“Moral, em sua definição mais clássica, é a arte de viver bem. E que quer dizer viver bem? Viver bem quer dizer viver como é próprio de um homem, como um homem deve viver. Do mesmo modo como a pintura é a arte de pintar, a moral é a arte de viver como um ser humano.”
(Juan Luis Lorda)
No livro “Moral, a arte de viver” de Juan Luis Lorda, o autor nos mostra o que vem a ser a “moral”, chegando a definição de Santo Agostinho “Ars agendae vitae” (a arte de conduzir a vida) – a arte de viver bem, de viver como deve viver um ser humano.
Todo o conteudo desse artigo foi inspirado no livro acima, portanto, recomendo muito a leitura!
Infelizmente, a geração atual não acredita mais na existência de um modo de viver digno do homem. A civilização moderna costuma duvidar disso, de que exista um modo de viver moral e digno do homem e por isso não sabe educar. Sabe instruir, informar a criança de muitas questões (sobre a revolução francesa, o metabolismo humano, órbita dos planetas, etc), mas não sabe dizer a criança o que deve fazer com a sua vida. Nossa cultura se encontra em tal estado que não sabemos mais o que se deve transmitir aos mais jovens, insegurança na hora de ensinar o que consiste ser homem.
Se existe um modo de viver digno do homem, devemos fazer o possível para encontrá-lo.
Antes de mais nada, é importante entendermos que a maior parte de nosso ser nos foi dada e tem suas leis. Todo o nosso ser físico funciona de acordo com leis que não inventamos e que mal podemos modificar, só podemos descobrí-las. E o que acontece no âmbito física guarda um paralelo com o que acontece no âmbito espiritual, que é o âmbito do uso da liberdade.
Como saber o que é digno do homem? Como aprender a viver como um homem deve viver? O primeiro passo é, evidentemente, ter afeição pelas ações belas, admirar e imitar o que é bonito, desejar uma vida cheia de beleza. O amor a beleza, a dignidade da vida humana, desperta o sentido moral.
A estética das ações humanas é muito importante na educação moral. De certo modo, poderíamos dizer que a moral não é outra coisa que a estética do espírito: o bom gosto no que se refere ao comportamento humano.
Para Aristóteles, educar um homem era ensiná-lo a ter bom gosto no agir: amar o belo e odiar o feio. Os gregos pensavam que o mecanismo fundamental do ensinamento moral era a beleza. Por isso, queriam que os seus filhos admirassem e decidissem imitar os gestos heróicos da sua tradição pátria que a literatura e história lhes transmitiam.
A relação entre moralidade e beleza é evidente: ações boas são percebidas como belas e desejáveis, suscitam admiração e o desejo de imitá-las (ações heróicas por exemplo, todos percebem a beleza do gesto de quem arrisca a sua vida para salvar a de outro). Nessa ações grandiosas e heroicas do ser humano, é possível ver que ele é capaz de nobreza.
Já as ações más são vistas como feias, ignóbeis e inconvenientes. Elas suscitam uma rejeição espontânea. Não é preciso nenhum raciocínio para ver que é mau fazer sofrer um animal, ou, com maior razão, o ser humano. Tais ações são percebidas como feias, algo que desagrada a vista, que seria preferível não se ter visto ou praticado. É a sensação da fealdade.
Apesar do ceticismo atual a respeito da existencia de uma moralidade adequada ao ser humano, continua a ser verdade que existem ações belas e nobres e ações feias e ignóbeis.
Efetivamente, costuma-se advertir às crianças de que alguma coisa está errada dizendo-lhes que é feia. Educam-se moralmente às crianças fazendo-às sentir repugnância pelas ações más.
Porém, é possível perder o bom gosto. O bom gosto e o sentido moral natural podem deformar-se. Você começar a achar que ações más são boas, e que ações boas são más. Existem pessoas que acham que o belo é feio e o feio é belo.
“Ai dos que chamam o mal de bem e o bem de mal; que dizem que as trevas são luz e a luz, trevas; que afirmam que o amargo é doce e o doce é amargo!” Isaias 5:20
Dai, vemos a importância de educar nossos sentimentos. Os sentimentos bem educados sustentam a vida moral: dão-lhe estabilidade e consistência. Por isso, um aspecto fundamental da educação moral é a educação dos sentimentos: ensinar a amar a conduta reta e a sentir repugnância pela conduta desordenada. E o modo de educar esse amor e essa repugnância é mostra a beleza da conduta reta e a fealdade da conduta desleal.
Às coisas boas entram pelos olhos antes do que pela inteligência. Assim, diz Platão, o jovem “louvará com entusiasmo a beleza que tenha ocasião de observar, fá-la-á entrar na sua alma, alimentar-se-á dela e por esse meio virá a formar-se na virtude; em sentido contrário, olhará com desprezo e com uma aversão natural o que for vicioso. E como esses sentimentos se darão desde a mais tenra idade, antes de serem iluminados pela luz da razão, mal esta apareça, invadirão a sua alma e unir-se-ão a ela”. (República)
Além disso, precisamos aprender a cumprir o dever (aquilo que é correto e aquilo que a realidade nos exige) mesmo que não sintamos nada e mesmo que tenhamos até uma espécie de repugnância em fazer tal coisa. O costume de vencer-se e fazer o que se deve, com ou sem sentimentos, educa-os e torna-os mais ágeis para seguir determinações da vontade.
A Moral Cristã
Pelas diferentes culturas, mesmo que possuam diferentes moralidades, podemos ver algo em comum: uma preocupação moral comum – todos os povos entenderam que a parte mais importante da educação seria transmitá-la (a moral) ensinar os mais jovens a viver dignamente.
“Antes de pesquisar sobre outras moralidades de diferentes culturas, convido você a conhecer a moral cristã, pois é uma moral que já se experimentou. É a moral com a qual o Ocidente surgiu e da qual ainda vive, e é a moral mais universal de todas, porque cehgou a todos os lugares do mundo: pessoas de todas as culturas a viveram e vivem. É por isso, sem dúvida alguma, a moral mais importante que já existiu. É claro que isto não basta para demonstrar que seja a verdadeira moral, mas é um bom argumento para convidar a conhecê-la a fundo (nenhuma moral histórica teve um impacto cultural tão imenso e profundo).” – Juan Luis Lorda
A validade de uma moral não pode ser demontrada com se demonstra uma conclusão matematica. A certeza de que uma moral é verdadeira procede de que se ajusta bem ao homem, emana da sua beleza e dos seus frutos tanto pessoais quanto sociais e isso é algo que se pode comproar com a moral cristã.
A diferença da moral cristã é que ela é uma moral revelada (não é resultado do acumulo de experiencias humanas). Nós, os cristãos, cremos que Deus, o criador de tudo, quis descobrir ao homem o modo de viver que lhe convém. Essa moral é como um manual de instruções que acompanha os produtos que compramos. O fabricante, que conhece perfeitamente como foi feito o produto que vende, orienta sobre o modo mais adequado de usá-lo.
É claro que podemos ignorar totalmente o manual de instruções e utilizarmos o produto como bem entendemos, mas gera riscos de mal desempenho e até de quebrar o produto. A moral cristã apresenta-se a si mesma como o manual de instruções do fabricante.
A objeção mais grave que se costuma fazer a moral cristã é que procede de outra época. É o que CS LEWIS chamava o “proconceito cronológico”, é o preconceito de quetudo o que não é “moderno”, pelo fato de ser mais antigo, está superado. Mas é como se se considerassem superados os pores-do-sol só porque faz vários bilhões de anos que se produzem.
É facil mostrar que a moral cristã é a mais completa que já existiu. Iluminou a vida de milhões de pessoas e deu esplêndidos frutos de humanidade, heroísmo e beleza. Passar sem experimentá-la seria uma loucura.
“Tudo o que Deus nos exige por meio da lei moral, exige porque é o que mais nos convém. Deus não simplesmente estabeleceu uma série de exigências morais para nos incomodar. A moral cristã, revelada por Deus, tem por fim facilitar a vida, não dificultá-la. A observância dos mandamento de Deus tem uma certa analogia com a observância das instruções para a manutenção de um veículo. Essas instruções podem prescrever algumas norma cuja razão de ser o usuário nem sempre compreenda por inteiro. Mas o fabricante, que conhece perfeitamente o funcionamento do carro, recomenda-nos que, para nosso bem, cumpramos essas normas, ainda que nem sempre as entendemos.” Alfonso Aguiló




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