O ensinamento de Jesus de “Não julgareis” é um dos versos bíblicos mais citados e mais incompreendidos, quase sempre utilizado fora de seu contexto original.
Além do mais, não julgar não significa que todas as ações são iguais em termos de moralidade, nem que a verdade é relativa/subjetiva. A Bíblia ensina que existem ações más e boas, e que a Verdade é objetiva e eterna.
As pessoas utilizam desse verso “Não julgareis”, muitas vezes, na tentativa de silenciar os seus críticos e opositores, utilizando esse verso no sentido de: “Você não tem o direito de me dizer que o que eu estou fazendo é errado”, ou no sentido de que “tudo é permitido, não existe certo ou errado, posso fazer o que quiser e você não tem o direito de opinar na minha vida”.
Esse ensinamento, no entanto, não significa que devemos apagar todo o nosso discernimento e sermos 100% do tempo tolerantes e aceitar 100% das práticas que o mundo cultua e nos apresenta como “boas”. Imediatamente depois de Jesus dizer “Não julgue para não ser julgado” ele diz:
“Não deem o que é santo aos cães, nem joguem pérolas aos porcos; pois os porcos pisotearão as pérolas, e os cães se voltarão contra vocês e os atacarão” Mateus 7:6
Um pouco mais tarde, no mesmo sermão, Ele diz: “Cuidado com os falsos profetas. . . . Pelos seus frutos os reconhecereis” (versículos 15–16). Como podemos discernir quem são os “cães”, os “porcos” e os “falsos profetas”, a menos que tenhamos a capacidade de fazer um julgamento sobre doutrinas e ações? Jesus está nos dando permissão para distinguir o certo do errado.
Essa ideia de que Jesus não repreendeu os pecadores, nunca julgou ninguém ou foi algum tipo de hippie ou maricas fraco é uma piada! Se um cristão sugere num fórum público que alguma atividade é imoral, ou mesmo prejudicial, somos rapidamente silenciados com “Jesus disse, “não julgue”. Na verdade, “julgar” ou “intolerância” tornou-se uma das únicas coisas que a nossa sociedade como um todo está disposta a chamar de algo mau.
As pessoas muitas vezes usam “não julguem para não serem julgados” para tentar cancelar todo o raciocínio moral cristão. Os cristãos não devem condenar as pessoas, mas certamente devemos pensar e falar sobre o que é certo e o que é errado, o que significa julgamento. A mera moralidade legalista não é o nosso objetivo final, mas a moralidade tem que ser importante para nós ao longo do caminho.
Essa ideia de que não se pode julgar ou repreender ninguém não foi o que Jesus disse! E odeio ver as pessoas tirarem isso do contexto para defender pecados flagrantes como a homossexualidade, o aborto e outros pecados o tempo todo. “Não me julgue, só Deus pode me julgar” Eles interpretam esses versículos de julgamento fora do contexto
Os cristãos são frequentemente acusados de “julgamento” ou intolerância quando falam contra o pecado. Mas se opor ao pecado não é errado. Eis alguns versículos bíblicos que demonstram como não podemos ser tolerantes ao erro:
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras. É isso que você deve ensinar, exortando-os e repreendendo-os com toda a autoridade. Ninguém o despreze” Tito 2:11-15
“Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas’. Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano” Mt 18:15-17
Gálatas 6:1 “Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado.”
“Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina.” 2 Tm 4:1-2
1Tessalonicenses 5:21. “Examinai todas as coisas, retende o que é bom.”.
A Fraqueza da Tolerância
A tolerância não é uma virtude cristã. A tolerancia, como já disse Chesterton, “é a virtude do homem sem convicções.”
Ser bom é ser tolerante? A Bíblia nos chama ao amor, a verdade e a justiça, mas nunca a tolerância do erro. Jesus não foi um homem passivo. Ele demonstrou graça para os arrependidos, mas jamais tolerou o pecado “Vai e não peques mais”
O problema da tolerância moderna é que ela exige que os homens abandonem suas convicções em nome da aceitação. Mas um homem de verdade não se curva ao politicamente correto. Tolerar aquilo que destroi a sua família, sua fé, seus valores não é virtude, mas sim fraqueza.
Nesse tipo de ambiente onde a tolerância reina, em que todas as opiniões são validas e não devem ser de forma alguma contestadas (senão você estaria sendo intolerante), não é mais possível encontrar nenhuma verdade, nem fazer nenhum raciocinio, numa mudez universal, onde não há mais trocas de ideias e discussões.
“Se a liberdade significa alguma coisa será sobretudo o direito de dizer as outras pessoas o que elas não querem ouvir” – George Orwell
“Quanto mais a sociedade se distancia da verdade, mais ela odeia aqueles que a revelam” – Geroge Orwell
O maior pecado nos dias de hoje é a intolerância – as pessoas podem acreditar no que quiserem, conquanto que não digam as outros que eles estão errados.
Alguns dizem que temos que aprender a não julgar, porém o não julgamento não é um estado de imbecilização em que você suspende seu pensamento racional e aceita todas as premissas que lhe são apresentadas como igualmente verdadeiras. Nessa era de confusão e excesso de informações, você precisa estar dedicado a usar a sua mente racional para discernir o que é verdadeiro e o que é falso.
Na verdade, quando Jesus Cristo ensina o não julgamento, ele se refere a uma atitude de não sermos prepotentes e arrogantes, de não nos considerarmos moralmente superiores aos demais, pois todos nós somos pecadores e destituídos das graças de Deus. Todos erramos e por isso mesmo, antes de apontar o dedo para os pecados alheios, precisamos direcionar nosso olhar para nosso próprio comportamento e mentalidade.
Julgar de maneira justa
João 7:24 diz: “Não julguem de acordo com as aparências, mas julguem de maneira justa”. Aqui temos uma pista sobre o tipo certo de julgamento versus o tipo errado
Primeiro, não devemos condenar outras pessoas. Podemos dizer que algo está errado sem condenar quem o faz. A abordagem que costumo adotar é mais ou menos assim: “Olha, quero ter certeza de que você sabe o que a Bíblia diz sobre isso. O que você faz sobre o que a Bíblia diz não é minha decisão. Estou lhe contando o que sei da Bíblia, e o resto fica entre você e Deus.”
O julgamento superficial é errado; O julgamento hipócrita é errado; O julgamento duro é errado; O julgamento arrogante é errado – Somos chamados a humildade e Deus despreza o orgulho.
Em Tiago 4:6, a Bíblia diz: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”.
“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.” Mateus 7:3-5
“Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo”. Romanos 2:1
Deixe um comentário