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Autotranscendência | O Ser Humano Não Nasceu Para Ficar Preso Em Si Mesmo

Tempo de leitura: 11 min

Escrito por Davi Klein
em janeiro 19, 2026

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Quanto mais autotranscendente, mais livre, mais responsável, mais amável, mais elevado, mais humano” – Luis Enrique Carmelo

“Somente na medida em que alguém vivencia essa autotranscendência da existência humana, essa pessoa se torna verdadeiramente humana e se torna o seu verdadeiro eu. Ela se torna assim não por se preocupar com a sua própria autorrealização, mas por se esquecer de si mesma e se doar, por se desapegar de si mesma e se voltar para o exterior.” Viktor Frankl

“É a abertura para o todo e para o infinito que faz com que o ser humano seja humano. O homem é homem porque se ultrapasse infinitamente a si mesmo, e por isso, é tanto mais homem, quanto menos fica fechado em si” – Ratzinger.

A maior parte dos textos desse post a respeito da capacidade de autotranscendência do ser humano, sendo esta capacidade aquilo que nos torna verdadeiramente humanos, veio do livro ” O homem e a busca de sentido: Um guia para entender Viktor Frankl” do Luis Enrique Carmelo.

Recomendo muito a aquisição do livro para você entender melhor sobre a vida e o pensamento do Viktor Frankl, o criador da logoterapia.

Dito isso, vamos começar essa investigação sobre a capacidade de autotranscendência do ser humano com a seguinte pergunta: O que de fato é ser humano?

Para o Viktor Frankl, ser humano significa ser para “além de si“. Ele não seria apenas as suas características físicas e suas necessidades psiquicas (o seu organismo psicofísico). Ele diz “A autotranscendência é a essência da nossa existência”.

Podemos estudar o ser humano na sua dimensão biológica, mas ela sozinha jamais revelará toda a realidade do ser humano. A mesma coisa pode ser dita em relação a dimensão sociologica, pois ela, por si só, também não consegue explicar a totalidade do ser humano. Da mesma forma, não é possível reduzir o ser humano somente a sua dimensão psicologica, como se ele fosse definido e determinado por ela. Esse tipo de visão do “psicologismo” é a de um ser humano sem liberdade, egocêntrico e fechado em si mesmo.

Uma das maiores belezas da logoterapia, a psicoterapia centrada no sentido (ou a partir do espírito) é a compreensão elevada da pessoa humana. A logoterapia é um verdadeiro tratado de humanidade, pois retrata o ser humano a partir de sua dimensão mais elevada e propriamente humana.

Viktor Frankl era um critico do reducionismo, um modo de enxergar a realidade que considera o ser humano como se ele fosse unicamente a sua psique (psicologismo), que reduz a totalidade do ser humano somente a um minusculo aspecto dele, ignorando a sua dimensão noética (espiritual), que é a dimensão específica que nos diferencia do restante dos animais (uma dimensão que só o ser humano tem).

Frankl critica o reducionismo presente em praticamente todas as escolas de psicologia da modernidade. Para ele, essas escolas enxergam o homem como um ser que busca somente a satisfação de suas necessidades e deixam de lado aquilo que é o especifico do homem: sua busca pelo sentido, sua capacidade de esquecer-se a si mesmo e se entregar a uma tarefa, a um outro a quem possa amar, ou a um Deus a quem se possa servir.

Ele era um critico das chamadas teorias psicodinamicas, que procuram explicar toda a realidade do ser humano a partir da dinâmica psiquica/aspectos psiquicos. Nessa pespectiva, o ser humano nada mais é do que a sua psique, sendo seu objetivo principal a satisfação de suas necessidades, pela satisfação de nossos impulsos (que nos levam a agir). É uma visão do ser humano muito animalesca, como ser fosse um ser dominado pos pulsões e instintos.

Porém, para Frankl, o que é específico do ser humano não é o ser biológico, psiquico ou social, mas sua sua capacidade de elevar-se, existir, de ser para além de si, de elevar-se para além desses modos de ser que constituem a sua faticidade, seu organismo psicofísico. O modo específico do ser humano o capacita a ir além de si mesmo.

Para Frankl, o que diferencia o ser humano dos outros seres viventes é a espiritualidade. O nosso modo próprio de ser pessoa é ser pessoa espiritual

O que é específico do homem é a capacidade de autotranscendencia, que se expressa nessa capacidade do homem elevar-se, de ir além de si, de sair de si. A essência do ser humano se revela quando ele vai além de si mesmo. Significa dirigir-se para algo além de si, algo que não seja o próprio eu.

Enquanto nas teorias psicodinâmicas o homem busca a satisfação de suas necessidades, a busca pelo prazer e a busca por si mesmo, a logoterapia diz que o homem na verdade se orienta na vida em busca de algo que tenha um sentido para ele, que lhe dê uma razão para sua vida, para sua existência, e que lhe diga: vale a pena viver por isto!

Ou seja, o ser humano é capaz de ir além de si e se autotranscender para encontrar algo, uma tarefa para realizar, uma missão, uma causa que ele perceba que é importante, ou é capaz de ir além de si para encontrar alguém, uma pessoa para amar, que ele pode reconhecer como pessoa. É próprio do ser humano viver por algo ou alguém.

A pessoa que é capaz de buscar algo além de si não vive só em busca de si mesma. O ser humano não é um ser que somente busca a satisfação das suas necessidades, que busca o prazer ou o poder; na realidade, primariamente, ele busca preencher o máximo possível de sua vida de sentido. Ele busca sentido e é movido, essencialmente, por uma vontade de sentido.

A autotranscendencia é a dinâmica própria da vontade de sentido que move a pessoa para além de si mesma, que a ordena e a orienta para o mundo. O dinamismo espiritual da pessoa é um dos seus atributos humanos mais essenciais, uma vez que arranca de uma vida meramente impulsiva e fechada, em função de si mesma.

Quando falta ao homem a capacidadade de sair de si mesmo e ele se fecha de maneira egoísta nas próprias necessidades, quando ele se coloca como o centro do universo ou até mesmo de sua própria existência, buscando apenas seus interesses, sem um mínimo movimento de abertura, é possível afirmar que a existência está declinando, assumindo um lugar mais baixo no podium dos seres viventes.

O egoísmo é um movimento do psiquismo que invade impulsivamente a alma, solicitando que ela se curve diante da busca de si mesma. Essas buscas desordenadas de si afastam o ser humano daquilo que é essencial para uma vida saudável, sã e santa, rebaixando-a a um nível sub-humano, assemelhando-se a um animal irracional.

Agir de maneira autotranscendente nos coloca na direção de realizações e de pessoas a quem podemos dedicar cuidado, atenção, gestos de carinho e solidariedade. Existem movimentos existenciais que nos dirigem as necessidades dos outros, que nos impelem a entregar, através de nossas competencias e habilidades, generosidade ao mundo. Tais “movimentos existenciais” são provenientes de uma noodinâmica, uma força que gera em nós a capacidade de renunciar (a nós mesmos) para nos dedicar a algo ou alguém, para servir e abrir mão da necessidade de ser servido, para amar e abrir mão da necessidade de ser amado, para oferecer sem esperar nada em troca.

A vida humana tem por essência essa abertura, e tudo que provoca fechamento aumenta desumanização. Além disso, tudo o que eleva o ser humano e o coloca no lugar que nasceu para ocupar (de pessoa) devolve a humanidade do homem.

E essa capacidade significa que o ser humano é livre, não sendo simplesmente o resultado daquilo que o determina biológica, psiquica ou socialmente, que o determina enquanto faticidade, enquanto organismo psicofísico. Ele é capaz de se elevar e assumir uma atitude diante de si mesmo, diante dos fenômenos biológicos, psíquicos ou sociais, enfim, diante de sua faticidade, da qual a liberdade não participa.

Muitas vezes nos sentimos reféns de nossas próprias emoções e instintos, ou das influências das circunstâncias de nossa vida, porém, precisamos nos dar conta de que, enquanto humanos, sempre podemos nos posicionar diante do que sentimos, diante das situações, e decidir como agir. Não decidimos, por exemplo, quando vamos sentir fome ou quando vamos morrer. Mas, a partir dessa realidade que está determinada, podemos nos elevar, e nos posicionarmos diante do nosso próprio eu.

Por exemplo, podemos sentir raiva quando alguém nos agride, essa emoção é um fenômeno próprio da nossa faticidade, porém não determina a nossa ação. Podemos decidir como agir, se vamos agredir também ou agir de outra forma diferente, apesar do que estamos sentido.

Como seres humanos, portanto, não somos livre “de” sermos impulsionados ou condicionados. Mas, ao mesmo tempo, somos livres “para” nos posicionar, decidir, adotar uma atitude. E isso significa que não somos frutos dos condicionamentos, mas damos nossa resposta pessoal diante deles, somos livres para sermos responsaveis. E ser responsável significa ser capaz de responder, de escolher qual resposta dar.

O ser humano, portanto, não é um “efeito, produto ou resultado” de impulsos psiquicos, condicionamentos e influencia do meio.

Ele não nega os dinamismos intrapsiquicos que existem no homem, mas começa a entender que existe no homem algo a mais, que há no homem uma dimensão espiritual, que o faculta a viver de modo livre e responsável, que faz com que não sejamos simplesmente frutos de nossos meios ou reféns dos nossos mecanismos psiquicos e, portanto, determinados por uma dimensão psicologica, sociológica ou biológica.

Para Frankl, o ser humano não é apenas um corpo e o psiquismo, ele é uma totalidade dos modos de ser bio-psico-social-espiritual. Na perspectiva de Frankl, a dimensão espiritual é a essência, é como o núcleo no ser humano, mas é inseparável do ser biológico e psiquico.

De um lado temos as dimensões biológicas e psíquicas e do outro a dimensão noética, cada qual com o ser modo de ser no mundo. É proprio da dimensão noética algumas realidades ontológicas que vão na contramão do modo ser do organismo biopsiquico.

E no que constitiria essa dimensão noética?

Nessa dimensão, estão os recursos necessários para que a pessoa seja capaz de enfrentar as adversidades, posicionar-se frente aos destinos biológicos, psiquicos e sociais, e se colocar acima das adversidades, das doenças, dos traços de temperamento e caráter, da herança genética, das vulnerabilidades do ambiente, das carências e das inclinações pessoais. Também encontra-se a liberdade para tomar decisões, fazer escolhas e contrariar-se quando necessário, pois ser livre não é somente decidir pelo que é mais agradável ou satisfatório, mas também é ser capaz de se opor aos próprio desejos e necessidades. A responsabilidade e a consciência também estão nessa dimensão espiritual, bem como as inquietações existenciais que nos colocam no caminho da busca pelo sentido.”

Somos constituidos de uma parte que nos é dada, também chamada de faticidade, ou destino, como o nosso destino biológico ou social (ex: recebemos uma dimensão psiquica, um certo temperamento e personalidade, determinadas aptidões, etc) e também temos uma parte espiritual, aquilo que podemos vir a ser, pois carregamos potencialidades e possibilidades que podem ser realizadas.

A boa notícia é que sempre podemos escolher como responder, mesmo diante das realidades que nos são dadas pela vida: temos um nome que não escolhemos, viemos ao mundo em uma família que não escolhemos, herdamos certos traços genéticos e temos uma constituiçao biopsíquica que não escolhemos, assim como não escolhemos passar por uma doença ou perder pessoas queridas. São muitas as realidades que não passam pelo nosso crivo, das quais, segundo Frankl, não somos “livres de”, mas sempre somos “livres para”, para escolhermos quais atitudes tomar diante do que nos foi “dado” pela vida.

Nenhum condicionamento tem o poder de nos pandeterminar. Não somos livres do condicionamento, mas somos livres para uma tomada de posição diante deles. O destino não dá a palavra final sobre quem somos!

De acordo com Frankl, a vida tem sentido porque podemos fazer algo com o que nos foi dado como dom. Porque somos chamados a realizar algo. Portanto, o sentido da vida está na própria vida. Está na própria história, está nas possibilidades da nossa existência. O sentido da vida reside na descoberta de como posso dar minha resposta diante do meu próprio contexto, diante daquilo que é próprio de minha história, de minha existência. O sentido da vida reside, portanto, na própria vida. Mas não está somente naquilo que recebi, está naquilo que posso responder, naquilo que posso fazer com aquilo que recebi.

O homem torna-se aquilo que faz de si

“O Homem é um ser que sempre decide, e que traz consigo as responsabilidades de descer ao nível animal, ou se elevar a vida do santo”

Sera que estamos sendo humanos? Pela liberdade da vontade, o homem pode escolher entre seguir cegamente seus instintos naturais, deixando a impulsividade animalesca tomar conta de nossos pensamentos e decisões, ou podemos agir de uma forma humana e madura.

“Se quiséssemos definir o homem, teriamos que caracterizá-lo como o ser que vai se libertando daquilo que o determina (enquanto tipo determinado biologicamente, psicologicamente e sociologicamente). Nunca o homem se confunde com a sua faticidade. É um ser que decide, porque é um ser-livre” Viktor Frankl

A espiritualidade consitui a existência e confere ao homem a possibilidade de agir com intencionalidade e ordenar sua vontade a algo mais elevado do que a própria imanencia.

Se viver somente em função de mim, de forma egocêntrica, buscando a satisfação de minhas necessidades, os meus interesses, não estarei vivendo o que é próprio da minha humanidade, de minha essência. E porque o ser humano precisa ir além de si para descobrir o sentido? Pois o sentido é objetivo, é algo que nos transcende. Está fora de nós. Está além de nossa subjetividade. O sentido não é uma ideia, não é so uma meta, um proposito que posso definir. O sentido está relacionado com o que a vida espera de mim. E precisamos ir além de nós para descobrí-lo. Dizendo de outro modo, o sentido está além da mera satisfação de nossas necessidades, de nossa busca egocêntrica. Ou seja, ele existe na concretude e nas situações objetivas da vida. Está além da dinâmica do nosso psiquismo, do nosso ego, o sentido nos transcende.

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