“Jesus disse: ― O meu reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu reino não é daqui. ― Então, você é rei! — disse Pilatos. Jesus respondeu: ― Tu dizes que sou rei. Para isto nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade.” João 18:36-37
OBS: Muitas das referências teoricas aqui utilizadas foram retiradas da Enciclica do Papa Pio XI chamada Divini Redemptoris.
“Aqui tendes, Veneráveis Irmãos, diante dos olhos do espírito, a doutrina que os comunistas bolchevistas e ateus pregam a humanidade como novo evangelho, e mensagem salvadora de redenção. Sistema cheio de erros e sofismas, igualmente oposto a revelação divina e a razão humana: sistema que por destruir os fundamentos da sociedade, subverte a ordem social, que não reconhece a verdadeira origem, natureza e fim do Estado; que rejeita enfim e nega os direitos, a dignidade e a liberdade da pessoa humana.” – Encíclica Divini Redemptoris de Papa Pio XI
“O comunismo despoja o homem de sua liberdade e dignidade, a pessoa humana segundo os devaneios comunistas, não é mais do que, uma roda de toda a engrenagem, dessa forma todos os seus direitos naturais, que dela procedem, são negados ao homem individuo, para serem atribuidos a coletividade.” – Encíclica Divini Redemptoris de Papa Pio XI
Após a segunda guerra mundial, o Leste Europeu caiu sob o domínio do comunismo e entrou na órbita da URSS. O sentimento católico era um obstáculo ao dominio da URSS.
Quando tiramos Deus de seu devido lugar, o substituimos por algum ídolo. Em muitos casos, a pessoa coloca a ideologia marxista como seu novo Deus. Como o Papa Pio XI explica, o objetivo final do comunismo é: “Em suma, para reduzirmos em poucas palavras, pretendem introduzir uma nova ordem de coisas e inaugurar uma era nova de mais alta civilização, produto unicamente duma cega evolução da natureza: “uma humanidade que tenha expulsado a Deus da terra”.
É este o espetáculo que atualmente com suma dor contemplamos, pela primeira vez na história estamos assistindo a uma insurreição, cuidadosamente preparada e dirigida contra “tudo o que se chama Deus.”
Efetivamente, o comunismo por sua natureza opõe-se a qualquer religião, e a razão por que a considera como o “ópio do povo”, é porque os seus dogmas e preceitos, pregando a vida eterna depois desta vida mortal, apartam (distraem) os homens da realização daquele futuro paraíso, que são obrigados a conseguir na terra”.
É ilusório aceitar qualquer tipo de aliança entre marxismo e Cristianismo, mesmo que sob a forma aliviada na utilização da análise marxista da sociedade na elaboração da síntese teologica. Os diversos aspectos do marxismo (materialismo, ateísmo, luta de classes) perpassam explicita ou implicitamente qualquer tese marxista.
“A doutrina que os comunistas em nossos dias espalham, proposta muitas vezes sob aparências capciosas e sedutoras (de redenção dos humildes), funda-se de fato nos principios do materialismo dialético e histórico, ensinado por Marx. Essa doutrina proclama que não há mais que uma só realidade universal, a matéria, formada por forças cegas e ocultas, que através de sua evolução natural, se vai transformando em planta, em animal e homem. Do mesmo modo, a sociedade humana, dizem, não é outra coisa mais do que a aparência ou forma da matéria, que vai evoluindo como fica dito, e por uma necessidade implacável e um perpétuo conflito de forças, vai pendendo para a síntese final, uma sociedade sem classes. É por isso que se esforçam por tornarem mais agudos os antagonismos que surgem entre as várias classes da sociedade, lutando para que a luta de classes, tão cheia, infelizmente de ódio e ruínas, tome o aspecto de uma guerra em prol do progresso da humanidade e até mesmo, porque todas as barreiras que se opõem a essas sistemáticas violências sejam completamente destruidas, como inimigas do gênero humano.” – Divini Redemptoris
Para o marxista, o homem é simplesmente matéria, de modo que seu comportamento ético, jurídico, artístico, religioso está em função da distribuição dos bens materiais. Para alcançar seus fins julga que “os fins justificam os meios” de modo que o ódio, a violência, a mentira, a ambiguidade, a corrupção e a falsidade tem plena validade na ótica marxista. Ora, o cristão jamais poderá aceitar tais concepções.
A Igreja pode “cristianizar” o aristotelismo e o platonismo, com Santo Agostinho e Santo Tomás e outros santos, porque estes eram um sistema de pensamento aberto a transcendência, ao passo que o marxismo nega essa possibilidade, pois é ateu e materialista.
Não é possível promover a fraternidade com a luta de classes, jogando irmãos contra irmãos, fomentando o ódio, o rancor e a inveja.
Não se pode fazer coincidir a salvação cristã simplesmente com a libertação socioeconômica. O Cristianismo dá valor primário ao espiritual, não negligenciando a ordem temporal e material. O verdadeiro processo libertador começa pela conversão interior. Não adianta mudar estruturas socioeconomicas se todos os homens, ricos e pobres, não se converterem, deixando o pecado. Sem isso, pode-se mudar as estruturas, mas o ódio, a violência e a injustiça, como vemos em nosso mundo atual tão longe de Deus.
Além disso, os comunistas enxergam que a solução para todos os male da sociedade é a igualdade subversiva. Porém, a Igreja reconhece que existe a desigualdade entre os homens, naturalmente diferentes nas forças do corpo e do espírito, e que esta desigualdade existe na produção dos bens. Os comunistas são totalmente contra a ideia do direito a propriedade. Eles esquecem que o direito da propriedade privada é fundamental para a autonomia e desenvolvimento da pessoa.
Uma das táticas empregadas no Brasil pelos movimentos sociais marxistas é a invasão de terras. Porém, como Leão XIII ensina: “Nem a justiça, nem o bem comum consentem danificar alguém ou invadir a sua propriedade sob nenhum pretexto”.
É sustentado o principio de igualdade absoluta, rejeitando toda e qualquer hierarquia e autoridade que proceda de Deus, até mesmo dos pais. Nem aos indivíduos se concede direito algum de propriedade sobre bens naturais ou sobre meios de produção.
Como o Paulo VI disse na Octogesima Adiveniens: “Está bem claro, as ideologias mais revolucionárias não tem como resultado senão uma mudança de patrões, instalados por sua vez no poder, esses novos patrões rodeiam-se de privilégios, limitam as liberdades e instauram novas formas de injustiças” Quando um tirano desses se estabelece, qualquer oposição é aniquilada.
“A igreja não necessita de recorrer a sistemas e ideologias para amar, defender e colaborar na libertação do homem… a libertação cristã usa meios evangélicos com a sua eficácia peculiar e não recorre a algum tipo de violência, nem a dialética da luta de classes… ou a práxis ou a análise marxista, pelo perigo de iseologização a que se expõe a reflexão teológica, quando se realiza partindo de uma práxis que recorre a análise marxista. Suas consequências são a total politização da existência cristã, a dissolução da linguagem da fé nas ciências sociais e o esvaziamento da dimensão transcendental da salvação cristã” – São João Paulo II
“O Cristianismo não tinha trazido uma mensagem sócio-revolucionária semelhante a de Espártaco que tinha fracassado após lutas cruentas. Jesus não era Espártaco, não era um guerreiro em luta por uma libertação política, como Barrabás ou Bar-Kochba. Aquilo que Jesus – Ele mesmo morto na cruz – tinha trazido era algo totalmente distinto: o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, deste modo, o encontro com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo.” Papa Pio XI
Além disso, não podemos deixar de mencionar a intensa e violenta perseguição dos regimes marxistas ao Cristianismo, como explicado pelo Papa Pio XI:
“Não é esta ou aquela igreja destruida, este ou aquele convento arruinado, mas onde quer que lhes foi possível, todos os templos, todos os claustros religiosos, e ainda quaisquer vestígios da religião cristã, posto que fossem monumentos insignes de arte e da ciência, tudo foi destruido até os fundamentos. E não se limitou o furor comunista a trucidar bispos e muitos milhares de sacerdotes, religiosos e religiosas, alvejando dum modo particular aqueles e aquelas que se ocupavam dos operários e dos pobres; mas fez um número muito maior de vítimas em leigos de todas as classes, que ainda agora vão sendo imolados em carnificinas coletivas, unicamente por professarem a fé cristã, ou ao menos por serem contrários ao ateísmo comunista.” – Papa Pio XI
Em muitos regimes comunistas, a família é vista como reacionária, e o governo pedia para que as crianças informassem as entidades oficiais quando os pais lhes dessem instrução religiosa. Pais eram proibidos de dar nomes “religiosos” aos filhos. Uma família que rezasse o terço em casa podia apanhar cinco anos de prisão, assim como ensinar o sinal da cruz a uma criança. A mera posse de literatura religiosa podia levar a pena de morte.
“Rejeição de todo o caracter sagrado da vida humana, e isso gera como consequência a destruição do matrimônio e da família. No comunismo não existe laço algum da mulher com a família e com o lar.Na verdade, ele proclama o principio da emancipação completa da mulher, de tal modo a retira da vida doméstica e do cuidado dos filhos que a atira para a agitação da vida pública e da produção coletiva, na mesma medida que o homem. Mais ainda: os cuidados do lar e dos filhos devolve-os a coletividade. Rouba-se enfim aos pais o direito que lhes compete de educar seus filhos, o qual se considera com sendo direito exclusivo da comunidade.” -Papa Pio XI
Você ensinar o catecismo nesses lugares era visto como ato de terrorismo e consipiração. Sacerdotes e freiras eram retratados como grupos fanáticos que planejavam atos terroristas, atentados contra Stálin e o regresso ao capitalismo.
Das 3300 igrejas e duas mil capelas católicas existentes na Russia pré revolucionária, ficaram abertas apenas duas que eram usadas pelo governo para demonstrar a comunidade internacional a liberdade religiosa existente na URSS.
Os Comunistas acreditam que o Cristianismo é uma invenção dos homens, com risco de diminuir o poder do governo. Em muitos desses regimes é criado “Igrejas Nacionais” (Igrejas do Estado Totalitário) separada de Roma (pois o Vaticano era visto como ameaça estrangeira), Papa era visto como um líder estrangeiro compactuador do imperialismo americano.
Numa sociedade comunista, a missão única da humanidade seria a produção de riqueza por meio do trabalho coletivo, e único fim o gozo dos bens da terra num paraíso ameníssimo de delíciais onde cada qual produziria conforme as suas forças e receberia conforme as suas necessidades. A coletividade tem o direito de sujeitar os individuos ao jugo do trabalho coletivo, sem a menor consideração de seu bem estar pessoal (até que seja contra a sua vontade).




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