O anúncio da Palavra de Deus não se limita a um ensinamento: quer suscitar a resposta da fé, como consentimento e compromisso, em vista da aliança entre Deus e seu povo.
Podemos Chegar a Deus Pela Razão Natural
“Mediante a razão natural, o homem pode, com certeza, conhecer a Deus a partir de suas obras. Existe, porém, outra ordem de conhecimento que o homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças: a da revelação divina. Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Faz isto revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que, desde toda a eternidade, concebeu em Cristo, em favor de todos os homens. Revela plenamente seu projeto, enviando seu Filho bem amado, nosso Senhor Jesus Cristo e o Espírito Santo” CIC 50
Deus fala ao homem por intermédio da criação vísivel. O cosmos material apresenta-se a inteligência do homem para que este leia nele os vestígios de seu criador. A luz e a noite, o vento e o fogo, a água e a terra, a árvore e os frutos falam de Deus, simbolizam, simultaneamente, sua grandeza e proximidade. CIC 1146
Desde o início a fé cristã tem se confrontado com respostas diferentes da sua, no que diz respeito a questão das origens. Assim, nas religiões e nas culturas antigas, encontram-se numerosos mitos acerca das origens. Certos filósofos afirmaram que tudo é Deus, que o mundo é Deus, ou que o devir do mundo é o devir de Deus (Panteísmo); outros afirmaram que o mundo é uma emanação necessária de Deus, uma emanação esta que deriva dessa fonte e a ela volta; outros ainda afirmaram a existência de dois princípios eternos – o Bem e o Mal, a Luz e as Trevas, em luta permanente entre si (dualísmo, maniqueísmo).
Segundo algumas dessas concepções, o mundo (pelo menos o mundo material) é mau, produto de uma queda e, portanto, deve ser rejeitado ou superado (gnose); outros admitem que o mundo tenha sido feito por Deus, mas a maneira de uma relojoeiro que, uma vez terminado o serviço, o abandonou a si mesmo (deísmo), ainda outras não aceitam nenhuma origem transcendente do mundo, vendo neste mero jogo de uma matéria que teria existido sempre (materialismo). Todas essas tentativas dão provas da permanencia e da universalidade da questão das origens. Esta busca é própria do homem. CIC 285
Sem dúvida,a inteligência humana já pode encontrar uma resposta para a questão das origens. Com efeito, a existência de Deus Criador pode ser conhecida, com certeza, por meio de suas obras, graças a luz da razão humana, ainda que, muitas vezes, este conhecimento seja obscurecido e desfigurado pelo erro. Por isso a fé vem a confirmar e iluminar a razão na compreensão correta da verdade: “Pela fé compreendemos que o universo foi organizado peloa palavra de Deus, de sorte que as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê” Hb 11,3 – CIC 286
Para além do conhecimento natural que todo homem pode ter do Criador, Deus, progressivamente, revelou a Israel o mistério da criação. Ele, que escolheu os patriarcas, que fez Israel sair do Egito e que, ao escolher Israel, o criou e o formou, revela-se como Aquele a quem percencem todos os povos da terra e a terra inteira, como o único que “fez o céu e a terra”- CIC 287
Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma. Rm 1:19-20
A Importância da Revelação e da Fé
A fé é um ato pessoal: a resposta livre do homem a iniciativa de Deus que se revela
A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo, ao mesmo tempo, uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida.
“A liberdade da fé: Para que o ato de fé seja humano, o homem deve responder a Deus, crendo por livre vontade. Por conseguinte, ninguém deve ser forçado, contra sua vontade, a abraçar a fé, pois o ato de fé é, por sua natureza, voluntário. Deus de fato chama os homens para serví-lo em espírito e verdade. Com isso os homens são obrigados em consciência, mas não são forçados (…) Com efeito, Cristo convidou a fé e a conversão, mas de modo algum coagiu. “Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la pela força aos que a ela resistiam”. CIC 160
A resposta adequada a esse convite é a fé. Pela fé, o homem submete completamente a sua inteligência e vontade a Deus CIC 143.
“Por meio dele e por causa do seu nome, recebemos graça e apostolado para chamar dentre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé.” Rm 1,5
“(…) mas agora revelado e dado a conhecer pelas Escrituras proféticas por ordem do Deus eterno, para que todas as nações venham a crer nele e a obedecer-lhe” Rm 16,26
Obedecer na fé significa submeter-se livremente a palavra ouvida, visto que sua verdade garantida por Deus, a própria Verdade. O modelo desta obediência, proposto pela Sagrada Escritura, é Abraão. A Virgem Maria é sua mais perfeita realização. CIC 144
A virgem Maria realiza, da maneira mais perfeita, a obediência da fé. Maria acolheu o anuncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que “para Deus nada é impossível” e dando seu assentimento “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”.
“Devemos olhar para Jesus, o autor e consumador da fé, e que ele suportou a cruz por causa da alegria que lhe estava reservada” Hb 12,2
A fé é primeiro uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda verdade que Deus revelou. Como adesão pessoal a Deus e assentimento a verdade que ele revelou, a fé cristã é diferente da fé em uma pessoa humana. É justo e bom entregar-se totalmente a Deus e crer incondicionalmente no que ele diz. Seria vão e falso por tal fé em uma criatura. CIC 150
É necessário para obter esta salvação, crer em Jesus Cristo e naquele que o enviou para nossa salvação.
Marcos 16:16 diz: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado“
“E aquele que crê no Filho tem a vida eterna, e ele receberá da sua plenitude. Mas aquele que não crê no Filho não receberá da sua plenitude, pois a ira de Deus está sobre ele.” Jo 3,36
E a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Jo 6,40
Para o cristão, crer em Deus é, inseparavelmente, crer naquele que Ele enviou, “seu Filho bem amado”, no qual Ele pôs todo o seu agrado. Deus mandou que o escutássemos. O próprio Senhor disse a seus discípulos “Crede em Deus, crede também em mim” (Jo 14:1). Podemos crer em Jesus Cristo porque ele mesmo é Deus, o Verbo feito carne: “Ninguém jamais viu a Deus; o filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1,18): “Este viu o Pai”. Ele é o único que o conhece e pode revelá-lo. CIC 151
Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Mt 11,27
A fé, luminosa em virtude daquele que nela crê, é frequentemente vivida na obscuridade. A fé pode ser posta a prova. O mundo em que vivemos parece, muitas vezes, estar bem longe daquilo que a fé assegura. As experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa Nova, podem abalar a fé e tornar-se para ela uma tentação. CIC 164
Peça ao Senhor para aumentar a sua fé!
Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé! ” Ele respondeu: “Se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderão dizer a esta amoreira: ‘Arranque-se e plante-se no mar’, e ela lhes obedecerá. Lc 17,5
Crer em Deus, o Único, e amá-lo com todo o próprio ser têm enormes consequência para toda a nossa vida.
Significa conhecer a grandeza e a majestade de Deus. “Deus é grande, e supera o nosso conhecimento (Jó 36,26), por isso Deus deve ser o “primeiro a ser servido”
Significa viver em ação de graças. Se Deus é o Único, tudo o que somos e tudo o que possuímos vêm dele: “Que tens, que não tenhas recebido?” (1 Cor 4,7). “Que retribuirei ao Senhor por todo o bem que me deu?” (Sl 116,12)
Significa usar corretamente as coisas criadas. A Fé no Deus único nos leva a usar tudo o que não é Ele, na medida em que isso nos aproxima dele, e a nos desapegarmos das coisas, na medida em que nos desviam dele.
Significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. Uma oração de Sta. Teresa de Jesus expressa de maneira admirável: “Nada te perturbe, Nada te assuste. Tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta”
“Meu Senhor e meu Deus, tirai-me tudo o que me afasta de vós. Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo o que me aproxima de vós. Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo para doar-me por inteiro a vós” S. Nicolau de Flue
A fé nasce e se alimenta da Palavra.
A Incredulidade culpada
Será também condenada a incredulidade culpada que fez pouco da graça oferecida por Deus. CIC 678
Muitos sinais foram demonstrados, mas nos recusamos a crer.
Pecar contro o Espírito Santo é a persistencia em recusar a graça de Deus.
Pela recusa da graça neste vida, cada um já se julga a si mesmo, recebe de acordo com suas obras e pode até condenar-se pela eternidade, ao recusar o Espírito de amor. – CIC 679
João 3:18 diz: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus”.
Temos uma escolha, entre o acolhimento ou recusa da graça e do amor divino.
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