é o que se perde.</em>&#8220;</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>A salvação da vida consiste em ver inteiramente o que é cada coisa em si mesma, qual é sua matéria e qual é sua causa. Em praticar a justiça com toda a alma e em dizer a verdade. O que fica então a não ser desfrutar da vida, travando uma boa ação com outra, até o ponto de não deixar entre elas o mínimo intervalo?</em>&#8220;</p></blockquote>


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