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Como o Amor Próprio Desordenado Está Destruindo a Sua Vida (O Vício da Filáucia)

Tempo de leitura: 9 min

Escrito por Davi Klein
em fevereiro 8, 2026

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“A pessoa que é capaz de buscar algo além de si não vive só em busca de si mesma.” Luis Enrique Carmelo 

“Na verdade, o excessivo amor de si é em cada homem a fonte de todas as ofensas” – Platão

“O excessivo amor a si próprio leva o homem a idolatrar-se em seu próprio coração e o impede de amar a Deus e ao seu próximo, induzindo-o a transgredir os dois primeiros grandes mandamentos que abarcam toda a vontade do eterno Deus” – Louis Francescon

Vivemos nessa época de discursos baratos sobre autocuidado, autoestima, que distorcem a noção daquilo que é a pessoa humana e o caminho para a sua verdadeira realização.

O ser humano tem uma capacidade específica, que faz parte do seu próprio modo de ser, a autotranscendência, a capacidade do ser humano de ir além de si mesmo (esquecer de si mesmo) e ir em direção (se entregar) a algo ou alguém. 

Um dos aspectos dessa autotranscêndencia é justamente essa abertura para o mundo. Frankl diz que estamos em “um mundo denso de outros seres a encontrar e de significados a realizar”

A natureza humana permanecera ininteligível enquanto se reduzir tudo do comportamento do homem a mera operação instintiva e pulsional, como um ser que busca apenas satisfazer às suas necessidades e instintos. 

O que é específico do homem é a capacidade de autotranscendencia, que se expressa nessa capacidade do homem elevar-se, de ir além de si, de sair de si. A essência do ser humano se revela quando ele vai além de si mesmo. Significa dirigir-se para algo além de si, algo que não seja o próprio eu. A essência da existência humana está radicada na sua autotranscendência: “A existência humana não é autêntica se não for vivida em termos de autotranscendência” Frankl

Liberdade da vontade – a pessoa é livre para dar forma ao seu próprio caráter, sendo responsável pelo que faz de si mesma (…) É a capacidade de posicionar-se dessa maneira que faz de nós seres humanos.  Não somos seres determinados e dirigidos por impulsos e estímulos, somos capazes de responder, somos seres responsáveis, um ser capaz de decidir e se posicionar em frente a tais estímulos. 

Ser humano concebido como um ser que decide, um ser que responde (ele não é impelido pelo id e nem pelo superego). O ser humano não é um ser robotico, automato, um fantoche que simplesmente reage a impulsos internos e externos. Ele é um ser “decididor”, capaz de se posicionar frente aos seus condicionantes e determinismos. 

“Ser homem significa, de per si e sempre, dirigir-se e ordenar-se a algo ou alguém, entregar-se o homem a uma obra a que se dedica, a um homem que ama, ou a Deus a quem serve” Frankl 

Por isso, o ser humano “só chega a se realizar quando se esquece e se supera a si mesmo” Frankl

A autotranscendência arranca o homem de uma vida meramente impulsiva e fechada, uma vida vivida somente em função de si mesma. Quando falta ao homem a capacidadade de sair de si mesmo e ele se fecha de maneira egoísta nas próprias necessidades, quando ele se coloca como o centro do universo ou até mesmo de sua própria existência, buscando apenas seus interesses, sem um mínimo movimento de abertura, é possível afirmar que a existência está declinando, assumindo um lugar mais baixo no podium dos seres viventes.

O egoísmo é um movimento do psiquismo que invade impulsivamente a alma, solicitando que ela se curve diante da busca de si mesma. Essas buscas desordenadas de si afastam o ser humano daquilo que é essencial para uma vida saudável, sã e santa, rebaixando-a a um nível sub-humano, assemelhando-se a um animal irracional.

“Somente na medida em que alguém vivencia essa autotranscendência da existência humana, essa pessoa se torna verdadeiramente humana e se torna o seu verdadeiro eu. Ela se torna assim não por se preocupar com a sua própria autorrealização, mas por se esquecer de si mesma e se doar, por se desapegar de si mesma e se voltar para o exterior.” Viktor Frankl

Frankl ao falar desta dinâmica própria da pessoa humana, a autotranscendência, utiliza a analogia do olho. Para que foi feito o olho? A que se presta? Para ver a realidade, para enxergar o mundo, para captar aquilo que está fora, para além dele próprio. Certo? Pois bem, e se porventura nosso olho deixa de ver a realidade, o mundo lá fora, e passa a ver a si próprio? Neste caso, afirma Frankl, a pessoa está enferma, e possivelmente está com um glaucoma ou uma catarata. Ver algo de si não é próprio deste órgão,não é o estado saudavel dos nossos olhos. Deste mesmo modo podemos conceber a pessoa humana: ela não foi feita para si mesma, ela se experimenta neste mundo como uma espécie de dom, algo que deve ser ofertado. E mais, ela só é capaz de dar conta de si mesma e caminhar por esta via do desenvolvimento humano quando compreende que ela é este ser de abertura que busca lá fora, no mundo e nas outras pessoas, às respostas e o sentido que não residem nela mesma.

Visto que é no mundo que os valores são encontrados, um excesso de autoanálise e autoobservação atrofiar a capacidade do ser humano de autotranscendência.

Frankl também utiliza a analogia do avião para ilustrar a natureza do ser humano e como ela se distingue dos outros animais. Um avião, assim como um outro veiculo qualquer, pode se deslocar pela pista. Porém, o avião só ira revelar a sua natureza, sua excelência, ele só ira se realizar quando alçar voo, decolando e indo para os ares. 

“Se quero me tornar o que posso, então preciso fazer o que devo. Se quero me tornar eu mesmo, então preciso realizar tarefas e exigências concretas e pessoais. Se o homem quer chegar ao seu próprio ser, se ele quer chegar a si mesmo, então o caminho passa pelo mundo”

Kierkegaard, buscando alertar-nos para esta realidade ira dizer, utilizando-se de uma simples metáfora, que é como se a felicidade que tanto buscamos estivesse numa maravilhosa sala onde, evidentemente, desejamos entrar. Porém, muitos tentam abrir a porta desta sala para dentro, puxando a maçaneta para si, e, quanto mais força fazem e quanto mais tentam abri-la, tanto mais se frustram e fecham, pois esta porta se abre para fora. A experiência cotidiana nos revela exatamente isso, pois de algum modo sabemos que a procura de si mesmo traz a perda de si mesmo, e a realização de si, tão cobiçada e desejada por todos nós, só surge quando estamos dispostos a perder, abrir mão, entregando-nos a algo ou alguém, de modo livre e autêntico. 

Este olhar muito atento e preocupado consigo mesmo acaba por revelar às tendências egocêntricas, neuróticas e narcisistas e autorreferentes. Com frequencia, passamos a conceber os outros como meros meios para obtenção de nossos prazeres e o mundo como um espaço para satisfazer às nossas necessidades basilares. Tornam-se pessoas mesquinhas, ensimesmadas, dinheiristas, hedonistas, doentes, sim, doentes, pois aquilo que frustra nossa dinâmica própria nos adoece!

Neste caminho se faz necessário um descuidar de si mesmo para então concentrar os pensamentos no além de si. Mas esse esquecimento não é algo que aponta para um desleixo, um abandono irresponsável de si mesmo.  Iso em nada está em desacordo com aquilo que poderiamos chamar de um amor próprio – no sentido mais exata e profundo do termo, pois sou tão mais responsavel, cuidadoso e amoroso comigo próprio quanto mais eu vivo endereçado a verdade e agindo de modo humano. Isso posto, podemos dizer que amar-se é, em ultima instância, entregar-se.

A confusão que presenciamos hoje está em pensarmos que uma pessoa que tem amor próprio é aquela que vive num movimento continuo de autobajulação, de “automimo”, de satisfação dos prazeres, experimentando tantos hobbies e divertimentos quanto se possa suportar, deve-se ainda, fazer pouco caso dos outros e não se responsabilizar por ninguém. Isso para muitos soa como liberdade e amor, mas na verdade não passa de um caminho de despersonalização, com ações libertinas e irresponsáveis. Deixando de amar, servir e se entregar ao mundo no fiel cumprimento dos seus deveres, logo estarão cheias de vazio e odiando-se a si mesmas.

Somos levados a crer que tudo seria melhor se vivessemos mais solitários, se pensassemos mais em nós, se não dessemos tanto espaço aos outros em nossas vidas. É evidente que há pessoas que entram em relacionamentos abusivos e sofrem às consequências de viver uma vida inautentica porque permitiram que os outros passassem a decidir por elas e a viver sua vida. É claro que devemos saber quando, de que modo e quem são aqueles que devemos servir. Autotranscendência não é sinonimo de abuso ou irresponsabilidade, mas é antes aquilo que nos eleva, que nos promove e que deveria ser o nosso modo habitual de agir. 

Este é um amor autodestrutivo, um amor de si contra si, um amor filaucia, como diriam os gregos. Você, erroneamente, se ama tanto, se poupa tanto, que acabará por se destruir por completo. A filáucia é a origem de todas às desordens, de todos os vícios capitais. O amor verdadeiro está na oferta genuínca e responsável que fazemos de nós mesmos. 

“Só na medida em que nos entregamos, nos sacrificamos e nos abandonamos ao mundo e aos deveres e exigências que a partir dele se introduzem em nossa vida, só na medida em que nos importa o mundo externo e os objetos, porém não nós mesmos ou nossas próprias necessidades, só na medida em que cumprimos com nossas obrigações e exigências e realizamos sentidos e valores, nesta medida realizamos a nós mesmos” – VIktor Frankl

Agir de maneira autotranscendente nos coloca na direção de realizações e de pessoas a quem podemos dedicar cuidado, atenção, gestos de carinho e solidariedade. Existem movimentos existenciais que nos dirigem as necessidades dos outros, que nos impelem a entregar, através de nossas competencias e habilidades, generosidade ao mundo. Tais “movimentos existenciais” são provenientes de uma noodinâmica, uma força que gera em nós a capacidade de renunciar (a nós mesmos) para nos dedicar a algo ou alguém, para servir e abrir mão da necessidade de ser servido, para amar e abrir mão da necessidade de ser amado, para oferecer sem esperar nada em troca.

“Aquilo que tenho chamado de autotranscendência da vida está indicando o fato fundamental que “ser homem significa estar em relação com alguma coisa ou com alguém diferente de si, seja isso um significado a ser realizado ou outros seres humanos a encontrar. E a existência vacila e desmorona se não for vivida essa qualidade de autotranscendência” – Viktor Frankl

Ao fim e cabo, o que todos nós precisamos é nos colocar neste mundo como aqueles dispostos a servir, a multiplicar nossos talentos, a gerar riqueza, a se deixar amar e amar de volta, a se deixar impactar pela beleza desse mundo e promover a beleza, a fazer uma experiencia com a verdade e transmití-la, em suma, nunca nos contentando apenas em receber, mas sempre dispostos a dar (não simplesmenet dando algo, mas dando a si mesmo em tudo o que fizer). 

Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” Filipenses 2:4

Em tudo o que fiz, mostrei a vocês que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber” Atos 20:35

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